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Posted on 18-11-2012
Filed Under (Charges) by vitor on 18-11-2012


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Aroeira, hoje, no jornal O Dia (RJ)

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OPINIÃO POLÍTICA

Sinais de erupção

Ivan de Carvalho

A temperatura político-militar no Oriente Médio não cessa de subir. Já emite aqueles sinais característicos que geralmente precedem erupções vulcânicas. A fonte de calor mais intensa nos últimos dias envolve o Estado de Israel, atacado com centenas de foguetes lançados pelos grupos terroristas Hamas e Jihad Islâmica a partir da Faixa de Gaza, que controlam.

Pelo menos dois foguetes lá considerados de “longo alcance” caíram nos arredores de Tel Aviv e um ao sul de Jerusalém. São alvos críticos. Tel Aviv, que não recebia ataque desde a Guerra do Golfo, foi capital de Israel, continua sendo uma espécie de capital administrativa e é a maior concentração urbana do país. Jerusalém é a capital de Israel e cidade sagrada para israelitas, cristãos e muçulmanos.

Isso e outros incidentes de ataque e contra-ataque levaram o Exército israelense a, segundo algumas notícias, convocar 30 mil reservistas e pedir ao governo autorização para convocar mais 75 mil, enquanto outras notícias falam de 16 mil convocados e pedido de autorização para mais 59 mil. De qualquer modo, não é pouca coisa. Essas medidas foram acompanhadas pelo interdição de quatro estradas israelenses, sugerindo que poderá haver, além dos borbardeios aéreos e pelo mar contra alvos militares em Gaza (com os costumeiros efeitos colaterais) uma invasão terrestre.

Enquanto isso, embora esteja ainda de pé o acordo de paz entre Israel e Egito, a tomada do poder, no mais importante país árabe, pela Irmandade Muçulmana – como desdobramento da complexa Primavera Árabe – resultou no relaxamento total (nunca havia sido muito rigorosa) da vigilância na fronteira entre o Egito e Gaza, facilitando o abastecimento dos grupos Hamas e Jihad Islâmica com armas em maior quantidade e mais poderosas.

No entorno de Israel, ressalvada por enquanto a Jordânia, a temperatura sobe. No Egito, com a substituição do regime “confiável” de Hosni Mubarack pelo da, por enquanto moderadamente hostil, Irmandade Muçulmana. Imprevisível para o futuro, distante ou próximo. Na Síria, insuflado pela Primavera Árabe que tenta derrubar a terrível ditadura hereditária e vitalícia de Bashar al-Assad, há um estado de guerra civil que chega às fronteiras com Israel e ameaça seriamente desencadear um conflito interno de proporções entre as facções que governam o outro vizinho de Israel, o Líbano, mediante um pacto altamente instável entre elas.

Mais distante, o Irã, que proclama seu objetivo maior de “varrer Israel do mapa”, trabalha com o objetivo (sempre negado) de produzir armas nucleares. Israel não aceita isto. A posse de um arsenal nuclear pelo Irã tornaria Israel militarmente indefensável por si mesmo. A estratégia militar de Israel é ser o único país a ter a bomba na região – esta arma, por sua enorme desvantagem geopolítica em relação ao conjunto dos adversários, é sua garantia extrema e final.

Nas primeiras linhas, escrevi, no sentido figurado, que há sinais típicos dos que precedem uma erupção vulcânica. Tenho agora em mãos um livro, The Bible Code (O Código da Bíblia), best-seller ao ser lançado. Do jornalista judeu-americano Michael Drosnin, foi editado em 1997. O O primeiro ministro de Israel era Benjamin Netanyahu, que, sucedendo a Shimon Peres, esteve no cargo no período 1996 a 1998, perdendo em seguida as eleições para Ehud Barak. O Código da Bíblia diz, junto ao nome dele: “Todo o seu povo para a guerra”, em hebraico, claro.

Mas, perdendo as eleições, Netanyahu retirou-se da política, recolheu-se à vida privada. No ostracismo, parecia não ter volta. Mas em 2002 começa a ressurgir, como ministro dos Negócios Estrangeiros, da Fazenda, e em 2005 retoma a liderança do seu partido, o Likud, tornando-se, em 2006, líder oficial da oposição no Knesset (parlamento) e presidente do Likud. Finalmente, em 2009 retornou ao cargo de primeiro-ministro. É onde está, no meio dessa crise, dando chance à previsão do Código da Bíblia se cumprir.

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