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Opinião política

A conjuntura baiana

Ivan de Carvalho

Embora com a coalizão governista elegendo a grande maioria dos prefeitos e o PT sendo o partido que mais prefeituras terá no próximo quatriênio na Bahia, as eleições municipais de outubro não foram, aparentemente, uma coisa boa para o governo Jaques Wagner e o PT.

As vitórias da oposição em Salvador e Feira de Santana, os dois maiores colégios eleitorais do estado, têm um marcante significado político. No caso de Feira de Santana, a vitória oposicionista foi esmagadora. No caso de Salvador, onde o PT jogou todas as cartas de que dispunha, inclusive mobilizando o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, a vitória da oposição foi emblemática.

O resultado eleitoral nos dois municípios, bem como a tomada de Irecê pela oposição em prejuízo direto do PT, valem como um importante alerta para o governo Wagner e o partido do governador. Esse alerta é tanto maior quanto o governo se sustenta numa coalizão política e eleitoral em que alguns dos parceiros podem eventualmente mudar de lado mais adiante, caso percebam forte perspectiva da oposição conquistar o poder.

A estratégia do governo tem, logicamente, de incluir a evidência permanente de que essa perspectiva de poder para a oposição não existe ou é mínima, desanimadora de qualquer futura migração de governistas para a oposição. Para isto, o governo e o PT têm de se recuperar de certos desgastes que sofreram ou pelo menos compensar esses desgastes.

No caso do governo, há ainda desgaste remanescente da greve na Polícia Militar e a permanência de um forte desgaste resultante da longa batalha política que foi a greve do magistério estadual e a conduta do governo diante dela.

A esses desgastes, digamos, especiais, há o contínuo problema das deficiências gravíssimas no sistema público de saúde (na capital, por exemplo, o governo fez o Hospital do Subúrbio e conseguiu implantar uma unidade coronariana no Hospital Ana Nery, além de algumas ações menores, mas as condições operacionais dos dois grandes hospitais gerais – o HGE e o Hospital Roberto Santos – permanecem calamitosas.

O governo tem ainda um imenso problema na questão da segurança pública. Este é um problema que está incomodando de há muito, mas cada vez com mais intensidade, a população da capital, de toda a sua região metropolitana. O interior também está cada vez mais exposto à criminalidade, destacando-se, claro, a violência – nas cidades, grandes, médias, pequenas, nas estradas, até nas zonas rurais.
Grave é também que o problema geral, seja da saúde pública, seja da segurança pública, não têm solução possível em curto ou médio prazos. Os recursos existentes são limitados e os governos deixaram os problemas tornaram-se muito maiores do que eles.

O PT, não só na Bahia como em todo o país, enfrenta ainda o desgaste produzido pelo julgamento do processo do Mensalão. Outros partidos estiveram envolvidos, mas parece que é o PT que está pagando o mico praticamente sozinho. E não dá para dizer que injustamente. Ainda é difícil, senão impossível, medir a duração e a profundidade desse desgaste. É uma questão que só o tempo poderá esclarecer.

Há ainda um problema global, a crise econômica e financeira, que vem se refletindo cada vez com mais intensidade no Brasil e é neste país que fica a Bahia. Portanto, a conjuntura estadual inclui esse componente também.

Neste cenário é que o governador Wagner e o PT precisarão se mover e buscar manter as alianças políticas hoje em vigor, além de manter, na população, as simpatias que têm e recuperar as que perderam.

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