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OPINIÃO POLÍTICA

Governo vê afinal o perigo

Ivan de carvalho

José Carlos Aleluia é engenheiro. Foi até poucos dias atrás presidente estadual do Democratas, partido do qual continua sendo vice-presidente nacional responsável pelo setor de meio ambiente, que inclui toda a questão energética. E é ex-presidente da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco. Portanto, sem dúvida, uma pessoa qualificada para debater os graves problemas que rondam atualmente o setor de energia elétrica no país.
No sábado, Aleluia afirmou estar “impressionado com a preocupação de dirigentes e técnicos do setor elétrico brasileiro, inclusive de integrantes do Ministério das Minas e Energia, que se dizem intrigados com o desprezo da presidente Dilma Rousseff à forte possibilidade de um racionamento de energia neste ano”. A presidente dissera, entre o Natal e o Ano Novo, que é “ridículo” falar em racionamento de energia.

Na ocasião, Dilma Rousseff falou de apagões, sugerindo que as pessoas “gargalhem” quando puserem a culpa de algum em um raio e ensinando que se há um apagão “é falha humana”, o que, mesmo a este repórter, que não simpatiza com a teoria dos raios, pareceu uma afirmação radical. Mas o essencial mesmo foi a rejeição liminar, pela presidente, da hipótese de racionamento de energia elétrica. Apesar disso, as informações que vêm sendo divulgadas sobre os níveis críticos dos reservatórios das usinas hidrelétricas, principalmente no Nordeste e Sudeste, não autorizam o otimismo presidencial. Antes, o contrariam, pois o regime de chuvas tem ficado distante do necessário para recuperar a níveis minimamente seguros esses reservatórios. As usinas térmicas estão todas trabalhando ao máximo em um evidente esforço para poupar água, ainda que criando problemas financeiros, porque o custo de produção das usinas térmicas é muito mais alto.

Depois de comparar a situação atual com aquelas que levaram, nos anos de 1986 e 1987, a um racionamento de energia no Nordeste e em 2000 a 2001, em todo o país, Aleluia acrescentou que Dilma Rousseff, com seu comportamento ante a situação atual, “está dando razão àqueles que duvidavam de sua capacidade como gestora, fama, de resto, apregoada por seus aliados, sobretudo Luiz Inácio Lula da Silva, quando presidente”.
Aleluia ressaltou ainda que a presidente Dilma Rousseff foi ministra das Minas e Energia, depois passou à Casa Civil, mas continuou “dando as cartas no setor elétrico”, onde “nomeou quem quis” e agora, com ela presidente, “o Brasil vive uma sequência de apagões sem paralelo na história e está na iminência de um racionamento”.

Bem, não dá para saber se as declarações e a advertência de Aleluia – coincidindo com a presença da presidente na Bahia, em férias de alguns dias na praia de Inema – tiveram ou não alguma influência. Mas ontem a colunista Eliane Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, revela que dez dias após a entrevista já referida a presidente convocou “reunião de emergência sobre os baixos níveis dos reservatórios” para quarta-feira, em Brasília. A convocação foi acertada entre ela, durante seu descanso na Bahia, e o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, que presidirá a reunião e levará à presidente o balanço que for feito da situação e propostas a respeito.

Na avaliação do governo, os níveis dos reservatórios estão 62 por cento abaixo dos registrados no ano passado. É o que assinala a jornalista, observando que o forte calor, principalmente no Sudeste, tem piorado a situação. O consumo de energia com ar condicionado, ventiladores e refrigeradores aumentou muito. Um detalhe destacado por Cantanhêde (e que já havia sido assinalado há alguns dias neste espaço) – a situação não fugiu ao controle (ainda) por causa do pífio crescimento do PIB, de aproximadamente um por cento. Se houvesse atingido os 4,5 por cento que o ministro Guido Mantega, da Fazenda, previra, o consumo de energia estaria bem maior e as coisas estariam muito mais complicadas no setor.

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