Ubiratan Castro

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Livro de Elieser Cesar
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ARTIGO/PONDERAÇÕES

Gentleman nagô

Elieser Cesar

As poucas conversas que tive com o professor Ubitaran Castro de Araújo, diretor-geral da Fundação Pedro Calmon (FPC), precocemente falecido em 3 de janeiro, aos 64 anos, se pautaram pelo distanciamento, respeitoso e sem afetação de intimidade, que o jornalista deve ter com a fonte; seja com um mendigo ou alguma celebridade, passageira como um pagode de verão, ou quase eterna como uma sinfonia pastoral.

O Professor Bira, ou Bira Gordo, para os mais íntimos, morreu precocemente, pois a morte de quem tem ideias a inspirar e arte a legar vem sempre antes do tempo. Para o homem que soube edificar,seu tempo (por mais esticado que seja) é pouco para ele; muito pouco para os amigos e quase nada para a sua obra, sempre inconclusa.

Por decisão do Professor Ubiratan Castro, com quem nunca conversei a não ser como jornalista minha quase- novela A guerreira da Lapinha, originalmente publicada em As baianas (Casarão do Verbo, 2012) ganhou edição solo. Identificado com a história que se passa nos festejos do 2 de Julho, irmanado na pele, no sangue e na consciência com o trágico destino de uma xará negra de Maria Quitéria, o gentleman nagô que nos deixou, decidiu publicar a história na edição inaugural da coleção Estante de bolso, promovida pela Fundação.

Para isso contou com a colaboração de outro homem que ama os livros (não só pelo seu conteúdo, mas também pelo cuidado gráfico), o escritor Maytant Gallo, que respira, transpira e escreve boa ficção.

Mas esse não é um artigo de gratidão para alguém que merece a longa lembrança da memória, que tanto cultivou, na vida e no trabalho. É um texto de ponderação. Nem bem o professor acabou de descansar, já se fala em sucessão em duas frentes, na Fundação Pedro Calmon e na Academia de Letras da Bahia.

Cotada (ou só balão de ensaio?) para suceder Ubiratan na Fundação aparece a ex-vereadora Olívia Santana ( PCdoB), com o argumento simplório de que se sacrificou (como sacrifício, se esperava ganhar a eleição?) deixando de disputar a reeleição para ser vice na chapa do partido hegemônico no Estado. Merece consolo por isso? Perder não faz parte do jogo?

Quanto à presença da respeitável ialorixá Stella de Oxossi na Academia de Letras da Bahia, em nome da qual se ensaiou um coro extemporâneo durante um ritual que exigia silêncio e contenção, certamente será bem-vinda. Representará um marco na instituição. Com paciência ancestral, os orixás sabem esperar. Não é hora de precipitações, mas de honrar um morto que ainda não esfriou e jamais esfriará na memória de seus verdadeiros admiradores.

* Elieser Cesar é jornalista e escritor. O texto foi publicado originalmente no Correio da Bahia. Bahia em Pauta acoa e aplaude.

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Comentários

Graça Azevedo on 15 Janeiro, 2013 at 21:25 #

Bira merece respeito.


Hugo Cerqueira on 15 Janeiro, 2013 at 21:51 #

gostaria de saber desses elementos e escreverei os nomes deles em minusculas, elieser, antonio lins, joao ubaldo ribeiro e os blogueirosinhos que reproduziram, essas opnioesinhas, com em que estao postando, pois nem Olivia e muito menos o PCdoB reivindicou em nenhum momento esse cargo ao governador, e Olivia é competente o suficiente e teria outros argumentos e não o do- sacrificio- estou que voces ou querem serem indicados ou indicar da curriola de voces


Renato Dórea on 15 Janeiro, 2013 at 23:19 #

Agradeceria se o autor do artigo revelasse de que fonte se serviu para, diga-se de passagem, em tom irônico, beirando ao sensacionalismo, “ponderar” acerca da “cotação” do nome da ex-vereadora Olívia Santana como postulante à substituição do professor Ubiratã Castro na gestão da Fundação Pedro Calmon. Com certeza o autor não consultou – como deveria, em nome do jornalismo pautado pelo”distanciamento respeitoso e sem afetação de intimidade”?- ” Olívia Santana nem o PC do B. Se tomasse esse cuidado, o artigo não teria razão de ser, parece-me, a não ser que o foco do texto estivesse a serviço da espetacularização da informação – fenômeno muito em voga na atualidade. Mas confiando na seriedade do autor do artigo, sugiro, em nome da verdade, que se revele essa fonte, pois em nenhum momento a ex-vereadora e o seu partido manifestaram intenção de ocupar cargo algum. Aliás, a própria Olívia Santana veio a público desnudar os reais e escusos interesses de alguns , que tentaram desqualificá-la, partindo do pressuposto – o mesmo do autor do artigo- de que ela estava fazendo gestões visando assumir a direção da Fundação Pedro Calmon. Finalizo fazendo minhas algumas palavras da militante política Olívia Santana, na expectativa de ter acesso a tal fonte – talvez, quem sabe, deixe de considerar esse artigo um “simplório” e inapropriado texto?
Palavras da ex-vereadora: “Vamos respeitar a memória do meu querido e saudoso amigo, professor Ubiratan Castro de Araujo, e , em respeito ao seu brilhante papel desempenhado como intelectual desprovido de vaidades, preconceitos e interesses mesquinhos, deixar a cargo de quem é de direito tratar de questões da gestão pública estadual , que é o governador do Estado”


Diniz Rocha on 18 Janeiro, 2013 at 23:55 #

Respeitem Olívia Santana. Afinal, ela conhece Chequespiu; Doutor Ouésvki, Maxado de Açís, Cao Maxi e o regimento da Câmara.


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