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CRÔNICA/ RETORNOS

Django livre, Renan solto

Janio Ferreira Soares:

Nesses tempos em que os cinemas estão basicamente dominados por anéis mágicos, bruxinhos de franjas e poderosos vampiros corneados – na ficção e na vida real -, alvíssaras! Quase meio século depois de Franco Nero arrastar um caixão de defunto diante de meus olhos ainda assimilando Brigitte Bardot, eis que finalmente surge outro Django para honrar a tradição e mandar bala nessas ondas de tons acinzentados que estão despertando um viço repentino numa moçada que, pelo visto, perderia o eixo diante dos catecismos do mestre Carlos Zéfiro. E o responsável por me trazer de volta aquela sensação de gritar “xô!” para espantar o condor antes de a sessão começar é Quentin Tarantino, que faz parte de um seleto grupo de cineastas que sabem entregar sangue e pudins com a mesma habilidade com que o poeta Abel Silva costurava as roupas dos querubins.

Só um louco por cinema e música poderia criar um Django negro e colocá-lo para cavalgar por entre vales e montanhas com o sol triscando seus pinos e Jim Croce cantando I Got I Name, uma antiga canção que parece ter sido feita para acompanhar caubóis em busca de um grande amor. Em sua companhia viaja Dr. Schultz, um caçador de recompensas interpretado pelo espantoso Cristoph Walts, responsável por diálogos de um humor afiadíssimo, uma das qualidades de Tarantino (a cena do pessoal de uma pré-Ku Klux Klan reclamando de seus capuzes é sensacional). Mas o que me pegou de jeito foi a participação especialíssima de Franco Nero perguntando a Django o seu nome. Ao dizê-lo, o mocinho atual enfatiza que o “D” é mudo. “Eu sei”, responde Nero, com a propriedade de quem já o foi muito antes de ele sê-lo.

Outro que está de volta à presidência do Senado – depois das vadiações do primeiro mandato – é Renan. Conterrâneo de Djavan (que também tem o “D” mudo, mas o talento solto), o “R” de seu nome, como a gramática prevê, continua com o som de “rê”. De rato, de raposa e de Rousseff, que eu imaginava diferente no trato com rapineiros. Pena ter puxado ao Rei que lhe criou.

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Comentários

Sérgio Dias on 2 Fevereiro, 2013 at 13:23 #

Muito bom. Li hoje no A Tarde. Fantástico.


rosa luiza on 3 Fevereiro, 2013 at 15:34 #

se eu imaginasse que ao final vc compararia dilma a ratos e raposas, não teria perdido meu tempo … respeito é bom, e a presidenta merece


Janio on 3 Fevereiro, 2013 at 20:00 #

Rosa, minha cara, não comparei Dilma a ratos e raposas, apenas ao som do “R”. Agora, que ela deveria jogar pesado com essa turma, deveria. Afinal, ter como substituto em sua cadeira o mesmo cara que tomava Logan com Collor é um pouco demais, né não?


Olivia on 3 Fevereiro, 2013 at 21:22 #

Beleza de artigo, Janinho.


Carlos Volney on 4 Fevereiro, 2013 at 17:11 #

É isso, caro Janio, a verdade é sempre dolorosa.
Seu artigo é brilhante – como tudo, aliás, que você escreve – e retrata com rara fidelidade o que verdadeiramente ocorre em nossa política. Afinal, há os que tiram a máscara sem mais qualquer constrangimento e os que acham que conseguem mantê-la e enganar a todos.
Neste último caso refiro-me específicamente a Dilma, que posa de vestal, a que não faz concessão a malfeitos – expressão que ela consagrou – mas por “debaixo dos panos” aceita tudo que for conveniente a seu partido e seu chefe. Inclusive se aliando ao que de pior existe entre os nossos (?) políticos.


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