Katia Alves, da Limburb:derrapagem entre
o discurso e o real na limpeza de Salvador

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Aparece – e ganha corpo a olhos e olfato da população e visitantes de Salvador – aquele que se desenhou como problema incômodo e ponto mais crítico da primeira quinzena da nova admiistração municipal de Salvador: a limpeza pública na terceira maior capital do País .

“Um lixo só”, sintetiza uma mãe de família e trabalhadora, habitante do bairro Sussuarana ( vizinho do Centro Administrativo da Bahia, onde ficam a governadoria e as sedes dos principais órgão estaduais). “Até o terreno onde candidatos anunciavam no palanque que seria construída uma pracinha para lazer dos moradores da Sussuarana, virou lixão”, conta e mostra foto feita em sua máquina digital, ao Bahia em Pauta.

Não se use como desculpa surrada, neste caso do lixo, a herança maldita deixada pelo ex-prefeito João Henrique em sua desastrada e predatória passagem de oito anos no “comando” da cidade ( cercada ainda de dúvidas e suspeitas porque as contas da sua última administração não foram aprovadas pela Câmara e Tribunal de Contas).

O próprio prefeito recém empossado, ACM Neto, disse com carradas de razão na campanha e nos discursos de investidura no cargo, que limpeza e transportes públicos de qualidade, são obrigações básicas de qualquer administrador municipal.Não podem esperar.

Da retórica ao concreto, do adjetivo ao substantivo. Aí é que o bicho pega em quase todos os governos ( municipais, estaduais e federal). No caso do lixo, em Salvador, o descompasso do discurso com o real chega a ser desconsertante.No Centro, nas periferias e subúrbio, nos chamados “bairros nobres” ou nos ditos “bairros populares”. Tudo é igual, nada é melhor, como no tango argentino Cambalache.

Ontem, 15, ao completar-se a primeira quinzena do novo governo da cidade, a movimentada região do entorno da Estação da Lapa e Avenida 7 de Setembro, era “um lixo e uma desorganização só”, a ponto de causar debates acalorados e comparações em via pública, entre a administração que acaba de se instalar o o desatre de JH.

As maiores críticas são atiradas contra a nova “xerife da limpeza de Salvador”, como a propagaganda oficial tratou de batizar a polêmica ex-secretária de Segurança Pública da Bahia, Katia Alves, agora entronizada no comando da Limpurb.

Domingo passado, no bairro de Itaigara, causava náuseas, mal estar e indignação nos moradores e passantes, ver o lixo jogado sobre o passeio da praça Ana Maria Magalhães pelos inúmeros restaurantes “de luxo” que funcionam no largo.

Quadro repugnante e deprimente a ponto de provocar protestos em massa de ouvintes dos programas de rádio da capital, na manhã de segunda-feira, 14. E olha que a praça, uma das mais frequentadas por famílias inteiras, adultos, jovens e crianças em Itaigara, leva o nome da tia do prefeito ACM Neto.

Perguntar não ofende: Simples falha administrativa dos primeiros dias de governo municipal na capital baiana? Ou seriam os primeiros e impróprios sinais de pressão do setor privado encarregado da limpeza pública ( em vultosos e mal explicados contratos terceirizados) sobre o novo prefeito, por novos contratos e mais dinheiro para a execução do precário serviço de coleta do lixo que se vê nestes primeiros dias de 2013 em Salvador?

Responda quem souber!.

( Vitor Hugo Soares)

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Comentários

luiz on 16 Janeiro, 2013 at 15:20 #

Sua pressa na cobrança se traduz canalhice Vitor.
Sou petista.
Nunca lhe li cobrando tao enfaticamente de Wagner sobre Segurança por exemplo. Seca?
Cultura? Planejamento? Nada!!!!
Tem horas que não ‘guento!
15 dias de governo! O que lhe move?
Tem.

Vamos ser oposição responsável.


Graça Azevedo on 16 Janeiro, 2013 at 18:08 #

Kátia é boa de grampo, de limpeza sei não!
E todo apoio a VH, um jornalista sério e competente, sempre crítico na hora precisa, sem nenhum viés partidário. Qualquer leitor frequente do blog sabe disto.


Carlos Volney on 16 Janeiro, 2013 at 18:08 #

Vitor Hugo, sob minha ótica seu comentário é pertinente, oportuno e feliz. Traduz a inquietação de muitos como eu que, mesmo reconhecendo a exiguidade do tempo se sente no direito de constatar com desconforto que a prática da nova administração não vem sendo fiel à impetuosidade do discurso.
Vamos continuar acreditando que a coisa vai “entrar nos eixos” – e torcemos que assim aconteça – mas nada de cheque em branco. Não podemos deixar de exercitar o senso crítico.
Continue nos brindando com sua opinião sensata e sempre brilhante sem se incomodar com ataques agressivos e ofensivos.


jader on 16 Janeiro, 2013 at 21:42 #

Concordo com a Katia . Vitor Hugo sempre me impressionou pelo sua serenidade e bom senso . É sempre a prazer degustar seus comentários e suas análises!!!!


Mariana on 17 Janeiro, 2013 at 9:14 #

Senhor Luiz, seja o senhor quem for e mesmo sendo capaz de um comentário tão infeliz, para dizer o menos, com relação ao editor deste Blog, gostaria de esclarecer que ele, Vitor Hugo Soares, editor deste Blog, também meu irmão, e não me incomodo nem um pouco se achar que há parcialidade no meu comentário, é um homem, sob todos os aspectos, digno, honesto, honrado, respeitado e respeitável, de uma inteligencia ímpar e incomparável, amável e amado por tantos, elegante como poucos, sereno, detentor, portanto, de tantas qualidades que não seria possível aqui citar nem mesmo um poucos destas.
Ter uma opinião divergente da expressa por ele é um direito do senhor, agredí-lo, no entanto, não!
Aqui, neste espeço, ou em qualquer outro, enquanto eu tiver voz, o senhor não vai fazê-lo sem que eu me rebele e repudie veementemente a sua atitude!
O meu repúdio e o meu desprezo ficam aqui consignados!


Tiago Monteiro on 20 Janeiro, 2013 at 11:48 #

Não concordo com tudo que o @luiz comentou mas por um lado ele está certo. Foram apenas 15 dias no governo, é necessário pelo menos 90 dias para começar uma cobrança.


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