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OPINIÃO POLÍTICA
Assembléia e Congresso
Ivan de Carvalho

A eleição, amanhã, da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa será consensual, apesar do voto secreto. Isso não impede que ocorram alguns votos divergentes – é até uma rotina. Por motivos os mais diversos, inclusive nenhum, o fato sem causa, impossível na física, possível na política.

O que terá relevância amanha é a reeleição do deputado Marcelo Nilo para o quarto mandato consecutivo de presidente da Assembléia Legislativa. Isso cobre duas Legislaturas, num total de oito anos. Ele poderá não cumprir os oito anos no cargo, caso consiga viabilizar seu objetivo político declarado e pelo qual vem trabalhando intensamente, com todos os instrumentos de que dispõe – o de ser candidato ao governo baiano em 2014, com o apoio do governador Jaques Wagner. Caso não alcance esse evidentemente ambicioso objetivo, aí restarão mais duas ou, no máximo, três hipóteses. Mas isso já é outra história.

Se a paz reina na eleição para a Mesa Diretora da Assembléia, o mesmo não se pode dizer das eleições para as Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e Senado Federal.

Na Câmara, embora parecendo mais sujo do que pau de galinheiro, Henrique Eduardo Alves vai trocar a liderança do PMDB pela presidência da Casa. Isto, por força de um acordo do PMDB, que o está indicando, com o PT, que contou com o apoio peemedebista para eleger o atual presidente, o despreparado e insensato (proclamou que não cumpriria eventual decisão do Supremo Tribunal Federal) deputado Marco Maia.
Há um candidato desafiante na Câmara, o deputado Júlio Delgado, do PSB de Minas Gerais, mas ele vai perder. Mais amplamente ainda porque a quase totalidade da oposição vai votar em Henrique Eduardo Alves para garantir uns lugares na Mesa.

Mais lambuzado que o pau de galinheiro acima referido está o candidato favorito (praticamente eleito) a presidente do Senado, o líder do PMDB, Renan Calheiros, apoiado pelo PT – e provavelmente pelos principais partidos de oposição, PSDB e DEM, também para não perderem cargos e postos no Senado. O procurador geral da República, Roberto Gurgel, ingressou na sexta-feira, no Supremo Tribunal Federal, com uma denúncia contra o senador Renan Calheiros. Ela envolve fatos suspeitos que levaram esse parlamentar, anteriormente, a renunciar à presidência do Senado, em um acordo para salvar o mandato e não incorrer na pena acessória de suspensão de direitos políticos.

O procurador geral da República qualificou sua denúncia como “extremamente consistente”.
Há resistência simbólica. Houve algum esforço (pouco) para pressionar a bancada do PMDB a escolher outro peemedebista para candidato a presidente da Casa. Foi sugerido Pedro Simon. A posição crítica de Simon em relação ao governo Dilma Rousseff tornou as coisas ainda mais difíceis para a sugestão ganhar adeptos. Renan nem deu bola e a bancada do PMDB é quase totalmente controlada por ele.

Os quatro senadores do PSB, liderados pela baiana Lídice da Mata, propuseram ontem que o PMDB indique um candidato capaz de “recuperar a credibilidade” do Senado. PMDB e PT nem ligaram. Randolfe Rodrigues, do PSOL, é candidato desafiante, mas sem chance. Alguns senadores tentam articular a candidatura de Pedro Taques, do PDT. Com chances de vitória inexistentes.

O Congresso Nacional começa o ano legislativo da pior maneira possível.

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