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OPINIÃO POLÍTICA

PR quer ministério

Ivan de Carvalho

É apenas uma hipótese exploratória, sem nenhuma base em informação objetiva, mas esse exercício também é válido em política. O nome do ex-senador César Borges, atualmente vice-presidente de governo do Banco do Brasil, além de presidente estadual do PR na Bahia, pode surgir para o caso de seu partido voltar a integrar o ministério da presidente Dilma Rousseff.

O ba-fa-fá é o seguinte. Ontem, o deputado e ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, teve sua escolha para a liderança da bancada do PR na Câmara federal oficializada pelos 31 deputados presentes. A bancada tem um total de 37 deputados.

Após a decisão da bancada, Garotinho disse que vai trabalhar para definir rapidamente o rumo do partido – se fica com o governo ou se passa à oposição. Desde que perdeu o Ministério dos Tranportes em 2011, com a exoneração do então ministro Alfredo Nascimento, que teve de deixar o cargo ante acusações de irregularidades, o PR não conseguiu indicar outro nome (a presidente Dilma Rousseff botou no lugar um interino, Paulo Sérgio Passos, que era secretário geral do ministério e hoje é ministro efetivo).

O PR não se considerou representado e se declarou independente até que o problema fosse resolvido. Não foi resolvido. Já passou muito tempo, mas tudo continua na mesma. Nesse período, o PR ficou mais ou menos como aquilo n’água. Boiando sem rumo certo, não é realmente independente como se declarou, mas não é realmente governista e muito menos realmente oposicionista. Não é nada, muito pelo contrário.

Garotinho, que é um parlamentar bastante rebelde em relação ao governo, mas nada tem de radical, fez uma declaração mais incisiva que as habitualmente feitas pelos políticos brasileiros – “Vi que é o desejo da bancada ir para a base do governo. Vou me despir de qualquer vaidade e projeto pessoal para ir para o governo, mas não hesitarei se tivermos que ser oposição”.

Garotinho evitou falar em ministério, mas tem afirmado que o seu partido, uma vez integrando a base governista, merece o mesmo tratamento e espaço que os demais aliados. “Nosso partido pode crescer de mãos dadas com o governo ou fora dele. O que não podemos é ir para lugar nenhum”, avisou.

Mas se, ao mesmo tempo que proclama a inclinação da bancada de reingressar na base governista, a liderança do PR avisa que não sendo o partido bem acolhido, irá para o lado oposto, as chances de ser levado a sério pelo governo aumentam. E pode, assim, afinal, aparecer um ministério. Neste caso, um nome que o PR não poderia deixar de considerar para indicar é o do ex-senador e ex-governador da Bahia, César Borges, como já dito, presidente da seção baiana do partido e vice-presidente de Governo do Banco do Brasil.

É claro que há muitas coisas a considerar. A política baiana e seu sistema de pesos e contra-pesos dentro da coalizão governista é uma delas. Outra, a possível existência de outros nomes que o PR possa indicar. E, em terceiro, claro, a disposição do senador de deixar o cargo tranquilo em que está e migrar para outro em que estará novamente na linha de frente da política e do próprio governo, sem tranquilidade, mas com a compensação de ganhar muito mais visibilidade e status político. Desde que não lhe ofereçam um ministério de brinquedo, como alguns que seus titulares supõem que existem, se é que eles próprios não duvidam.

TEMPO PERDIDO – PP e PR brigaram ontem no Senado pela terceira secretaria da Mesa Diretora. O PP, que tem cinco senadores, ganhou a vaga na votação pelo plenário com o senador Ciro Nogueira, que venceu o republicano Magno Malta, do PR, que tem seis deputados. O presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (aquele que teve de sair do Ministério dos Transportes) disse que vai ao STF, pois não foi respeitada a proporcionalidade. Tempo perdido. Se os cargos da Mesa são preenchidos por eleição (votação secreta), não há como impor o princípio

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