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O  jornalista Joelmir Beting sofreu um AVC neste domingo (25) e está internado em estado grave no hospital Albert Einsten. De acordo com boletim médico enviado na noite desta segunda-feira (26), o comentarista da Band está sedado e respira com a ajuda de aparelhos.

Beting está internado no hospital desde o dia 22 de outubro. Ele sofre de uma doença autoimune nos rins. O jornalista já trabalhou nos jornais Folhas de São Paulo, O Estado de São Paulo, na TV Globo, entre outros. Na Band, ele é comentarista de economia.


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O Petróleo é nosso

Caetano Veloso

Com a cabeça mais perto do lugar onde vivo. Amanhã, segunda-feira, pessoas do Rio se manifestarão publicamente para protestar contra a chamada lei Ibsen. O projeto de lei que afinal pune o Rio por ser, seguido do Espírito Santo, o principal produtor de petróleo do país, é uma peça de demagogia igualitarista que desrespeita decisões já sacramentadas e fere a constituição de 1988. Viajo a trabalho para São Paulo e só por isso não estarei fisicamente presente ao encontro.

Se havia um preto de quem Monteiro Lobato gostava (além de Tia Nastácia, apesar das acusações não infundadas de racismo encontradiço na linguagem de seus livros), esse preto era o petróleo. É um tema forte da minha infância o brado “o petróleo é nosso”. Meu pai dizia que técnicos americanos tinham vindo estudar o subsolo brasileiro e concluído que aqui não havia petróleo.

Lobato, entre outros, inclusive meu pai (e toda a esquerda nacionalista e anti-imperialista), liberava a paranoia e afirmava que a conclusão dos técnicos era interessada e que os poderosos do mundo estavam guardando o petróleo brasileiro para si e para o futuro. O futuro nos disse que, afinal, o Brasil tinha, sim, petróleo. Mas não era muito. Paulo Francis adorava dizer que era menos do que de fato era. Depois o Brasil roçou a autossuficiência. E não faz muito descobriu-se que há muitíssimo mais óleo e gás nas profundezas das águas territoriais brasileiras do que as mais alvissareiras descobertas da Bacia de Campos. Lula, de modo consideravelmente sensato, sugeriu que os proventos dessas reservas gigantescas fossem mais distribuídos entre os estados e municípios da União do que a comparativamente pequena produção com que já se contava. Mas a lei proposta por Ibsen Pinheiro faz com que Macaé, com todo o gigantismo social e infraestrutural que vem com a exploração local de muito petróleo, empobreça e desorganize-se para que algum estado pobre receba mais pelo petróleo produzido do que a cidade fluminense. Sou contra.

A cidade do Rio de Janeiro, que já sofreu o grande baque de deixar de ser a capital federal (não foi um mero baque psicológico narcísico: foi também — e principalmente — queda econômica); que já teve de se revirar para absorver os efeitos da fusão; que enfrenta com surpreendente determinação a perda de territórios para chefetes de gangues criminosas não merece ser tratada pelo poder federal com tamanho desleixo. Se o Legislativo adotou a jogada demagógica que assegura sucessos eleitoreiros regionais, que o Executivo responda com altivez: que Dilma vete essa lei ou pressione para permitir uma discussão de médio prazo. E se não for o Executivo, que então seja o Judiciário. Esse Judiciário que brilhou com o discurso sóbrio de Joaquim Barbosa, o primeiro presidente negro do Supremo, assunto sobre o qual não se sabe o que diria Monteiro Lobato.

O grito de Lobato (que virou até título de chanchada da Atlântida, com Violeta Ferraz chanchando mais do que todos) deve ser ouvido hoje como um grão de sal. Na verdade, dadas as dimensões da encrenca, como uma camada quase intransponível de sal. A maldição do petróleo é uma evidência histórica. Com a exceção da Noruega, os países que têm muito petróleo terminam escravos do ouro negro. A compreensível admissão de que petróleo é produto estratégico leva à centralização de sua exploração e comercialização. O que propicia o crescimento de tiranias vitalícias e/ou hereditárias, e a psicologia coletiva da supermonocultura. Oligarquias oficiais enriquecem, e povos inteiros vivem na pobreza e na adoração compulsória de seus chefes. Os EUA têm ojeriza ao comando público (estatal) do que quer que seja (exceto, claro, a máquina de guerra). Basta lembrar que, sendo o país mais rico do mundo, eles resistem ainda hoje a ter algo que se assemelhe a saúde pública. Assim, o petróleo lá (coisa em que eles vão em breve se tornar autossuficientes) é de extração privada e ponto final.

O Brasil felizmente não emburacou na onda ultraestatista em relação ao petróleo. Lula manteve muito do que foi definido por FH. Ninguém foi contaminado pelo privatismo histérico norte-americano, mas tampouco seguimos o modelo de Chávez. Vários fatores fizeram com que tocássemos a autossuficiência. Agora a Petrobras descobre que tem sérios problemas. Que o maior deles não venha a ser um golpe mortal no Rio e na harmonia da Federação. Senadores e deputados jogarem a maioria dos estados e municípios contra o Rio e o Espírito Santo é desumano. Contamos com a presidente, com o Supremo e com o bom senso. Que “o petróleo é nosso” possa ser, por agora, um brado legítimo dos fluminenses e dos capixabas.

(Texto publicado domingo,25, originalmente em A Tarde e o Globo)

Miucha Canta Antonio Carlos Jobim

Precisa mais?

Boa segunda-feira a todos

(Vitor Hugo Soares)

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DEU NA FOLHA DE S. PAULO/COLUNISTAS

Notícias da Bahia

Nelson de Sá

A grita mais recente sobre o fim dos jornais começou com a decisão do “Times-Picayune”, de Nova Orleans, de sair só três dias por semana. Anunciou-se então, no “New York Times” em especial, que os jornais regionais estavam fadados a desaparecer nos Estados Unidos, tragados pela queda na publicidade que havia se acelerado com a crise financeira de 2008.

Isso foi em junho. Mais alguns meses e foram fechados por aqui “Jornal da Tarde” e “Diário do Povo”, títulos paulistas tradicionais, ainda que esvaziados há tempos e de circulação inexpressiva. A histeria chegou então ao Brasil. Mas a justificativa usada nos EUA, de crise nos jornais regionais, não cabe. Que o diga a imprensa baiana, que vive uma pequena revolução desde, precisamente, 2008.

Um ano antes, ACM morreu e seu braço impresso, o “Correio da Bahia”, que havia fundado no final da década de 70, perdeu serventia e viabilidade. Defensor dos interesses do ex-governador, dependia sobretudo da publicidade encaminhada por seu grupo, quando no poder, o que não era mais o caso. Ele não passava então de nove mil exemplares diários.

Os herdeiros, representados por ACM Jr. e Luís Eduardo Magalhães Filho, entre fechar, vender ou profissionalizar, arriscaram a terceira. Contrataram a consultoria londrina de Juan Giner, ex-Universidade de Navarra, e mudaram gestão, formato, projeto gráfico e editorial, até o nome, agora só “Correio”. Foi às bancas em agosto de 2008, três semanas antes da quebra do Lehman Brothers.

Somados, todos os jornais de Salvador, terceira cidade em população no Brasil, não chegavam então à circulação de “A Gazeta”, de Vitória, Espírito Santo, ou do “Jornal do Commercio”, de Recife, Pernambuco. Com as mudanças que introduziu e com a demanda da nova classe média, o “Correio” saltou para o primeiro lugar na cidade e no Nordeste inteiro.

Também “A Tarde” começou a reagir à concorrência, sendo hoje o segundo em circulação na região, além de ter lançado em 2010 um novo título, mais barato. Os três, inclusive no preço de capa, compõem hoje em Salvador as três categorias clássicas de jornais: “Massa”, o mais popular ou “red top”; “Correio”, o intermediário, como o londrino “Daily Mail” ou o “Agora”; e “A Tarde”, o mais tradicional –e caro.

“Hoje os jornais refletem a importância do mercado que é Salvador e que é a Bahia”, afirma o diretor de Redação do “Correio”, Sergio Costa. “O mercado de jornais aqui, como um todo, está efervescente. A guerra aqui está divertida.”

Ele se refere às mudanças de “A Tarde”, que passa por “processo parecido” de profissionalização e, há três meses, contratou executivos para as áreas de administração e comercial e para a Redação. Coincidindo com os cem anos do jornal, em outubro, a reforma enfrenta problemas que vão da dívida financeira à credibilidade do noticiário e até aos efeitos de um ataque hacker no início do ano.

Em relação ao “Correio”, “A Tarde” sempre teve a vantagem de ser independente, o que permite seguir com cobertura política ampla e crítica. Seu concorrente, hoje líder com mais de 60 mil exemplares por dia, contra cerca de 50 mil, aguarda com apreensão a volta de um ACM ao poder –o prefeito eleito, neto do ex-governador– e mantém a cobertura política no mínimo possível.

Mas os políticos são também reflexo dessa Bahia efervescente. “O governador Jaques Vagner tem outras aspirações, nacionais, e até fala em 2018”, diz Vaguinaldo Marinheiro, diretor de Redação de “A Tarde”. “ACM Neto também tem pretensões outras. Apesar de estar fora do eixo, a Bahia é curiosa. É a terceira maior cidade, a indústria cultural é muito forte, a própria identidade baiana é forte.”

Tanto Marinheiro como Costa relatam avanços também na publicidade e na audiência on-line. Os dois jornais mantêm o acesso “totalmente livre”, sem “paywall” (muro de pagamento) e sem aplicativos pagos, por enquanto. “A gente acredita que se deva cobrar por jornalismo de qualidade, mas o momento aqui é de inclusão dos consumidores de informação”, diz Costa.

O presidente do Conselho de “A Tarde”, Renato Simões, defende as mudanças, a começar da profissionalização, mas trata de ser cauteloso quanto aos resultados. “Nessa tormenta que estamos vivendo, da internet, a gente está tentando respirar, mas ainda com o nariz debaixo d’água. Vamos ver se a gente levanta a cabeça.”
l

Nelson de Sá

(Com agradecimentos do BP pela dica ao poeta de Marília(SP), Luiz Fontana e à jornalista Maria Olivia Soares, amigos e colaboradores deste site blog)

nov
26
Posted on 26-11-2012
Filed Under (Charges) by vitor on 26-11-2012


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Sponholz,hoje. no Diário do Paraná (PR)

http://youtu.be/E1_Sdgpq10M

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Placido Domingo – Guitarra Guajira / Palmera (Agustin Lara)

Nada mais, e tudo!!!

(VHS)

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OPINIÃO POLÍTICA

A crise no Egito

Ivan de Carvalho

Quando a Primavera Árabe varreu o regime ditatorial da Tunísia e já dava sinais de que se imporia no Egito controlado pela ditadura de Hosni Mubarack, escrevi sobre o assunto, ressaltando (talvez em outras palavras) ser estimulante o caráter democrático do movimento, mas alertando que a mudança então em curso envolvia riscos muito grandes e poderia ter consequências sombrias.

Essas coisas foram ditas antes que a Primavera Árabe falhasse no Bahrein, se impusesse na Líbia do tenebroso Khadaffi e desencadeasse uma guerra civil na Síria do não menos tenebroso Bashar al-Assad. Mas esses desdobramentos em nada mudam a avaliação feita quando o fenômeno da Primavera Árabe atingia em cheio o regime de Mubarack.
Essa avaliação um pouco contra o sentimento mais ou menos geral de euforia que o movimento, de índole libertária e democrática, produziu, tinha seus fundamentos, à época expostos neste espaço. É que naquela região a conjuntura tem características bem específicas.

Há, em países árabes e até em países muçulmanos não árabes, dois fatores básicos que não se encontram em outros lugares, como a América latina e a Europa oriental quando do colapso soviético. A utilização do Islamismo por vertentes radicais que o instrumentalizam ou insistem em implantar teocracias e a profunda fixação no perigoso litígio com o Estado de Israel, que para alguns, como o Irã – que nem de população árabe é – deve ser varrido do mapa, como prega seu atual ditador, também tenebroso Ahmadinejad Rafsanjani.

A Primavera Árabe parece estar, depois de vencer, morrendo no Egito – o maior, mais populoso e geopoliticamente mais importante dos países árabes e que tem o 12º exército mais poderoso do mundo. A conquista mais espetacular do movimento.
Há algum tempo, numa eleição com escore apertado – e precedida de manobras que levantaram dúvidas, até decisão judicial às vésperas do pleito, sobre a possibilidade do principal candidato adversário concorrer –, foi eleito presidente Mohamed Mursi.

Ele é o líder da entidade Irmandade Muçulmana. Vinha se fazendo passar por moderado e ainda tenta fazê-lo. Na semana passada conduziu uma intermediação que levou à interrupção das hostilidades militares entre Israel e o movimento terrorista Hamas (e o movimento Jihad Islâmica), que controla a faixa de Gaza.

Então, aproveitou o momento de elogios internacionais a seu desempenho, o que inibe críticas externas mais severas, e editou decretos pelos quais assumiu superpoderes em seu país. Demitiu o procurador geral Abdel Mahmoud (o correspondente, aqui, ao procurador geral da República, Roberto Gurgel, que está sob fogo de petistas), decretou que os decretos que editou não podem ser anulados pelo Judiciário, bem como os que vier a editar. Tirou o poder (que lá existe) do Judiciário de dissolver o Parlamento e decretou a revisão de todos os processos judiciais contra integrantes do regime anterior. E, sonho de consumo de todo mau governante, concedeu a si mesmo imunidade em relação a investigações judiciais. O Conselho Supremo Judicial do Egito (o STF de lá) considerou os decretos do presidente Mursi “um ataque sem precedentes” à independência do Judiciário.

Ataque à democracia também, claro. E à Primavera Árabe. A Irmandade Muçulmana, clandestina sob Mubarack, teve uma atuação discreta na Primavera Árabe e só cresceu de importância após a queda do regime. Os que fizeram a Primavera Árabe no Egito estão indo para as ruas (novos protestos foram convocados para amanhã) defender o que conquistaram e que, já entenderam, estão perdendo.

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