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Postado em 07-01-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 07-01-2013 00:19

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OPINIÃO POLÍTICA

PT bem posicionado

Ivan de Carvalho

Apesar do tão maldito resultado do julgamento do Mensalão e do novo escândalo representado pelo Rosegate – o escândalo do qual a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, levantou a ponta do véu –, o PT está bem posicionado para as eleições previstas para 2014, especialmente as presidenciais.

A popularidade da presidente Dilma Rousseff é muito alta e ainda existe, na reserva para alguma emergência, a hipótese da candidatura do ex-presidente Lula, apesar dos “incômodos” representados pelo que Marcos Valério haja dito ou venha a dizer ao Ministério Público Federal e pelo Rosegate.
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Mas há motivos para o PT preocupar-se com sua permanência no Poder Executivo federal além de 2014. Está bem claro que uma grande parte da popularidade do ex-presidente Lula no seu segundo mandato e sua capacidade de eleger Dilma Rousseff para sucedê-lo deveu-se ao desempenho da economia e ao reforço do Bolsa Família.

É certo que o Bolsa Família continua aí e até se expande e um outro programa paralelo, de “inclusão”, está chegando. Para não deixar passar a oportunidade, vale aqui lembrar o cálculo político feito por José Dirceu, quando no auge de seu poder, para um interlocutor que manifestara alguma dúvida sobre o acerto do Bolsa Família: dez milhões de famílias atendidas, 40 milhões de votos. (Como não penso nesses termos, estou certo de que o Bolsa Família deve continuar, ainda que precisando de aperfeiçoamentos, enquanto seja necessário para atender à finalidade a que, oficialmente, se destina).

Voltando à economia. A curva de popularidade de Lula teve muito a ver com o bom desenvolvimento da economia, apesar do imenso incidente do Mensalão, em meados do seu primeiro mandato. Em 2011, primeiro ano do governo Dilma Rousseff, o crescimento do Produto Interno Bruto alcançou apenas 2,7 por cento. E no segundo ano, 2012, pode chegar no máximo a um por cento – pesquisa do Banco Central junto a analistas e investidores do mercado financeiro resultaram na estimativa de 0,98 por cento.

Para este ano, o terceiro do governo Dilma Rousseff, a previsão técnica de crescimento do PIB, no momento, é de 3,3 por cento, embora o ministro da Fazenda, o panglossiano Guido Mantega, viesse manifestando convicção em que não seria menor que quatro por cento. O superávit primário programado não foi alcançado e para tapar o buraco fez-se um malabarismo financeiro pouco recomendável. A inflação ficou, em 2012, bem acima do ponto médio da meta. A crise financeira e econômica mundial, que persiste, prejudicou a balança comercial e, muito seriamente, o ingresso de divisas estrangeiras, consequentemente, o balanço de pagamentos. O consumidor endividou-se com o crédito fácil que lhe vinha sendo oferecido e está se recolhendo. Resumindo, a perspectiva não é animadora.

Outros motivos de preocupação do PT. Um deles, a hipótese de uma candidatura do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, à sucessão de Dilma Rousseff. Seria a perda de um importante aliado e um problema crítico no Nordeste, exatamente onde o PT tem desfrutado da maior vantagem de votos em eleições presidenciais. Existe também a muito provável candidatura de Aécio Neves, do PSDB. E o fato de que o apoio do PMDB vai custar mais caro, pois esse partido estará no comando das duas casas do Congresso Nacional, Câmara e Senado, a partir de fevereiro e até 31 de dezembro de 2014.

Quanto ao PT em geral (não mais em relação às eleições para presidente), o partido vai ter muito trabalho para descolar-se da imagem negativa de haver patrocinado o Mensalão. O PT já percebeu isso e não para de espernear para mostrar inconformismo e passar a imagem de que foi injustiçado.

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