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OPINIÃO POLÍTICA

Um debate petista

Ivan de Carvalho

O PT do Rio Grande do Sul está novamente rebelado.
Para ter uma base de sustentação suficiente no Congresso para o seu primeiro governo, Lula estava buscando um acordo com o PMDB. Já estava praticamente acertado um acordo segundo o qual o “PMDB do Senado” estaria contemplado com dois ministérios e o “PMDB da Câmara”, cujo expoente maior era o atual vice-presidente da República, Michel Temer, teria um ministério, o da Previdência Social. Evidentemente que cargos de segundo e terceiro escalões complementariam o acordo.

Mas não foi possível fechar o acordo. O PT do Rio Grande do Sul estrilou. Achava um absurdo o espaço que se estava dando ao PMDB e, mais importante ainda, queria um bom espaço para o próprio PT gaúcho no governo. O presidente Lula cedeu, desistiu do acordo com o PMDB da Câmara, que ficou na oposição durante seu primeiro mandato e partiu, por intermédio de José Dirceu, seu ministro-chefe da Casa Civil, para cooptar partidos que lhe dessem base parlamentar, especialmente na Câmara dos Deputados, e que acabaram se envolvendo no escândalo do Mensalão.
Agora, o PT gaúcho está novamente em pé de guerra. São dois os seus principais líderes. Um, o governador Tarso Genro. Há poucos dias, saiu de seus cuidados para declarar que o PT já fez tudo que podia pelos petistas condenados no caso do Mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (falta a sentença transitar em julgado). O partido, sustenta o governador Tarso Genro, já deu toda a solidariedade que podia dar. E agora chega, está na hora de botar a viola no saco e ir cuidar da vida.

O outro dos dois principais líderes é o ex-governador Olívio Dutra, também ex-ministro das Cidades no governo Lula. Em um programa ao vivo na Rádio Guaíba, de Porto Alegre, na segunda-feira, Olívio Dutra criticou José Genoino, ex-presidente nacional do PT, por haver assumido, como suplente, o mandato de deputado federal por São Paulo depois de condenado a seis anos e 11 meses de prisão pelo STF no processo do Mensalão.

Genoino se disse “tranquilo” e defendeu sua posse. Lembrou que, logo condenado, deixou o cargo público de assessor especial do Ministério da Defesa, mas argumentou que no caso de assumir o mandato, é diferente – “Os eleitores me delegaram o mandato de suplente (sic). O princípio da democracia diz que o poder emana do povo”, afirmou.

De qualquer sorte, parece que o PT gaúcho está desgarrado da posição do comando nacional do PT. Bem como da quase totalidade das outras seções estaduais petistas no que diz respeito à atitude do partido em relação aos resultados do julgamento do Mensalão (Ação Penal 470) e ao comportamento de alguns réus petistas condenados, notadamente José Dirceu e José Genoino. Se ao invés do governador e ex-ministro da Justiça Tarso Genro e do ex-governador e ex-ministro das Cidades Olívio Dutra fossem oposicionistas ou simplesmente não petistas que dissessem o que eles disseram (principalmente Olívio Dutra), as redes sociais da Internet estariam, com certeza, em ebulição com a ira dos internautas petistas.

Olívio Dutra criticou ainda o que chamou de “más companhias” do PT e o aparelhamento do Ministério das Cidades. E disse também: “Nem Genoino nem Dirceu tiraram dinheiro pra si, mas possibilitaram que outras figuras usassem o dinheiro público para negociatas e outras práticas que mancham a atividade política. O PT está tendo que se explicar sobre práticas que os inimigos costumavam se explicar”.

Genoíno defendeu-se: “Não fiz prática criminosa enquanto fui presidente do PT. Os dois empréstimos que avalizei estavam registrados no TRE e foram respondidos judicialmente pelo partido (!!!). Em relação ao julgamento do STF eu respeito, mas não tem nada definitivo. Quando elas forem, eu as cumprirei, mesmo que eu discorde. Isto faz parte da democracia”.

Boa temática para os internautas

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