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Nas asas da nostalgia

Maria Aparecida Torneros

Manhã de terça feira, 8 de janeiro de 2013, aeroporto de Floripa, eu e minha amiga Hermelinda Rita, de férias da rádio Globo, voltando para o Rio, nos encaminhamos, a pé para a aeronave, e qual a surpresa, a bandeira velha conhecida e saudosa da Varig nos aguarda na pista, em vôo de 50 minutos, maravilhoso, sob a batuta do comandante Costa Campos.

A estrelinha do Cruzeiro do Sul, logo, com sua influência em nossa história brasileira da aviação, me fez rememorar áureos tempos. E aí, pra completar o enlevo matutino de me embrenhar no túnel do tempo, pego a revista de bordo e na capa, o grisalho Caetano, com a chamada: aos 70 anos, ele confessa que não tem nada resolvido!

Estamos no século XXI, observo em volta pessoas obstinadas, antenadas nos seus aparelhos de conexão, imersas em mundos tão particulares, que nem olham à volta que o mundo roda, há vida além das redes sociais, tem gente que nos pede olhar e pequenos diálogos como antigamente. Começo a lembrar e conto pra minha companheira de viagem que é bem mais nova, como eram os tais vôos daqueles tempos, quando as pessoas se engalanavam para cruzar os céus, com certo orgulho nacional por entrarem na era do jato.

Hoje, digamos, tudo está correndo mesmo é além do jato, é um Deus nos acuda que o mundo urge viver como se todos apostassem maratonas de produção e soluções para suas vidas profissionais e pessoais, sem limites ou talvez com pedacinhos intercalados de suspiros profundos que remetem às frases feitas como tentativas filosóficas de amainar angústias e frutrações.

Mas, seguindo no azul, aterrissamos em sampa, que nos deu como presente um sol irremediavelmente belo, e , pegamos outro vôo, da Gol, para o Rio, que, varando a manhã calorenta, fez o percurso em apenas 35 minutos e nos trouxe ao Santos Dumont, naquele pouso contrário em que o avião dá a volta sobre Botafogo e vem do Aterro para a pista, num show de céu blue, mar verde, cidade brilhando, calor extremo, peito batendo forte, a cidade nos recebendo com a energia que lhe é peculiar.

Aí, pensei, no Caetano, na sua ( nossa Bahia) Salvador, no mesmo mar lindo, nos vôos que alçamos em sonhos, no quanto tudo pode estar plenamente resolvido se apostarmos em belas manhãs de sol, em verões quentíssimos e nas asas da nostalgia!

Cida Torneros , escritora e jornalista, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Cida.

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Comentários

Mariana on 9 Janeiro, 2013 at 14:22 #

Que belo e delicioso texto, Cida!
Adoro os “aparelhinhos” do mundo moderno, que nos conectam com as novidades e com quem está longe…Receber uma mensagem do amado ou de uma amiga querida no meio da tarde, quando o mundo está caindo nas nossas costas, é uma delicia…Mas, não suporto esta mania avassaladoura de só se comunicar com aparelhos…Um beijo, um abraço, uma palavra dita ao vivo não tem nada que se compare!
Feliz 2013!


Cida Torneros on 9 Janeiro, 2013 at 14:50 #

Pra vc tb, Mariana, um 2013 de Paz, Amor, Saúde, Harmonia e sobretudo, Esperança! beijo


Jaison on 9 Janeiro, 2013 at 21:10 #

Vima qui ler sua reportagem assim que pude, lhe atendi hoje a tarde (o futuro piloto) muito boa sua reportagem! Parabéns.


José Lanner on 10 Janeiro, 2013 at 11:46 #

Esta que está aí NÃO é a velha e boa VARIG!


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