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OPINIÃO POLÍTICA

Sucessão antecipada

Ivan de Carvalho

O ano de 2012 ainda não acabou, mas foi notória em dezembro uma intensificação da disposição do meio político para cuidar das eleições presidenciais que serão realizadas – salvo gravíssimos acidentes de percurso não exclusivos do Brasil – no último trimestre de 2014.

Sobre tais acidentes, não vamos, neste momento, fazer desvio para ficar discorrendo sobre hipóteses de colapso financeiro (e econômico) global, tempestades solares, guerras, frios, calores, grandes terremotos, maremotos, vulcões, pedregulhos do espaço e outros contratempos. Ressalvamos apenas que coisas assim continuam em pauta.

Voltemos, portanto, à sucessão presidencial, temática bem mais branda, ainda que reconhecidamente braba. Nos primeiros dias de dezembro, o ex-presidente FHC, autonomeado Oráculo de Delfos dos tucanos, disse que, na sua opinião, o senador e ex-governador mineiro Aécio Neves deve se lançar logo candidato a presidente da República.

FHC ensinou ao neto de Tancredo Neves que essa coisa de não se lançar candidato, não se declarar, na expectativa de que assim evitaria o desgaste (porque se tornaria alvo dos adversários) é um raciocínio incorreto. Ficou implícito que FHC acha incorreto porque, de qualquer maneira, os adversários já sabem que Aécio quer se viabilizar como candidato e estarão cuidando de desgastá-lo desde logo, numa estratégia preventiva. Então deveria Aécio fazer os contatos iniciais indispensáveis e imediatamente botar o bloco na rua.

Reforçando um pouco a idéia de FHC, há a circunstância, aproveitável por Aécio, de que o PT – o adversário principal – vive maus momentos, por causa do julgamento do Mensalão, com numerosas e severas condenações e com desdobramentos ainda a ocorrerem que podem aumentar muito o desgaste. O PT sabe disso e ensaia “caravanas” e manifestações de “protesto” ou de “solidariedade”, restando explicitar claramente contra o que se protestará e a que se dará solidariedade.

O ex-presidente Lula, que se declara apressado para sair em “caravanas”, como o fez no passado – quando a tática deu certo, mas as inspirações eram totalmente diversas das atuais – está em profundo inferno astral. Causas disso são o julgamento do Mensalão – ainda que não figure ele no processo, que, no entanto, envolve figuras do mais alto escalão do governo dele e de seu partido – e esse Caso Rosemary, que dispensa mais apresentações.

As caravanas de Lula, as manifestações sugeridas por José Dirceu e as convocações do presidente do PT, Rui Falcão, dos “internautas” – entenda-se, militância petista – para a “luta” integram o conjunto de esforços possíveis para sair do inferno. Lula, em pesquisas, continua com alta popularidade, mas já significativamente menor do que quando deixou o governo. Ele seria a alternativa petista para a candidatura à reeleição de Dilma Rousseff.

Ela está muito bem situada em termos de popularidade, mas seu governo não está apresentando resultados objetivos satisfatórios, tudo atrasa, o Produto Interno Bruto teve crescimento quase nulo no terceiro trimestre, já não está sendo possível driblar a crise financeira e econômica global. Quanto tempo permanecerá lá em cima a popularidade da presidente, nessa conjuntura? Acaba de ganhar, no entanto, a reafirmação – muito enfática – do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente do PSB, de que a legenda apoiará a candidatura dela à reeleição. Aécio Neves estava tentando uma aproximação com Eduardo Campos e seu PSB.
Bem, Marina Silva, a ex-senadora e ex-ministra rebelde de Lula, ex-petista rebelde e ex-candidata a presidente pelo PV em 2010 (teve 20 por cento dos votos no primeiro turno) faz consultas intensas e deve decidir até o fim de janeiro se tenta criar um novo partido (ela saiu do PV) para ser novamente candidata a presidente em 2014. É um dado a mais na equação.

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