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DEU NO JORNAL “PÚBLICO”, DE PORTUGAL

O escritor, poeta, ensaísta e jornalista brasileiro Lêdo Ivo morreu este domingo em Sevilha, onde estava de férias, na sequência de um enfarte do miocárdio. Tinha 88 anos.

Segundo informações de familiares, Lêdo Ivo sentiu-se mal quando comia num restaurante, tendo seguido até ao hotel, onde recebeu tratamento médico, mas acabou por falecer antes mesmo de seguir para o hospital.

Segundo os familiares, o escritor, membro da Academia Brasileira de Letras, conhecido essencialmente como poeta, iria passar o Natal em Espanha, na companhia de alguns familiares, entre eles o filho e artista plástico Gonçalo Ivo. O escritor será cremado em Espanha, sendo as suas cinzas transladadas, no início do próximo ano, para o Brasil, onde se prevê que receberá homenagens no Rio de Janeiro e Maceió, onde nasceu.

A presidente da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Machado lamentou a morte do escritor, descrevendo-o como um “poeta e ficcionista versátil, de obra variada, que abarcava vários géneros.” A escritora disse também que no próximo dia 10 de Janeiro terá lugar uma sessão extraordinária na academia, à porta fechada, na qual os restantes membros vão recordar o poeta. “Como poeta, ele foi um representante significativo da chamada Geração de 45, momento em que o modernismo brasileiro procurou voltar a formas poéticas fixas e se afastar da linguagem coloquial. Ele dominava muito bem o artesanato do poema”, disse a presidente, citada pelo jornal brasileiro Folha de São Paulo.

Segundo a agência de noticias espanhola EFE, Ivo defendia um modelo de poesia comprometido com o indivíduo e com a sociedade. O poeta moderno, segundo Ivo, dever-se-ia interessar pelo mundo de hoje e pela experiência pessoal vivida, ao invés de se concentrar em poemas sobre a criação poética. Amante do soneto e dos versos longos, tinha o americano T.S. Eliot como uma grande referência.

Lêdo Ivo nasceu em 1924, em Maceió, tendo-se estreado na literatura em 1944 com o livro de poesia As Imaginações e no ano seguinte com Ode e Elegia. Entre as suas obras mais conhecidas encontramos Ninho de Cobras, A Noite Misteriosa, A Ética da Aventura e Confissões de Um Poeta. As suas obras estão traduzidas em inglês, espanhol, francês e italiano, entre outras línguas.


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A presidente Dilma Rousseff fez neste domingo, 23, um “chamamento” aos empresários para que mantenham a confiança no Brasil, disse que o seu governo respeita contratos e garantiu a redução da tarifa de energia elétrica no início de 2013. No pronunciamento de fim de ano, transmitido em rede nacional de rádio e TV, Dilma também se definiu como “uma otimista” e afirmou que o País está no “rumo certo”.

Na mensagem de 11 minutos, a presidente lembrou que fez acordo com “a maioria das concessionárias” para a diminuição da conta de luz, sem citar a queda de braço com o PSDB. “O corte será o que anunciei”, garantiu. Em setembro, Dilma disse que o gasto com energia cairia, em média, 20,2%, mas as concessionárias de Minas Gerais, São Paulo e Paraná – Estados comandados pelo PSDB – recusaram-se a baixar o preço e alegaram que ela fazia “cortesia com chapéu alheio”.

A partir daí, travou-se uma queda de braço entre Dilma e os tucanos, principalmente com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), possível adversário da presidente na disputa eleitoral de 2014. Depois de afirmar, em solenidade, que havia “insensibilidade” de alguns políticos em relação à medida, Dilma anunciou que o Tesouro Nacional cobriria a diferença para que o preço da energia ficasse mais barato.

No pronunciamento que foi ao ar neste domingo, a presidente reiterou o compromisso. “Isso significa que, no início de 2013, a sua conta de luz e a das empresas vão ficar menores”, insistiu.

Balanço otimista. Dilma fez um balanço otimista do ano, apesar do fraco desempenho da economia, exaltou os programas do governo e as medidas tomadas para enfrentar a crise internacional. “Quero encerrar fazendo um chamamento a todos os brasileiros para que mantenham sua confiança no Brasil. Aos empresários, para que acreditem e invistam em nosso País.”

Após a polêmica travada com tucanos por causa da redução do preço da energia e com Estados não produtores de petróleo em razão da nova partilha dos royalties, Dilma deixou claro que não mudar á as regras do jogo. “Este é um governo que confia no seu povo, no seu empresariado, que respeita contratos e está empenhado na construção de novas parcerias entre os setores público e privado”, disse a presidente. “Estamos no rumo certo.”

Em tom ufanista, Dilma destacou os programas de concessões de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, citou a redução dos impostos, dos juros, a desoneração da folha de pagamentos, a melhoria do emprego e procurou afastar as dificuldades do cenário de 2013.

“Sou, como todos os brasileiros, uma otimista. Tenho consciência dos desafios que a crise internacional tem lançado ao nosso país. Sei também que momentos de crise podem ser transformados em grandes oportunidades”, afirmou ela, dizendo ter certeza que 2013 será um ano “muito melhor”.

Na área social, os principais desafios do governo ainda são a superação da pobreza extrema e a melhoria da educação. “Para o nosso governo, 2013 será o ano de ampliar ainda mais o diálogo com todos os setores da sociedade, acelerar obras, melhorar a qualidade dos serviços públicos e continuar defendendo o emprego e o salário dos brasileiros”, argumentou Dilma.

Para a presidente, a Copa de 2014 será a melhor de todos os tempos. “Tenho certeza que, à imagem de um povo alegre e hospitaleiro se somará o reconhecimento de um povo capaz de realizar com sucesso e profissionalismo grandes eventos.” Dilma contou ter ficado “impressionada” com a “modernidade” dos estádios do Castelão, em Fortaleza, e do Mineirão, em Belo Horizonte.

(Deu no portal do Estadão)

dez
23
Posted on 23-12-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-12-2012

http://youtu.be/iozCNviQFmg

BOA TARDE!!!

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POESIA UNIVERSAL

PLANTA DE MACEIÓ

Lêdo Ivo

O vento do mar rói as casas e os homens.
Do nascimento à morte, os que moram aqui
andam sempre cobertos por leve mortalha
de mormaço e salsugem. Os dentes do mar
mordem, dia e noite, os que não procuram
esconder-se no ventre dos navios
e se deixam sugar por um sol de areia.
Penetrada nas pedras, a maresia
cresta o pêlo dos ratos perdulários
que, nos esgotos, ouvem o vômito escuro
do oceano esvaído em bolsões de mangue
e sonham os celeiros dos porões dos cargueiros.
Foi aqui que nasci, onde a luz do farol
cega a noite dos homens e desbota as corujas.
A ventania lambe as dragas podres,
entra pelas persianas das casas sufocadas
e escalavra as dunas mortuárias
onde os beiços dos mortos bebem o mar.
Mesmo os que se amam nesta terra de ódios
são sempre separados pela brisa
que semeia a insônia nas lacraias
e adultera a fretagem dos navios.
Este é o meu lugar, entranhado em meu sangue
como a lama no fundo da noite lacustre.
E por mais que me afaste, estarei sempre aqui
e serei este vento e a luz do farol,
e minha morte vive na cioba encurralada.


Ledo Ivo: Adeus em Sevilha

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DEU NO PORTAL DE A TARDE

O poeta e escritor alagoano Lêdo Ivo morreu na madrugada deste domingo, 23, aos 88 anos, de infarto. Ele era membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 1987, quando assumiu a cadeira número 10, sucedendo Orígenes Lessa, e um premiado autor de romances, crônicas e poesias.

Segundo a Academia Brasileira de Letras, Lêdo Ivo estava em Sevilha, em companhia do filho, o artista plástico Gonçalo Ivo, quando passou mal e morreu.

Lêdo Ivo nasceu em Maceió, em 18 de fevereiro de 1924, e começou sua carreira literária em 1944, publicando um livro de poesia chamado As Imaginações. Em seu segundo livro, Ode e Elegia, recebeu o Prêmio Olavo Bilac, da ABL.

dez
23

http://youtu.be/An6XCyErKxY

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Maravilhosas e sempre queridas Irmãs Galvão!!!

Ainda na manhã deste domingo pré-natalino (23/12) , com gloriosos 66 anos de estrada na música de raiz, encantaram e emocionaram o Brasil, cantando lindamente no programa de Inezita Barroso, na TVE.

Aplaudidas de pé pelo público e pelos músicos. Merecidamente!

SALVE ELAS E BOM DOMINGO PARA TODOS !

(Vitor Hugo Soares)


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‘Let’s go’

Caetano Veloso

Por algum motivo, estranhei os autdoors de Salvador. Vindo do aeroporto, já me habituei a ver dezenas desses cartazes gigantes (que no Brasil ficaram com o nome de “outdoor”, embora os de língua inglesa não os chamem assim). São fotografias de cantores alardeando shows e bailes, são anúncios imobiliários, é propaganda política, são reclames de eletrodomésticos ou de carros. Como em toda parte. Desta vez, senti inveja da São Paulo do “Cidade Limpa”: como ficaria Salvador sem esses gritos visuais? Mas havia algo nas próprias imagens exibidas que me causava entranheza. Uma combinação do uso de photoshop com o material em que as figuras são impressas, a disposição gráfica e o tipo das letras, a textura brilhante do papel (seria plástico?), sua aparente finura, tudo me deu a impressão de provincianismo melancólico. Estaria eu de fato adentrando a cidade de Nizan Guanaes e Duda Mendonça? Teriam sido os autdoors baianos sempre assim esquisitos e eu é que tinha uma receptividade especial que desta feita não se faz presente? Pode ser. Mas duvido.

O lugar está extraordinariamente bonito na luz. As cores estão tão puras que dá vontade de fazer um filme todo baseado na interferência da cor sobre as relações humanas. Os outdoors estão sobrando. Mas há algo neles além disso. Eu preferiria me livrar deles, mas sinto que, já que existem, poderiam ser bem melhores. No Rio e em Nova York são melhores (falando em Nova York, volto a conversar com Sergio Flaksman sobre a grafia do nome da cidade norte-americana: já aceitei “Nova York”, dadas a consagração da forma e a volta do “k” e do “y” à escrita do português, mas já perguntei como ficaria “novaiorquino” — e agora fico sabendo da existência de um município no Maranhão chamado Nova Iorque, com o nome da velha cidade inglesa grafado assim, como eu e o “Jornal do Brasil” fazíamos até pelo menos o início dos anos 00. Mas Sergio certamente nem lê esses artigos meus aqui).

No quarto do hotel onde estou hospedado vejo uma revista que se chama “Let’s Go, Bahia”. Há dois números expostos sobre a mesa. Na capa de um, vê-se Jorge Amado vestido com o fardão da Academia Brasileira de Letras, olhando-se no espelho. No outro, Luiz Caldas com uma camisa vermelha. Não tive tempo de abrir as revistas para ler. Mas já vi que tem uma entrevista com Sérgio Gabrielli numa delas.

A Bahia é um lugar gozado. Aqui a gente sente tudo que se relaciona com os conceitos de “colonial” e “pós-colonial”. Mas as sementes lançadas por Edgard Santos nos anos 50 e 60 ninguém conseguiu matar. Vejo frutos de seus arbustos em Wagner Moura e João Miguel; no Olodum e em Ivete Sangalo; mais que tudo, na(s) orquestra(s) Neojibá. Pareceu-me que nada há disso nos outdoors. Estes parece que sucumbiram às forças que tentam empenhadamente desfazer o plantio do Reitor.

O cantor e compositor Paquito (que me impressionou nos anos 80 por liderar uma banda de rock chamada Flores do Mal e conhecer minuciosamente a tradição do samba brasileiro) não gosta de carnaval. Escreveu um artigo apavorado com a promessa (ameaça?) feita pelo prefeito eleito, ACM Neto (Mini Me?), de fazer dois carnavais no ano da Copa. Paquito reclama — com razão — do barulho: ele mora no Campo Grande, então um carnaval por ano já é, para ele, catástrofe suficiente. Ele brande a realista estatística: 70% do povo de Salvador não gostam de carnaval. Ou pelo menos não se interessam por ele. Mas 30% de uma população de 3.000.000 (?) gostarem de ir pular na rua ao som de música amplificada eletronicamente é muita coisa. É força grande. O novo prefeito — e os futuros prefeitos — tem de encontrar os meios e modos de resolver a equação.

Antes dos caminhões eletrificados, o carnaval já era um estorvo para quem não gostava. Batuques pela noite afora impediam moradores do rés do chão de dormirem fundo. Fanfarras e gritos perto da janela enervavam pais de família pouco momescos e senhoras carolas. A chegada dos trios elétricos aumentou os decibéis. E o desenvolvimento de banda de rock inglês que os caminhões de trio atingiram leva o incômodo até os andares mais altos das torres residenciais do Corredor da Vitória. Sabemos que o carnaval baiano é uma glória de energia e propicia empregos sazonais em escala importante. Mas temos de organizar o movimento de modo a deixar menos infelizes os cidadãos não engajados.

No show de Baby na Concha Acústica, havia cambistas vendendo “cortesias” a quem estava na fila para comprar ingresso. Será uma outra marca de atraso? Não sei. A Bahia me encantou mais nesses dias do que em outros recentes. Mas estou triste e preciso ver o que está errado e deve ser consertado.


dez
23
Posted on 23-12-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-12-2012


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Humberto, hoje, no Jornal do Comércio (Recife-PE)

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