Assembléia Legislativa da Bahia:tudo dominado

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OPINIÃO POLÍTICA

Oposição perderá cargo

Ivan de Carvalho

A candidatura do deputado Marcelo Nilo à reeleição para seu quarto biênio na presidência da Assembléia Legislativa está absolutamente consolidada. O PT já desistiu publicamente de suas fantasias de eleger entre os integrantes de sua bancada o sucessor dele na votação secreta de 1º de fevereiro e o PSD apenas acaba de formalizar um apoio antecipadamente assegurado. O resto já estava no papo.

Menos a oposição. Mas a oposição tem poucos deputados. Na última eleição para a Mesa Diretora da Assembléia, tinha, pelo menos formalmente, 21 deputados. Se esse número de oposicionistas não fosse apenas formal, tomado pelo número de integrantes das bancadas de partidos oficialmente na oposição, mas de fato, a oposição poderia até apresentar requerimentos que forçariam a criação automática de comissões parlamentares de inquérito, entre outras prerrogativas.

Mas a oposição de 21 deputados só existia no papel. Na prática, havia em partidos da oposição deputados alinhados com o governo, de modo que a oposição não era tudo que parecia. De qualquer modo, os números formais garantiram à oposição alguns bônus, a exemplo da primeira vice-presidência da Assembléia, atualmente ocupada pelo peemedebista Leur Lomanto, além de um segundo cargo, de menor relevância, na Mesa Diretora.

Mas dois fatos essenciais aconteceram depois. O primeiro deles, a criação do PSD, presidido na Bahia pelo vice-governador Otto Alencar, que atraiu deputados da oposição. Como exemplo mais flagrante, metade da bancada do PMDB – três em um total de seis parlamentares – migrou para o PSD. O outro fato foi o ingresso do PR presidido pelo ex-senador César Borges na coalizão governista. A bancada do PR está dividida (dois governistas e dois na oposição), mas, para alguns efeitos formais com efeitos políticos, a bancada toda é computada como governista.

Bem, vamos ao ponto. A reeleição de Marcelo Nilo está garantida, o governismo é soberano na Assembléia, a oposição tem hoje formalmente apenas 15 deputados, as relações de proporcionalidade para distribuição de cargos da Mesa Diretora estão sendo reestudadas – e a oposição não manterá, a partir de 1º de fevereiro, a primeira vice-presidência da Assembléia.
Hoje tem dois cargos na Mesa. Se “der azar” pode acabar com apenas um deles, mas certamente, sejam um ou dois, não será a primeira vice-presidência e entre os governistas, no momento, também se descarta a entrega da primeira secretaria à oposição.

A primeira vice-presidência não ficará com a oposição por causa das eleições de 2014 na Bahia. Caso, nos acertos a serem feitos dentro da coalizão governista, o governador Wagner e o vice-governador Otto Alencar deixem seus cargos para concorrer a outros (há hipótese diferentes), o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, poderá assumir por até 30 dias, interinamente, o cargo de governador, enquanto a Assembléia elege um governador titular – que poderia ser ele mesmo – para ficar no cargo até 31 de dezembro de 2015. Aí então assumirá o novo governador eleito pelo voto direto, com mandato de quatro anos.

A questão é: saindo o pedetista Marcelo Nilo da presidência da Assembléia para o cargo de governador, o primeiro vice-presidente do Legislativo assumiria a presidência deste poder. E o governismo não quer nem pensar em entregar esse filé político a um oposicionista. Por isto a oposição não terá a primeira vice-presidência da Assembléia. Qual partido terá esse privilégio? Bem, tem o PT, o PSD, o PT, o PSD, o PT, o PSD…

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Comentários

danilo on 29 novembro, 2012 at 11:17 #

olá, Ivan. estou no alto sertão do nordeste e ouvi dizer que lá no Brasil só se fala no novo escândalo de corrupção. o tal do “Rosegate”.

infelizmente, aqui onde me encontro, ninguem fala sobre o assunto, os jornais e os sites da região não mencionam nadica sobre este assunto.

mas quando procuro informações na internet através dos veículos mais importantes do país, vejo uma enxurrada de notícias cabeludas sobre o “Rosegate”.

pois é, Ivan. será que você, com sua escrita talentosa pode explicar esse furdunço? o povo da caatinga agradece. afinal, informação e notícia também alimentam a alma, e mais ainda a cidadania.


jader on 29 novembro, 2012 at 11:46 #

Para o Danilinho e outros (as) com carinho:

O ódio (singular absoluto) a Lula
Enviado por luisnassif, dom, 25/11/2012 – 17:26
Por Weden

Lula é um político brasileiro com defeitos e virtudes. Se você não conseguir ver uma coisa ou outra é porque, certamente, a cegueira da paixão ou do ódio está tomando o seu corpo como um câncer.

O que se percebe no caso de Lula é que o ódio intenso tenta, sobremaneira, vencer o amor intenso. É uma luta. A luta entre o amor e o ódio a esse personagem da história
brasileira.

Outros já experimentaram do mesmo fel. Mas não sei se há concorrentes para Lula. Talvez nem Getúlio.

Quantitativamente, Lula está em vantagem. Mas os odiadores acreditam que seu ódio seria de melhor qualidade, uma espécie de crème de la crème do ódio – um ódio insuperável por qualquer amor de multidões.

É um ódio cultivado com gotas de ira diárias nas páginas dos jornais. E de revistas. Cultivado com olhos de sangue, faca entre os dentes, espinhos nas pontas dos dedos.

Só nos últimos meses, Lula já “esteve” por trás do relatório do CPI da Cachoeira, teve caso com a mulher presa na última operação da PF, já tentou adiar o julgamento, já produziu provas para se vingar de Perillo (porque ele teria sido o primeiro a avisá-lo do mensalão), já tentou subornar Deus para que terminasse a obra no domingo.

A paixão amorosa conhecemos bem. Vem daqueles que se identificaram com ele e com ele conseguiram ser lembrados pela primeira vez na história da política brasileira: seja pelos programas sociais, seja pela ascensão econômica, ou até simplesmente pelas características pessoais, culturais e linguísticas. Vem também do louvor à camisa, ao vermelho da camisa do PT.

Mas encontrar representantes do ódio não é tão difícil também. E, como qualquer sentimento que desafie a racionalidade, eles encontrarão justificativas em qualquer coisa.

Mesmo que o ódio se disfarce de termos falsamente conceituais (lulo-petismo, lulo-comunismo, lulo-qualquercoisismo), o ódio a Lula não é um ódio-conceito. Não é abstrato. É material. Corpóreo. Figadal. Biliar. Visceral.

Também não é ódio consequência. Não é um “ódio, porque…” É um “ódio ódio”, um ódio em si mesmo, um ódio singular absoluto, que se disfarça de motivos: linguísticos, culturais, morais, econômicos, etc, mas sempre ódio.

Lula já foi acusado de trair a mulher, de violentar o companheiro de cela, de roubar o Brasil, de pentecostalizar a África, de fortalecer “ditaduras” latino-americanas, africanas, asiáticas, de se curar do câncer em hospital particular (sim, uma acusação), de assassinar passageiros de avião, de dar o título à Vila Isabel, de provocar a fuga do vilão no final da novela das oito; já foi acusado de dançar festa junina, de beber vinho caro, de torcer para o Corinthians, de comer buchada de bode, de ter amputado o próprio dedo para receber pensão, de ter a voz rouca, de ser gente, de estar vivo, de ter nascido…

Só um conselho para os odiadores: o inverso do amor não é o ódio, mas a indiferença. No caso em questão, o ódio só acentua e inflama a paixão daqueles que, em maioria dos votos, acabarão levando vantagem.

Sejam indiferentes a Lula, e a história se encarregará de fazer o resto.


danilo on 29 novembro, 2012 at 13:17 #

ah, que lindo…

como se Lulla, quando nos tempos de oposição, tivesse o comportamento de um frade capuchinho. elle não atacava ninguém, não xingava ninguém, nem chamava opositores de ladrão.

Nassif? que credibilidade tem este cara? trabalha pro governo pra defender o próprio. consegue ser pior que os piores direitistas da mídia conservadora. que por sinal, é tão suspeita quanto a mídia esquerdista lullo-petista.


rosane santana on 29 novembro, 2012 at 15:36 #

Laboratório de autoritarismos e mandonismos há séculos, das capitanias hereditárias à democracia representativa do Brasil do século XIX, engendrada entre os canaviais do Recôncavo e a Universidade de Coimbra, em Portugal, a Bahia do PT fez do Legislativo estadual o que ACM jamais imaginou. Nunca antes na história desse estado e desse País, nem no tempo em que o filho do imperador ACM, Luis Eduardo Magalhães, presidiu a Assembleia, viu-se algo igual. Compenetrando-se de que é o rei do pedaço, às vésperas de emplacar o quarto mandato na presidência da Casa, Marcelo Nilo, além de portar-se como um vassalo, e não o chefe do Legislativo Estadual, agora vai colocar redomas nas galerias da Assembleia Legislativa, para abafar as vozes dissonantes. Esquecem-se os dirigentes, o governador travestido de democrata e o seu vassalo, que a cidadania também é construída com o exemplo de seus líderes. E que na Bahia, infelizmente, o exemplo histórico é dos piores em matéria de democracia. Se é essa a herança imaterial da qual fala Jaques Wagner, quando quer defender o seu governo, certamente que a Bahia dela não precisa, nem terá saudades. Parecem, o governador e seus deputados, zombar, fazer escárnio do povo baiano, como se a derrota recente nas urnas da capital, já não lhes fosse o bastante para uma mudança de rumo.


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