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OPINIÃO POLÍTICA

Três eventos na sucessão

Ivan de Carvalho

O fim de semana foi razoavelmente pródigo em relação às eleições majoritárias de 2014 na Bahia.

Um dos, digamos assim, eventos foi uma entrevista concedida à Tribuna da Bahia pelo senador Walter Pinheiro, do PT. Embora todos os políticos saibam que ele é um dos pretendentes à sucessão do governador Jaques Wagner, ele deu respostas aparentemente evasivas.

Mas não chegaram a tanto. O que ele não poderia fazer agora, sob risco de graves danos políticos e muita dor de cabeça, seria afirmar-se candidato ao governo baiano. Assim, como a nenhum outro mandato eletivo será candidato em 2014, preferiu dizer que é candidato “ao trabalho, a ajudar a base política do governo Wagner a “trabalhar unida” em 2013 para que, em 2014, prossiga unida e, sob a liderança de Wagner, saiba escolher o caminho para a sucessão”.

Impecável. O senador Walter Pinheiro é competente. Lá com seus botões terá pensado intensamente enquanto fazia tais declarações: “O caminho sou eu, eu, eu”. Mas isto, se pensou mesmo, guardou para ele, sabendo talvez – e regozijando-se com isto – que o pensamento cria, tem uma poderosa força criadora. Na entrevista do senador, nota-se que ele fez tanto esforço para não dizer que é candidato a governador quanto o que fez para não dizer que não é.

Um outro evento está relacionado com o vice-governador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, o segundo maior partido na Bahia. Veio a Salvador o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Supõe-se que os dois terão conversado sobre a participação do PSD baiano na administração da presidente Dilma Rousseff, que está abrindo no momento alguns espaços para o novo partido aliado.

Mas quando os dois conversaram com o governador Jaques Wagner, o principal assunto foi outro. As eleições de 2014. Otto disse à Tribuna que a reunião, rápida, teve como tema central a reeleição da presidente Dilma Rousseff. E então acrescentou: “Nós reafirmamos a nossa aliança com o governador e conversamos para a minha manutenção na chapa majoritária de 2014, seja como vice, seja como senador”. Kassab, contou Otto Alencar, adotou o tom de manter o alinhamento do PSD com o governo Wagner, posição que é também a do vice-governador.

“Vou estar presente na chapa majoritária. Eu quero ir para o Senado Federal”, disse Alencar, chegando a manifestar seu desejo de trabalhar “nas reformas que o Brasil precisa, como a do Código Penal”. Apesar disso e de outras referências de Otto Alencar quanto a ser candidato a senador, Kassab não descartou uma eventual candidatura dele a governador: “Otto é o nome que o partido quer colocar à disposição da chapa, mas a candidatura dele só existirá em comum acordo. Nós temos uma aliança consolidada na Bahia com o PT e outros partidos e três cargos majoritários vão estar em jogo. Na hora propícia, a aliança vai decidir em qual posição Otto estará escalado”, disse Kassab ao site Bahia Notícias.

Se os dois eventos descritos concluem o mês de janeiro no que se relaciona à sucessão estadual, a reeleição do deputado Marcelo Nilo para o quarto mandato consecutivo de presidente da Assembléia Legislativa é o evento inaugural de fevereiro. A nova reeleição reforça a pré-campanha de Marcelo Nilo como candidato a governador, o único dentro da aliança governista que proclama sua disposição de concorrer, desde que obtenha o apoio do governador Jaques Wagner.

Para obter o apoio de Wagner, a premissa para Marcelo Nilo é o PT – partido do governador – abrir mão de ter candidato próprio. Sabe-se, não será uma coisa fácil de ocorrer. O presidente da Assembléia é a principal liderança do PDT baiano, que tem como presidente Alexandre Brust. O PDT tem 41 prefeitos na Bahia e a candidatura de Nilo ao governo obteve recentemente o apoio declarado do presidente nacional do partido, Carlos Lupi.

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Comentários

danilo on 29 Janeiro, 2013 at 5:15 #

boa análise, Ivan.

e fugindo um pouco do seu tema, mas para corroborar a livre expressão, e para iluminar a cabeça das pessoas pensantes, segue os parágrafos finais do artigo Regulamentação da Mídia2, de Roberto Romano, desta segunda feira:

“A mídia passa hoje por graves modificações. Se na cultura impressa existiu a figura do pedante, hoje na internet o pedantismo assume amplitude inaudita, unido à repetição de slogans e aos ataques às subjetividades que defendem posições adversas ao poder. Tudo indica que levará tempo para que a humanidade alcance uma síntese nova na ordem teórica e prática. Os jornais vivem uma situação inédita, com o aumento inusitado da comunicação eletrônica. As teses sobre a regulamentação da mídia, no Brasil, seguem a via coberta de ódio e dogmatismo.

Monopólios devem ser tratados com leis específicas, não podem servir de pretexto para impor ao público a visão de partidos ou seitas. Alguns veículos de comunicação, sobretudo na internet, se arrimam com ajuda oficial, reduzem seu papel à propaganda do governo e ao afogamento da crítica. Como se fosse destino, eles retornam ao tempo em que Richelieu pagava a jornais e jornalistas para combater os adversários do Estado.

Sobram ilhas de crítica e rigor intelectual na imprensa, mas é possível prever tempos escuros para as mentes lúcidas e honestas. Quem viver verá”.

* Roberto Romano é filósofo, professor de Ética e Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor, entre outros livros, de ‘O Caldeirão de Medeia’ (Perspectiva).


jader on 29 Janeiro, 2013 at 16:47 #

Este link é para o Danilo que anda tão interessado na regulação da midia:
http://www.viomundo.com.br/politica/venicio-lima-sob-o-ensurdecedor-silencio-da-grande-midia-brasileira.html


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