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OPINIÃO POLÍTICA

A gordura do Rei Momo

Ivan de Carvalho

Leandro dos Santos, o Léo Boy, de 30 anos, foi reeleito na sexta-feira Rei Momo para o carnaval de Salvador. Ele tem 1,85 de altura e pesa 138 quilos, o que o coloca dentro dos parâmetros exigidos pelo regulamento da escolha: mínimo de 106 e máximo de 230 quilos. Explicam-se esses parâmetros: com menos de 106 quilos, se fosse alto, não seria gordo e, com mais de 230 quilos, fosse alto ou baixo, dificilmente conseguiria descolar os dois pés do chão – e carnaval não é arrasta-pé.

Gloriosamente, Léo Boy receberá hoje a chave da cidade e supõe-se que bem saiba o que fazer com ela, pois que no carnaval passado já se exercitou nessa tarefa. Talvez, na quarta-feira de cinzas, esteja apto a oferecer ao neo-prefeito ACM Neto alguns conselhos a respeito de como bem usar a tal chave. Quanto aos R$ 15 mil do prêmio, que faça o que lhe vier à cabeça, uma vez que a tenha sensata, do que não há garantia, visto que ela deixou o corpo chegar aos 138 quilos.

É, aliás, neste ponto que começam minhas divergências a respeito dos parâmetros para enquadrar os candidatos a Rei Momo e, finalmente, o eleito – mínimo de 106 e máximo de 230 quilos. Isso é um tiro no pé, um gordo e pesado obstáculo que se levanta contra o êxito da embrionária campanha social contra a obesidade, causa – provada pela medicina – de um grande número de malefícios à saúde, desde o diabetes às doenças coronarianas e angiológicas em geral, passando por um aumento do risco de câncer e indo até uma notória queda na qualidade de vida.

As vantagens da obesidade, além do obeso adquirir a chance de ser rei momo, vai para os médicos que se especializam em cirurgias bariátricas, os hospitais onde estas cirurgias são feitas, os nutrólogos e nutricionistas que receitam dietas para obesos emagrecerem, academias de ginástica e produtos farmacêuticos que, para quem esteja disposto a enfrentar seus efeitos colaterais, reduzem a fome e ajudam a emagrecer. Atualmente, floresce em muitos países do mundo uma pujante economia da obesidade, cujo extinção seria lamentada apenas pela maioria das pessoas que ganham dinheiro com ela. Algumas não lamentariam, por amarem ao próximo como a si mesmas.

Só o que foi dito nas linhas precedentes já recomenda que, se no futuro ainda houver carnavais (“O futuro a Deus pertence”, dizia o ex-ministro da Justiça do presidente Geisel, Armando Falcão), o Rei Momo seja um magro, pelos critérios adotados na biometria.

O Rei Momo Magro, além de dar uma inestimável contribuição à campanha mundial (e brasileira) contra a obesidade, apresenta outras vantagens. Ele, obviamente, cansa menos – gasta menos energia para fazer os mesmos movimentos. Com isso, lhe sobre energia para pular mais e melhor que um Rei Momo Gordo.

Mas não são apenas estas as vantagens. Um Rei Momo Magro – na comparação com um Rei Momo Gordo – poderia facilmente tornar-se garoto propaganda de uma campanha contra o desperdício de alimentos, já que estes faltam em muitas mesas porque são consumidos demais em outras.
Finalmente, segundo as estatísticas que aqui e ali a medicina anda acumulando, um Rei Momo Magro correria bem menos risco de, em plena ação, ter um piripaque e introduzir tristeza no carnaval.

Quanto ao Leandro, o Léo Boy, uma vez que já está eleito e entronizado, desejo-lhe sinceramente um feliz reinado. Mas, a partir da quinta-feira, emagrece, cara. Não fica esperando o tri. Rei Momo Gordo, com toda a notoriedade que o título lhe dá, é um grande mau exemplo. Emagrece, moço, e se oferece para fazer campanha contra a obesidade. Aquele negócio – antes,

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