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OPINIÃO POLÍTICA

O PSB, a Bahia e o Brasil

Ivan de Carvalho

Na semana passada, a presidente estadual do PSB, Lídice da Mata, avisou que seu partido pretende ter candidato à sucessão do governador Jaques Wagner nas eleições de 2014.
A senadora socialista não deu outras indicações, mas é evidente que no PSB não há ninguém com densidade política e eleitoral suficiente para entrar na disputa, a não ser ela mesma.

Assim, por evidente, pode-se dizer que Lídice da Mata avisou que o PSB tem a intenção de lançar a candidatura de Lídice da Mata ao governo do Estado.

Podem-se levantar hipóteses sobre a motivação da senadora para fazer a manifestação que fez. Três seriam, quase certamente, as principais:

a) uma estratégia de valorização política do partido e mesmo de sua liderança política pessoal no processo sucessório, independente do resultado ser, de fato, a candidatura socialista a governador.

b) um jogo combinado com um ou mais de um partido da coalizão para provocar uma certa desestabilização no quadro que estava até então colocado. Essa hipótese parece a menos provável e sequer dá para sugerir, apenas por dedução ou indução, sem informações, o que se poderia estar querendo enfraquecer e o que se buscaria fortalecer.

c) A disposição socialista de lançar uma candidatura própria ao governo seria para valer. Não a consumar-se com certeza, mas para ser feito tudo que possível para concretizar a idéia. Essa terceira hipótese não parecia tão provável quanto a primeira nem tão improvável quanto a segunda. Mas acaba de ganhar um reforço.

Ontem, o colunista Ilimar Franco, de O Globo, publicou a seguinte nota: “A decisão não foi anunciada, mas já foi tomada, o governador Eduardo Campos será candidato à presidência em 2014. O PSB diz que não é uma decisão pessoal, mas do partido. Explica que não deve nada a ninguém e que está na hora de se emancipar, pois apoiou o ex-presidente Lula por 24 anos.

O PSB não crê na vice e considera o casamento entre PT e PMDB indissolúvel”.

Como todo mundo sabe, o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, é o presidente nacional do PSB e tem o controle do partido da senadora Lídice da Mata. E, apesar de declarações esquivas que vem fazendo e das conversas com a presidente Dilma Rousseff (a última, em Inema, na Bahia, no começo do ano, durante uns dias de férias da presidente, que contou com a assistência do governador Jaques Wagner para a conversa), Eduardo Campos não consegue – certamente porque não quer – sair da lista de presidenciáveis.

Eduardo Campos está no seu segundo mandato de governador, não pode mais ser reeleito. Aceitaria muito provavelmente o lugar de vice na chapa de Dilma Rousseff (ele nunca fala numa eventual candidatura de Lula, ao invés de Dilma, pois é uma hipótese que não lhe interessa, já que, uma vez eleito, Lula poderia, em 2018, tentar a reeleição). Mas o PSB e o próprio Campos estão entendendo que não dá para tirar a vice do PMDB. Este ainda é um partido grande demais para levar um desrespeitoso e formal chute no traseiro.

Então, o PSB teria decidido que Eduardo Campos será candidato em 2014. Com o assentimento dele, do contrário não haveria tal decisão. Claro, falta ainda um ano e meio para a formalização das candidaturas e, por mais exata que possa ser a nota de Ilimar Franco, coisas podem mudar. O PSB e Campos têm de viabilizar eleitoralmente a candidatura deste.

É aí que voltamos àquela terceira hipótese sobre a candidatura socialista ao governo da Bahia – a de que a disposição seria para valer. Lídice da Mata seria candidata ao governo principalmente ou inclusive para dar consistência política e de campanha à candidatura de Eduardo Campos. E a candidatura deste poderia até ajudar a dela. Haveria uma sinergia benéfica para as duas.

Se Lídice vencer, maravilha. Se perder, prossegue em seu mandato de senadora por mais quatro anos – até 2018. Suave derrota.

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