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Postado em 01-01-2013
Arquivado em (Artigos) por vitor em 01-01-2013 16:28


Charge de Mariano, no A Charge On Line
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OPINIÃO POLÍTICA

O ano, o mundo, o PT

Ivan de Carvalho

Terminou ontem o ano em que o mundo não acabou.

Contrariando o espírito de euforia um pouco forçada que marca cada virada no calendário gregoriano, vale lembrar que só os mais afoitos e os que ouviram o galo cantar a respeito do calendário maia, mas não sabiam onde, supunham que “o mundo iria acabar” exatamente no dia 21 de dezembro ou, na melhor das hipóteses, no dia 22, o não-dia. Um estouro, um sumiço, algo assim, e fim. Como não aconteceu, supõem quase todos que podem relaxar. Foi apenas mais um alarme falso, mais um boato.

Estou certo de que essas coisas não se resolverão assim. Não tratam as principais fontes de profecias, especialmente a Bíblia – no Antigo e no Novo Testamento, em Isaías, Ezequiel, Daniel, Evangelhos de Mateus e Lucas e Apocalipse – de um estouro, um sumiço ou do fim precoce do mundo, mas de um “fim dos tempos” que é situado claramente como próximo. Tempos, não mundo. O que acaba é um período e a civilização atual e, após uma grande depuração, civilização melhor será construída. O processo de destruição não tem nas profecias uma duração fixa, mas seria de alguns anos. E se não fosse “abreviado”, diz Jesus, “nenhuma carne sobreviveria”. Mas será, Ele promete.

Tomando emprestado do sombrio “1984”, do genial George Orwell, o “duplipensar”, vamos represar em um escaninho da mente essa questão do “fim dos tempos” e, como se ela não existisse, embora sabendo que existe, tratar ligeiramente do ano que começa esta terça-feira, 1 dw janeiro de 2013. Concentremo-nos no PT. Uma questão importante é o desempenho que a economia brasileira terá, depois do crescimento estimado de apenas um por cento do PIB em 2012. Um crescimento novamente tão pífio pode complicar a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Se, no entanto, chegar a quatro por cento ou algo muito próximo, ela fica bem na foto.

O PT, no entanto, continuará quase certamente em inferno astral. Daqui a três, quatro meses, deverá encerrar-se em definitivo o processo do Mensalão no Supremo Tribunal Federal e figuras maiores do PT (José Dirceu, José Genoíno, João Paulo Cunha, sem falar em Delúbio Soares, que foi demitido dessa categoria pelo PT) estarão, junto com outras de partidos aliados, rumando para a prisão e, quem tem, perdendo mandatos parlamentares.

O PT engajou-se em declarações de protesto ou inconformismo e de solidariedade aos seus condenados. O principal deles, José Dirceu, chegou a sugerir uma manifestação pública de 200 mil pessoas para fevereiro. A proposta não é sensata nem factível.
Aliás, no PT já existe gente preocupada com essa solidariedade aos réus petistas. O governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, afirma que o PT precisa esgotar a “agenda de solidariedade” aos condenados no processo do Mensalão e completa: “Já falamos o suficiente sobre isso”.

Não se pode dizer que Tarso Genro é um alinhado automático ao comando nacional petista, mas ele está claramente querendo abreviar a penosa mistura pública entre o PT e pessoas condenadas criminalmente.

Fechando o quadro petista. Com o fim do Mensalão, deverá ser iniciado o Mensalula, nome dado pelo jornalista e escritor baiano Sebastião Nery (em conversa com Mário Kertész para a Rádio Metrópole) às possíveis complicações judiciais do ex-presidente Lula, hoje sem foro privilegiado, portanto sujeito a responder processos criminais na primeira instância. Existem, de um lado, os novos dados fornecidos e possivelmente ainda a fornecer à Procuradoria Geral da República por Marcos Valério, um dos dois principais operadores financeiros do Mensalão.

Isso deverá gerar um processo em primeira instância. E há o Rosegate – o explosivo caso de Rosemary Noronha, chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, apurado pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal. Tem que virar um processo criminal e não tem como evitar que cause dores políticas ao ex-presidente da República.

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