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Dilma e Lula decidem reagir à sucessão de denúncias

Sobre as denúncias de Marcos Valério, o ex-presidente Lula disse, em Paris: “É tudo mentira”.

Também em Paris, ao lado de François Hollande, presidente da França, a presidente Dilma Rousseff reagiu:

– Considero lamentáveis essas tentativas de desgastar a imagem do presidente Lula. Acho lamentável…

E completou:

– Todos sabem do meu respeito e da minha amizade pelo presidente Lula. Então, eu repudio todas as tentativas, e essa não seria a primeira vez, de tentar destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem. Respeito porque o presidente Lula foi o presidente que desenvolveu o país e é responsável pela distribuição de renda mais expressiva dos últimos anos, pelo que fez internacionalmente, por sua extrema amizade pela África, por seu olhar para a América Latina e pelo estabelecimento de relações iguais com os países desenvolvidos do mundo…

Em Paris, Dilma e Lula decidiram, conjuntamente, reagir à sucessão de denúncias. Lula e seus assessores ainda avaliam de que forma, como, quando, onde e SE Lula fará ampla explanação do que pensa sobre a sequência de denúncias contra ele. Denúncias que se sucedem há quase quatro meses, de maneira ininterrupta.

Essa denúncia de Marcos Valério é a coisa mais fácil de ser apurada. Valério diz, por exemplo, que repassou R$ 100 mil para Freud Godoy, ex-assessor de Lula. Disse que tal quantia seria para pagamento de “despesas pessoais” do ex-presidente. Basta rastrear o dinheiro depositado. E checar o que Godoy pagou e para quem. Qualquer policial, qualquer procurador sabe qual é o ritual num caso como esse… se é que isso já não está sendo investigado pelo Ministério Público e/ou a Polícia Federal.

Quando corria o processo, anos atrás, o delegado Zampronha, da PF, insistiu para que Valério contasse o que tinha para contar. Ele, então, disse que não tinha mais nada a revelar. O mesmo disse à CPI e nos seus depoimentos à Justiça. Depois de condenado a 40 anos de cadeia, o que Valério quer e propõe é diminuir sua pena em troca de delação premiada.

Marcos Valério falou com a Procuradoria há quase três meses, no dia 24 de setembro. Se viu indícios suficientes, a Procuradoria teria que, de imediato, ter pedido investigação à Polícia Federal. Ou a própria Procuradoria teria que tocar a investigação, mesmo sem avisar à polícia.

Como já se passou tanto tempo desde o depoimento de Valério, é de se supor dois cenários: ou a Procuradoria e/ou polícia não viram indícios suficientes e não levaram o caso adiante, ou a investigação já está correndo em segredo de Justiça.

Um terceiro cenário é vazar o caso mesmo não existindo investigação. Vazado o caso, aí sim, a depender do barulho na mídia, iniciar-se uma investigação. Isso não é incomum. Basta lembrar a penúltima explosiva acusação.

Há 11 dias, em pleno “Caso Rose” (a ex-chefe de gabinete na Representação da Presidência da República em São Paulo), o deputado Garotinho (PMDB-RJ) fez uma denúncia. Denúncia com alarido, com repercussão viral nas redes sociais e em notas, cuidadosas, em jornais. Quem frequenta a Internet; Facebook, Twitter… e se liga em política, polícia ou fofocas, não teve como não ler ou, ao menos, receber essa denúncia.

Em resumo, segundo Garotinho, Rosemary Noronha, a Rose, teria levado 25 milhões de euros numa mala diplomática em uma viagem do ex-presidente Lula a Portugal. Dinheiro para ser depositado numa conta no Banco Espírito Santo, na cidade do Porto. Isso teria sido objeto de grampos telefônicos e estaria sendo investigado pela Polícia Federal, informou Garotinho.

Em depoimento no Congresso Nacional, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o diretor da Polícia Federal, Leandro Coimbra, não apenas negaram. Disseram que tal história era “inverossímil” e “fantasiosa”. Sem contar a mídia daqui e de lá, supõe-se que polícia e ministro falaram com autoridades de Portugal antes de desqualificar tão grave denúncia.

Pergunta: como é possível uma denúncia dessa gravidade não levar a nada? Se alguém, ilegalmente, depositou 25 milhões de euros (uns R$ 68 milhões) num banco em Portugal, os responsáveis já deveriam estar presos.

Mas se isso foi uma denúncia falsa, uma mentira como disseram no Congresso o ministro da Justiça e a Polícia Federal, quem pagará pelo crime? Ninguém?

Aguardemos o próximo capítulo.

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jader on 13 dezembro, 2012 at 12:01 #

Lula e Hollande lançam o “anti-consenso de Washington”
Enviado por luisnassif, qui, 13/12/2012 – 12:20

Autor: Luis Nassif
É um desses paradoxos da história. Enquanto é achincalhado em seu próprio país, em Paris, junto com o presidente francês François Hollande, Lula lança o que será considerado, provavelmente, o mais importante manifesto sobre a governança global desde o “Consenso de Washington”, que marcou a vida das nações nas últimas décadas. É o ‘anti-consenso de Washington”, que deverá servir de base para a reaglutinação da social democracia em nível global.

Mesmo antes da queda do Muro de Berlim, a social democracia estava em crise profunda, desarticulada, sem princípios de ação.

Ontem, em Paris, no “Fórum pelo Progresso Social, o crescimento como saída para a crise”, o Instituto Lula e a Fundação Jean Jaurès, do Partido Socialista francês soltaram documento conjunto para a primeira convocação de fundações políticas e institutos progressistas do mundo inteiro, visando propor uma nova governança global.

Com o manifesto, Lula e François Hollande passam a encabeçar a primeira iniciativa mundial, visando criar um contraponto de governança global ao “consenso de Washington” – que forneceu as bases para o modelo neoliberal que se tornou praticamente hegemônico nas últimas décadas.

Os termos do documento provavelmente marcarão a história da globalização com o mesmo impacto provocado pelo “ Consenso de Washington” no início dos anos 90.

O documento é objetivo, ao afirmar que “a globalização divide ao invés de unir”. Diz que a crise internacional agrava a concorrência entre países e sociedades e atinge principalmente os mais vulneráveis.

A crise afeta todos os países, adia decisões contra o aquecimento global. A falta de uma ação planejada, continua, pode levar a um ponto de não-retorno.

O manifesto propõe uma nova governança global, que minimize os conflitos que permita que “cada nação realize o modelo de sociedade que escolheu”. E os poderes públicos “devem garantir que todos tenham oportunidades de desenvolver suas capacidades individuais”.

Depois, chama a atenção para as mudanças estruturais que estão ocorrendo:

“Mas um novo mundo está em gestação para responder aos desafios sociais, ambientais e políticos da globalização. A sociedade civil mundial se tornou uma realidade tangível. Políticas públicas inovadoras e outros modos de governar surgem em todos os continentes, particularmente nos países emergentes e em desenvolvimento. As instâncias multilaterais também estão se reconfigurando. A constituição do G20 reflete a mudança dos equilíbrios mundiais, mas seu impacto ainda limitado ilustra a dificuldade dos governos de chegarem a um acordo e de agir de forma concreta”.

E termina com uma conclamação histórica:

“Fazemos uma conclamação em defesa da confiança na capacidade humana de se reinventar e do poder criador de nossa sociedade-mundo, para sair definitivamente da crise e construir as bases de um futuro harmonioso que possa ser compartilhado por todos”.

DECLARAÇÃO CONJUNTA DA FUNDAÇÃO JEAN JAURÈS E DO INSTITUTO LULA

A globalização é um imenso desafio com o qual se confronta a humanidade.

Ela tem um poder formidável de mudança para todas as sociedades: a mudança econômica, com a intensificação das trocas; a mudança cultural, pois essas trocas possibilitam a circulação de ideias e a transformação das práticas culturais e de costumes; a mudança política, já que a emergência de preocupações partilhadas exige uma vontade comum de agir e de superar conjuntamente as dificuldades.

No entanto, a globalização, da forma que ocorre atualmente, está longe de satisfazer as aspirações que legitimamente suscita.

A crise econômica internacional agrava a concorrência entre os países e as sociedades. Ela atinge os mais vulneráveis, particularmente os trabalhadores e os jovens. Ela afeta a todos os países, os que estão em recessão e os que estão em crescimento. Ela conduz governos a adiar as decisões necessárias para prevenir o aquecimento global, sendo que a exaustão e a degradação dos recursos naturais corre o risco de atingir um ponto de não-retorno devido à falta de uma ação planejada de forma conjunta.

Sejamos claros: hoje, a globalização divide ao invés de unir.

Isoladas, as políticas de austeridade mostraram seus limites para encontrar a saída da crise. A retomada ainda não esta garantida, ao mesmo tempo em que os direitos econômicos e sociais estão ameaçados. É imprescindível que sejam adotadas políticas de crescimento. Somente assim a globalização poderá garantir o respeito à coesão social e ao meio ambiente.

Uma nova governança é necessária para, de um lado, regular os conflitos entre as nações e garantir a paz e, de outro, permitir que cada nação realize o modelo de sociedade que escolheu. Os poderes públicos devem garantir que todos tenham oportunidades de desenvolver suas capacidades individuais. Devem também trabalhar em prol da perenidade do meio ambiente para as gerações futuras.

Mas um novo mundo está em gestação para responder aos desafios sociais, ambientais e políticos da globalização. A sociedade civil mundial se tornou uma realidade tangível. Políticas públicas inovadoras e outros modos de governar surgem em todos os continentes, particularmente nos países emergentes e em desenvolvimento. As instâncias multilaterais também estão se reconfigurando. A constituição do G20 reflete a mudança dos equilíbrios mundiais, mas seu impacto ainda limitado ilustra a dificuldade dos governos de chegarem a um acordo e de agir de forma concreta.

As respostas às questões colocadas pela globalização não se afirmarão espontaneamente. Elas se construirão pelo diálogo, pelo debate das opiniões dos estudiosos e pela mobilização dos atores e dos povos, no sentido mais amplo.

É por isso que, a partir deste fórum que se reuniu em Paris nos dias 11 e 12 de dezembro, lançamos um chamado para as outras fundações políticas e institutos progressistas do mundo inteiro: vamos constituir a iniciativa “Fundações pelo Progresso Social”. Fiéis à nossa vocação e à nossa missão, vamos nos reunir periodicamente para debater, escutar, propor. Vamos fazer emergir convergências e consensos; vamos nos unir para ter uma influência nos destinos do mundo.

Os riscos que atualmente ameaçam a humanidade são grandes demais para nos focarmos apenas em uma gestão de curto prazo destes problemas.

Fazemos uma conclamação em defesa da confiança na capacidade humana de se reinventar e do poder criador de nossa sociedade-mundo, para sair definitivamente da crise e construir as bases de um futuro harmonioso que possa ser compartilhado por todos.


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