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Postado em 08-12-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 08-12-2012 00:05


Niemeyer:o mundo e o país ficam menor sem ele

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ARTIGO DA SEMANA

A morte do arquiteto e FHC

Vitor Hugo Soares

Não fosse a noticia da morte de Oscar Niemeyer na noite de quarta-feira (5/12), alçada às manchetes e a outros espaços de destaque dos mais importantes meios de comunicação impressos e eletrônicos do mundo – como a poeira de prata que se espalha incontida como no final do romance “Opinião Pública”, de Eduardo Zamacois – e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso seguramente seria o personagem desta primeira semana de dezembro de 2012.

É factual, embora entristecedor, que aqui e ali – no Brasil, principal e desgraçadamente – algumas poucas vozes insanas e carregadas de mágoas, ciúmes e rancores ideológicos, tenham tentado reduzir com ofensas pessoais e sandices, a magnitude da vida e da obra do arquiteto carioca. Ainda assim – doa em quem doer – ninguém chegou perto de conseguir nem mesmo arranhar o reconhecimento planetário da grandeza (profissional e humana) do comunista Oscar Niemeyer.

É preciso respeitar “Sua Excelência, o fato”, como recomendava o velho timoneiro do MDB, Ulysses Guimarães. Outro grande na memória do país, que partiu há mais tempo. Ou, como alguns acreditam piamente, “segue encantado” sob as águas do Oceano Atlântico, onde caiu em tarde de tempestade o avião que o conduzia de volta a Brasília, depois de um feriadão de descanso na região dos lagos do Rio de Janeiro.

FHC, o vivíssimo presidente honorário dos tucanos (e guru político e intelectual de tanta gente mais fora dos partidos espalhada por aí), fica em distante, mas honroso, segundo lugar entre os destaques desta semana para não esquecer. Podem acreditar: diante de tudo que se viu e ouviu por aí nesses primeiros dias do último mês do ano, isso não é pouca coisa.

Verdade seja dita: foi marcante a passagem e a performance do ex-presidente FHC por Brasília, dois dias antes da morte de Niemeyer, o arquiteto que concebeu e moldou a cidade com seu traço singular e inigualável. Queiram ou não os maledicentes que, em geral, jamais construíram nada, à exceção de potes e potes cheios de mágoa e inveja.

Mas voltemos a FHC, para não perder o rumo destas linhas. A começar (mal comparando com acontecimentos recentes, na campanha municipal em São Paulo, tendo o ex-presidente Lula e o ex-ministro Fernando Haddad, do PT, como protagonistas) pelo fato do líder tucano ter desembarcado no Planalto Central trazendo Aécio Neves debaixo das asas.

Foi lançar o senador e ex-governador de Minas Gerais como candidato do PSDB (e, quem sabe, das oposições, o sonho mais acalentado) à sucessão da presidente Dilma Rousseff, nas eleições de 2014 .

“No encontro com os autarcas tucanos”, como registrou o importante jornal português Diário de Notícias, Fernando Henrique tentou mexer com a apatia preocupante no seio do principal partido de oposição no Brasil, aumentada com a derrota de um dos marechais das tropas tucanas, José Serra, na disputa pela prefeitura da mais importante cidade País.

FHC fez um dos discursos mais contundentes da sua larga trajetória de tribuno parlamentar e de respeitável palanqueiro. Em alguns momentos da fala para os prefeitos, lembrou o vigoroso combatente contra a ditadura que este jornalista viu em manifestação memorável no Largo do Terreiro de Jesus, em Salvador, ao lado de Ulysses, Tancredo Neves, Chico Pinto, entre outros, no tempo do “navegar é preciso”.

Em outros, FHC buscou ser o estadista de uma época de transição, ou o mestre da academia dando aulas de conduta ética , moral e cívica aos seus “alunos”. Estabelecendo confrontos e traçando diferenças entre tucanos e petistas, definindo novas estratégias para futuros combates, lançando o anzol, principalmente em águas pernambucanas e cearenses, para pescar novas alianças e novos aliados.

Houve momentos em que, claramente, FHC chamou os adversários para brigar no meio da rua. Como os garotos que conheci no tempo de escola primária nas cidades à beira do Rio São Francisco onde morei na infância. Na rua, o garoto que queria briga traçava uma linha na areia com o pé. Cuspia em cima e dizia: “É a sua mãe”. O inimigo reagia na certa. “E o pau cantava para valer”.

Para FHC, PSDB é muito diferente do PT nas questões morais e éticas. Disse ele aos prefeitos reunidos em Brasilia, que os petistas que estão sendo condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – incluindo o ex-ministro José Dirceu – alegam de forma errada que estavam cumprindo uma missão.

“Estão sendo condenados por crimes que cometeram. Ninguém está sendo condenado pelo passado. Na cabeça deles, podem estar cumprindo uma missão. Na nossa, não. Nós somos diferentes do PT”, frisou o ex-presidente da República, sob aplausos dos tucanos cheios de si.

Mas o conceito não bastava, e FHC partiu para o confronto direto com os governos petistas de Lula e Dilma: “As agências estão carcomidas. Foram divididas entre os partidos. E a transposição do Rio São Francisco? Um descalabro. E os estaleiros? E as plataformas? Esse voluntarismo está ligado a uma política errada, de que o Estado faz o que quer. Aumentaram os impostos. Agora, 36% do PIB. E estão transformando os recursos em gastos correntes. O nosso PIB é um PIB pigmeu. O que falta é competência”, discursou o ex-presidente.

FHC, segunda-feira, 3, fez no Planalto Central como os garotos do sertão antigamente, quando queriam medir forças. Dois dias depois, quando os petistas se armavam para reagir, sobreveio um motivo superior capaz de estabelecer trégua momentânea nos dois lados: a morte do grande arquiteto, Oscar Niemeyer.

Quando terminar o luto oficial de sete dias decretado pela presidente Dilma (ou antes), é quase certo que virá o troco dos petistas. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista – E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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jader on 8 dezembro, 2012 at 6:54 #

O comunismo ético de Oscar Niemeyer
Jornal do BrasilLeonardo Boff*
Não tive muitos encontros com Oscar Niemeyer. Mas os que tive foram longos e densos. Que falaria um arquiteto com um teólogo senão sobre Deus, sobre religião, sobre a injustiça dos pobres e sobre o sentido da vida?

Nas nossas conversas, sentia alguém com uma profunda saudade de Deus. Invejava-me que, me tendo por inteligente (na opinião dele), ainda assim acreditava em Deus, coisa que ele não conseguia. Mas eu o tranquilizava ao dizer: o importante não é crer ou não crer em Deus. Mas viver com ética, amor, solidariedade e compaixão pelos que mais sofrem. Pois, na tarde da vida, o que conta mesmo são tais coisas. E nesse ponto ele estava muito bem colocado. Seu olhar se perdia ao longe, com leve brilho.

Impressionou-se sobremaneira, certa feita, quando lhe disse a frase de um teólogo medieval: “Se Deus existe como as coisas existem, então Deus não existe”. E ele retrucou: “Mas que significa isso?” Eu respondi: “Deus não é um objeto que pode ser encontrado por ai; se assim fosse, ele seria uma parte do mundo e não Deus”. Mas então, perguntou ele: “Que raio é esse Deus?” E eu, quase sussurrando, disse-lhe: “É uma espécie de Energia poderosa e amorosa, que cria as condições para que as coisas possam existir; é mais ou menos como o olho: ele vê tudo mas não pode ver a si mesmo; ou como o pensamento: a força pela qual o pensamento pensa não pode ser pensada”. E ele ficou pensativo. Mas continuou: “A teologia cristã diz isso?” Eu respondi: “Diz, mas tem vergonha de dizê-lo, porque então deveria antes calar que falar; e vive falando, especialmente os papas”. Mas consolei-o com uma frase atribuída a Jorge Luis Borges, o grande argentino:”A teologia é uma ciência curiosa: nela tudo é verdadeiro, porque tudo é inventado”. Achou muita graça. Mais graça achou com uma bela trouvaille de um gari do Rio, o famoso Gari Sorriso: “Deus é o vento e a lua; é a dinâmica do crescer; é aplaudir quem sobe e aparar quem desce”. Desconfio que Oscar não teria dificuldade de aceitar esse Deus tão humano e tão próximo a nós.

Mas sorriu com suavidade. E eu aproveitei para dizer: “Não é a mesma coisa com sua arquitetura? Nela tudo é bonito e simples, não porque é racional mas porque tudo é inventado e fruto da imaginação”. Nisso ele concordou adiantando que na arquitetura se inspira mais lendo poesia, romance e ficção do que se entregando a elucubrações intelectuais. E eu ponderei: “Na religião é mais ou menos a mesma coisa: a grandeza da religião é a fantasia, a capacidade utópica de projetar reinos de justiça e céus de felicidade. E grandes pensadores modernos da religião como Bloch, Goldman, Durkheim, Rubem Alves e outros não dizem outra coisa: o nosso equívoco foi colocar a religião na razão quando o seu nicho natural se encontra no imaginário e no princípio esperança. Aí ela mostra a sua verdade. E nos pode inspirar um sentido de vida”.

Para mim, a grandeza de Oscar Niemeyer não reside apenas na sua genialidade, reconhecida e louvada no mundo inteiro. Mas na sua concepção da vida e da profundidade de seu comunismo. Para ele, “a vida é um sopro”, leve e passageiro. Mas um sopro vivido com plena inteireza. Antes de mais nada, a vida para ele não era puro desfrute, mas criatividade e trabalho. Trabalhou até o fim, como Picasso, produzindo mais de 600 obras. Mas como era inteiro, cultivava as artes, a literatura e as ciências. Ultimamente, se pôs a estudar cosmologia e física quântica. Enchia-se de admiração e de espanto diante da grandeur do universo.

Mas mais que tudo cultivou a amizade, a solidariedade e a benquerença para com todos. “O importante não é a arquitetura” repetia muitas vezes; “O importante é a vida”. Mas não qualquer vida; a vida vivida na busca da transformação necessária que supere as injustiças contra os pobres, que melhore esse mundo perverso, vida que se traduza em solidariedade e amizade. No JB de 21/04/2007 confessou: ”O fundamental é reconhecer que a vida é injusta, e só de mãos dadas, como irmãos e irmãs, podemos vivê-la melhor”.

Seu comunismo está muito próximo daquele dos primeiros cristãos, referido nos Atos dos Apóstolos nos capítulos 2 e 4. Aí se diz que “os cristãos colocavam tudo em comum” e que “não havia pobres entre eles”. Portanto, não era um comunismo ideológico mas ético e humanitário: compartilhar, viver com sobriedade, como sempre viveu, despojar-se do dinheiro e ajudar a quem precisasse. Tudo deveria ser comum. Perguntado por um jornalista se aceitaria a pílula da eterna juventude, respondeu coerentemente: “Aceitaria se fosse para todo mundo; não quero a imortalidade só para mim”.

Um fato ficou-me inesquecível. Ocorreu nos inícios dos anos 80 do século passado. Estando Oscar em Petrópolis, me convidou para almoçar com ele. Eu havia chegado naquele dia de Cuba, onde, com Frei Betto, durante anos dialogávamos com os vários escalões do governo (sempre vigiados pelo SNI), a pedido de Fidel Castro, para ver se os tirávamos da concepção dogmática e rígida do marxismo soviético. Eram tempos tranquilos em Cuba que, com o apoio da União Soviética, podia levar avante seus esplêndidos projetos de saúde, de educação e de cultura. Contei que, por todos os lados aonde tinha ido em Cuba, nunca encontrei favelas mas uma pobreza digna e operosa. Contei mil coisas de Cuba que, segundo Frei Betto, na época era “uma Bahia que deu certo”. Seus olhos brilhavam. Quase não comia. Enchia-se de entusiasmo ao ver que, em algum lugar do mundo, seu sonho de comunismo poderia, pelo menos em parte, ganhar corpo e ser bom para as maiorias.

Qual não foi o meu espanto quando, dois dias após, apareceu na Folha de S.Paulo um artigo dele com um belo desenho de três montanhas, com uma cruz em cima. Em certa altura dizia: “Descendo a serra de Petrópolis ao Rio, eu, que sou ateu, rezava para o Deus de Frei Boff para que aquela situação do povo cubano pudesse um dia se realizar no Brasil”. Essa era a generosidade cálida, suave e radicalmente humana de Oscar Niemeyer.

Guardo uma memória perene dele. Adquiri de Darcy Ribeiro, de quem Oscar era amigo-irmão, um pequeno apartamento no bairro do Alto da Boa Vista, no Vale Encantando. De lá se avista toda a Barra da Tijuca até o fim do Recreio dos Bandeirantes. Oscar reformou aquele apartamento para o seu amigo, de tal forma que de qualquer lugar que estivesse, Darcy (que era pequeno de estatura), pudesse ver sempre o mar. Fez um estrado de uns 50 centrímetros de altura E como não podia deixar de ser, com uma bela curva de canto, qual onda do mar ou corpo da mulher amada. Aí me recolho quando quero escrever e meditar um pouco, pois um teólogo deve cuidar também de salvar a sua alma.

Por duas vezes se ofereceu para fazer uma maquete de igrejinha para o sítio onde moro em Araras, em Petrópolis. Relutei, pois considerava injusto valorizar minha propriedade com uma peça de um gênio como Oscar. Finalmente, Deus não está nem no céu nem na terra, está lá onde as portas da casa estão abertas.

A vida não está destinada a desaparecer na morte mas a se transfigurar alquimicamente através da morte. Oscar Niemeyer apenas passou para o outro lado da vida, para o lado invisível. Mas o invisível faz parte do visível. Por isso ele não está ausente, mas está presente, apenas invisível. Mas sempre com a mesma doçura, suavidade, amizade, solidariedade e amorosidade que permanentemente o caracterizaram. E de lá onde estiver, estará fantasiando, projetando e criando mundos belos, curvos e cheios de leveza.

* Leonardo Boff, teólogo e filósofo, é escritor. – lboff@leonardoboff.com


regina on 8 dezembro, 2012 at 14:40 #

Ah, Seu Oscar, eu já estava apostando na sua imortalidade física também!!!!
Seu traço, sua obra, são poemas moldados em concreto!!!
Sua vida uma lição a ser preservada para gerações vindouras!!!
Sua bondade e simplicidade características de um grande homem,
UM CIDADÃO BRASILEIRO.

Ele mesmo se autodefine quando, traça, quando fala, quando escreve, quando vive o que acredita, quando É!!!!

Autodefinição

Na folha branca de papel faço o meu risco.

Retas e curvas entrelaçadas.

E prossigo atento e tudo arrisco na procura das formas desejadas.

São templos e palácios soltos pelo ar, pássaros alados, o que você quiser.

Mas se os olhar um pouco devagar, encontrará, em todos,

os encantos da mulher.

Deixo de lado o sonho que sonhava.

A miséria do mundo me revolta.

Quero pouco, muito pouco, quase nada.

A arquitetura que faço não importa.

O que eu quero é a pobreza superada,

a vida mais feliz, a pátria mais amada.


jader on 9 dezembro, 2012 at 20:30 #

Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho, por Leonardo Boff
09/12/2012

Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.

E o fazemos por duas razões principais: a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico. Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam.

A segunda, para Oscar, o principal era a vida. Ela é apenas um sopro, passageira e contraditória. Feliz para alguns mas para as grandes maiorias cruel e sem piedade. Por isso, a vida impõe uma tarefa que ele assumiu com coragem e com sérios riscos pessoais: a da transformação. E para transformar a vida e torná-la menos perversa, dizia, devemos nos dar as mãos, sermos solidários uns para com os outros, criarmos laços de afeto e de amorosidade entre todos. Numa palavra, nós humanos devemos aprender a nos tratar humanamente, sem considerar as classes, a cor da pele e o nível de sua instrução.

Isso foi que alimentou de sentido e de esperança a vida desse gênio brasileiro. Por aí se entende que escolheu o comunismo como a forma e o caminho para dar corpo a este sonho, pois, o comunismo, em seu ideário generoso, sempre se propôs a transformação social a partir das vítimas e dos mais invisíveis. Oscar Niemeyer foi um fiel militante comunista.

Mas seu comunismo era singular: no meu modo de ver, próximo dos cristãos originários pois era um comunismo ético, humanitário, solidário, doce, jocoso, alegre e leve. Foi fiel a esse sonho a vida inteira, para além de todos os avatares passados pelas várias formas de socialismo e de marxismo.
Na medida em que pudemos observar, a grande maioria da opinião pública mundial, foi unânime na celebração de sua arte e do significado humanista de sua vida. Curiosamente a revista VEJA de domingo, dedica-lhe 10 belas páginas. Outra coisa, porém, é a revista VEJA online de 7 de dezembro com um artigo do blog do jornalista Reinado Azevedo que a revista abriga.

Ele foi a voz destoante e de reles mau gosto. Até agora a VEJA não se distanciou daquele conteúdo, totalmente, contraditório àquele da edição impressa de domingo. Entende-se porque a ideologia de um é a ideologia do outro. Pouco importa que o jornalista Azevedo, de forma confusa, face às críticas vindas de todos os lados, procure se explicar. Ora se identifica com a revista, ora se distancia, mas finalmente seu blog é por ela publicado.

Notoriamente, VEJA se compraz em desfazer as figuras que melhor mostram nossa cultura e que mais penetraram na alma do povo brasileiro. Essa revista parece se envergonhar do Brasil, porque gostaria que ele fosse aquilo que não é e não quer ser: um xerox distorcido da cultura norte-americana. Ela dá a impressão de não amar os brasileiros, ao contrário expõe ao ridículo o que eles são e o que criam. Já o titulo da matéria referente a Oscar Niemeyer da autoria de Azevedo, revela seu caráter viciado e malevolente: ”Para instruir a canalha ignorante. O gênio e o idiota em imagens”. Seu texto piora mais ainda quando, se esforça, titubeante, em responder às críticas em seu blog do dia 8/12 também na VEJA online com um título que revela seu caráter despectivo e anti-democrático:”Metade gênio e metade idiota- Niemeyer na capa da VEJA com todas as honras! O que o bloco dos Sujos diz agora?” Sujo é ele que quer contaminar os outros com a própria sujeira de uma matéria tendenciosa e injusta.

O que se quer insinuar com os tipos de formulação usados? Que brasileiro não pode ser gênio; os gênios estão lá fora; se for gênio, porque lá fora assim o reconhecem, é apenas em sua terceira parte e, se melhor analisarmos, apenas numa quarta parte. Vamos e venhamos: Quem diz ser Oscar Niemeyer um idiota apenas revela que ele mesmo é um idiota consumado. Seguramente Azevedo está inscrito no número bem definido por Albert Einstein: ”conheço dois infinitos: o infinito do universo e o infinito dos idiotas; do primeiro tenho dúvidas, do segundo certeza”. O articulista nos deu a certeza que ele e a revista que o abriga possuem um lugar de honra no altar da idiotice.

O que não tolera em Oscar Niemeyer que, sendo comunista, se mostra solidário, compassivo com os que sofrem, que celebra a vida, exalta a amizade e glorifica o amor. Tais valores não cabem na ideologia capitalista de mercado, defendida por VEJA e seu albergado, que só sabe de concorrência, de “greed is good”(cobiça é coisa boa), de acumulação à custa da exploração ou da especulação, da falta de solidariedade e de justiça em nível internacional.

Mas não nos causa surpresa; a revista assim fez com Paulo Freire, Cândido Portinari, Lula, Dom Helder Câmara, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, frei Betto, João Pedro Stédile, comigo mesmo e com tantos outros. Ela é um monumento à razão cínica. Segue desavergonhadamente a lógica hegeliana do senhor e do servo; internalizou o senhor que está lá no Norte opulento e o serve como servo submisso, condenado a viver na periferia. Por isso tanto a revista quanto o articulista revelam um completo descompromisso com a verdade daqui, da cultura brasileira.

A figura que me ocorre deste articulista e da revista semanal, em versão online, é a do escaravelho, popularmente chamado de rola-bosta. O escaravelho é um besouro que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta. Pois algo semelhante fez o blog de Azevedo na VEJA online: foi buscar excrementos de 60 e 70 anos atrás, deslocou-os de seu contexto (ela é hábil neste método) e lançou-os contra Oscar Niemeyer. Ela o faz com naturalidade e prazer, pois, é o meio no qual vive e se realimenta continuamente. Nada de surpreendente, portanto.

Paro por aqui. Mas quero apenas registrar minha indignação contra esta revista, em versão online, travestida de escaravelho por ter cometido um crime lesa-fama. Reproduzo igualmente dois testemunhos indignados de duas pessoas respeitáveis: Antonio Veronese, artista plástico vivendo em Paris e João Cândido Portinari, filho do genial pintor Cândido Portinari, cujas telas grandiosas estão na entrada do edifício da ONU em Nova York e cuja imagem foi desfigurada e deturpada, repetidas vezes, pela revista-escaravelho.


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