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OPINIÃO POLÍTICA

Crises em série

Ivan de Carvalho

Não dá para ignorar ou disfarçar a natureza do que está acontecendo com a crise política e militar nucleada no conflito entre o Estado de Israel e os dois grupos que controlam a Faixa de Gaza, o Hamas – que detém o controle efetivo desse território e o Jihad Islâmica, um grupo autônomo e menos poderoso, mas tão radical quanto o outro.

O secretário geral da ONU, a Liga Árabe, o governo egípcio controlado pelo grupo Irmandade Muçulmana e agora a secretária de Estados dos Estados Unidos, Hillary Clinton, estão tentando negociar uma trégua.

Até a segunda-feira, o principal negociador era o governo egípcio, com o qual Israel tem imenso interesse de manter boas relações, já que existe um essencial tratado de paz entre Egito e Israel, assinado ainda no tempo do presidente egípcio Anwar Sadat, que foi assassinado em um atentado espetacular exatamente por haver celebrado o tratado.

Mas o otimismo público do presidente egípcio Mohammed Mursi não levou a um acordo que faça cessar o conflito, sequer a uma trégua e é até compreensível. O governo egípcio tenta fazer uma mediação e ao mesmo tempo declara Israel culpado pela situação conflituosa, o que enfraquece sua posição de mediador.

A Liga Árabe está envolvida nas negociações, mas não tem a influência suficiente. É que os grupos Hamas e Jihad Islâmica não rezam pela cartilha radical de muitos dos Estados-membros da Liga, de modo que o poder moderador dessa entidade em Gaza é muito limitado. Já os Estados Unidos estão sempre interessados na paz entre Israel e seus adversários, pois têm uma aliança forte com Israel e grande interesse em um relacionamento amigável com os países árabes. Querem ser amigos dos dois lados. Mas, sobre o Hamas e o Jihad Islâmica não têm influência direta nenhuma.

Para se compreender a crise entre os controladores de Gaza e Israel é indispensável compreender antes a natureza dos grupos Hamas e Jihad Islâmica. Eles são dois grupos terroristas. E é com o terror, não com outra estratégia, que operam.

Então eles lançam, como o fizeram mais uma vez, foguetes contra o território de Israel. Israel retalia, tentando em ação inicialmente limitada, eliminar as bases de lançamento. De Gaza partem, então, mais foguetes, Israel responde, então centenas de foguetes são lançados contra seu território. Mais de mil, por enquanto, segundo a “contagem” do Hamas e do Jihad Islâmica.

A essa altura, o governo israelense prepara-se para uma ação mais ampla, acrescentando aos bombardeios pelo ar e pelo mar a possibilidade de uma invasão por terra para extirpar o foco de agressão. Os dois grupos terroristas, nesse meio tempo, emocionam o mundo com as vítimas civis do conflito que eles mesmos iniciaram. Eles não lamentam os “mártires”, civis ou terroristas, eles os exibem. Gostam que ocorram vítimas civis dos bombardeios. Quando é que terroristas se preocupam com vítimas civis? Geralmente eles, no mundo inteiro, causam essas vítimas. No caso de Gaza, as vítimas resultam da retaliação israelense, mas há suspeita forte de que o Hamas e o Jihad Islâmica exageram nos números de vítimas civis não envolvidas com os grupos terroristas, pois essas vítimas são uma poderosa arma de guerra, porque desgastam Israel ante a opinião pública mundial e geram uma mobilização que força uma trégua antes de que uma invasão terrestre ocorra para desmontar a estrutura do terror.

Então há a trégua e depois de um curto período recomeçam os ataques partidos de Gaza e toda uma situação como a atual é recriada. Por isto, Israel, com o apoio dos Estados Unidos, estão cobrando dos mediadores um acordo de “longo prazo” e que abra o caminho para uma negociação definitiva. Israel acrescenta que, do contrário, tomará as “medidas necessárias” por sua própria conta.

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