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OPINIÃO POLÍTICA

A oposição se move

Ivan de Carvalho

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, uma espécie de guru do principal partido da oposição, o PSDB, lançou esta semana a candidatura do senador e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, à sucessão da presidente Dilma Rousseff.

O neto de Tancredo Neves fez uma breve observação que dava a impressão de que ia pensar para decidir, quando na verdade faz tempo que não pensa decididamente em outra coisa senão a candidatura a presidente da República. Mas é estratégico não dar formalmente a candidatura por consumada, seja para não ferir susceptibilidades no próprio partido e quem sabe no conjunto das oposições, seja para não se tornar imediatamente alvo da artilharia dos adversários.

Mas a estratégia do senador e ex-presidente da Câmara dos Deputados já está bastante definida. Ele deverá eleger-se presidente nacional do PSDB, embora alguma resistência a isso exista no grupo tucano paulista, onde se imagina que o cargo poderia ser dado a José Serra como forma de mantê-lo numa posição ativa na política.

Aécio, no entanto, quer e precisa da visibilidade que o cargo de presidente do PSDB lhe acrescentará, pois por enquanto não é um nome amplamente conhecido pelo eleitorado nacional, restringindo-se sua popularidade quase que somente a Minas Gerais. A liderança popular que tem no país ainda não corresponde à liderança política de que desfruta no Congresso, em Minas, no seu partido e no conjunto das oposições.

Sem contar os sonhos remanescentes de José Serra, Aécio sabe que existem dois ou três políticos em seu caminho – a presidente Dilma Rousseff, que pode concorrer à reeleição; Lula, também do PT, que eventualmente pode impor-se como candidato (apesar de atropelado pelo julgamento do Mensalão e pelo novíssimo e explosivo escândalo Rosemary Noronha, dois acontecimentos que têm tudo para tornar sua caminhada de volta à Presidência uma via crucis); e, finalmente, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que poderia lançar-se à batalha, a depender das circunstâncias.

Sob a perspectiva de hoje, algumas circunstâncias em que se realizarão as eleições gerais de 2014, especificamente as presidenciais, são verdadeiras incógnitas. Principalmente as que dizem respeito às condições econômicas e financeiras do país e, consequentemente, a avaliação positiva ou negativa do governo federal (e, secundariamente, dos estaduais).

Note-se que o Produto Interno Bruto brochou (desculpem a palavra, mas, em relação ao que diziam as autoridades econômicas para animar a patuleia, ela é a mais apropriada). O mesmo se pode dizer do superávit primário e da balança comercial. Já a inflação e a dívida pública (apesar da redução dos juros) estão numa animação de velhinho que tomou Viagra.

E para que o consumo não desabe e a indústria ganhe alguma competitividade em um mercado internacional severamente retraído, o governo está aplicando adrenalina na forma de desoneração “pontual” de tributos e redução de tarifas, a exemplo das cobradas pela energia elétrica. Enquanto isso, a fonte de “receitas” dos Estados para investimento passou a ser empréstimos do BNDES.

Juntando essas coisas e a possibilidade, que não é pequena, de uma piora importante na crise econômica européia, com seu efeito de arrasto nos Estados Unidos e, assim, no mundo todo, não está descartada a hipótese de que o governo, apesar do excelente comando de marketing que tem e da exploração de coisas como o Bolsa Família (que José Dirceu achou bom porque, segundo as contas dele, são 40 milhões de votos), chegue ao período eleitoral de 2014 aos cacos.

Nesse caso, as coisas não seriam para Aécio tão difíceis quanto parecem agora.

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