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OPINIÃO POLÍTICA

Candidatos naturais

Ivan de Carvalho

Até o fim de outubro de 2010, o governo baiano e o PT, partido que o comanda, não estavam nas boas ante o eleitorado. Em algumas cidades importantes do interior enfrentou dificuldades – mesmo no seu tradicional bastião de Vitória da Conquista as coisas foram bem menos fáceis que nas duas eleições municipais anteriores.

Claro que o PT faz a conta de que a coalizão que lidera foi vencedora na grande maioria dos municípios baianos. É uma boa maneira de ver as coisas do ponto de vista petista. Mas não deve ser negligenciada a hipótese de que, quando se aproximarem as eleições gerais de 2014, a oposição haja conseguido criar uma perspectiva de poder bastante convincente.

Neste caso, a tendência natural – considerando o que é natural na política baiana – é a de alguns integrantes da coalizão governista passarem à coalizão oposicionista.

À emblemática vitória de ACM Neto para prefeito de Salvador, vencendo uma batalha desigual – a teimosia do eleitorado foi sua arma fundamental contra a gigantesca traquitana governista – somou-se a esmagadora vitória do Democratas, com o apoio expressivo do PMDB, no segundo maior colégio eleitoral do Estado, Feira de Santana.

Já foi dito muitas vezes por muitos que essas duas vitórias deram à oposição as condições de tomar fôlego e livrar-se da corda que a estrangulava. Agora respira e, a depender da conjuntura geral no país e na Bahia, como também a depender do que faça a própria oposição baiana, pode ser criada para 2014 uma situação de razoável equilíbrio. E então à simpatia e à eventual teimosia do eleitorado caberá determinar o desfecho.

Note-se que nenhum dos dois lados, governismo e oposição, têm um “candidato natural” a governador. Isto porque, na oposição, o único candidato natural seria ACM Neto, mas para isto ele teria que sair-se bem e mostrar serviço nos primeiros 15 meses de seu mandato – pois poderia governar apenas durante o ano de 2013 e o primeiro trimestre de 2014, deixando então o cargo de prefeito da capital para se colocar em situação legal de disputar o governo do Estado. Um risco imenso para sua carreira, que só correria, talvez, se surgissem condições extremamente atraentes. E ele teria de dar um jeito de convencer o eleitorado de que estaria deixando o governo de Salvador em boas mãos.

Para nos mantermos apenas na estreitíssima faixa dos candidatos naturais, vamos completá-la com o ex-governador e atual vice-governador e presidente estadual do PSD, Otto Alencar (o senador Walter Pinheiro vai se insinuando, mas o canibalismo petista talvez cuide dele). O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, apontou esta semana, em entrevista à revista Veja, a Bahia como um dos sete Estados em que o PSD pretende lançar candidatura própria ao governo do Estado, apesar da indicação de Otto de que não tem interesse em encabeçar a chapa governista baiana e da afirmação de seu projeto de ser candidato a senador.

Mas há um problema com Otto Alencar e com qualquer outro político da coalizão governista que eventualmente aspire concorrer ao governo representando a coalizão há seis anos no governo – o PT. Quem foi que disse que o PT abre mão do cargo principal para outro partido? Nem a pau. Prefere perder. Lembram-se que o PT apoiou o ex-senador e ex-ministro peemedebista Hélio Costa a governador de Minas Gerais (ele perdeu para Aécio Neves)? Apoiou só porque o comando nacional do PMDB impôs isto como uma condição (a principal) para o partido apoiar a reeleição de Lula em 2006.

Não fosse esse xeque-mate peemedebista, não tinha como convencer o PT a não lançar candidato. E foi difícil mesmo assim.

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