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CRÔNICA

ACM Neto, Temer e o bullying

Janio Ferreira Soares

A declaração de ACM Neto de que buscará apoio de Michel Temer no caso de Dilma retaliar seus pleitos para Salvador soou, no mínimo, curiosa, principalmente pela reconhecida falta de poder da Bic vice-presidencial. Em todo caso, vai que ele tenha no bolso do colete uma escrita fina a laser para ser usada exclusivamente a favor daqueles que sofreram humilhações anatômicas no período eleitoral, aí a coisa pode mudar de figura. Imaginemos, pois, a seguinte situação.

Final de janeiro, Carnaval já na divisa com Sergipe, inauguração da Fonte Nova alvoroçando torcedores e viciados em acarajé, e nada de Neto conseguir uma audiência com a presidente para tratar dos problemas de Salvador. De supetão, ele saca o celular e cumpre a ameaça.

– Alô, Temer, tudo bem? É o ACM Neto. Geddel me deu seu número, tá podendo falar?

– Oi, Netinho, o Geddelzinho me disse que você ligaria. Posso lhe chamar também no diminutivo, não?

– Claro, é assim que muitos me tratam e eu até gosto, embora alguns exagerem no cinismo.

– Não ligue não, meu jovem, eu mesmo já perdi a conta das gracinhas que fazem comigo. Continuam me chamando de Christopher Lee, Bela Lugosi e até de Edgar, o mordomo do filme Aristogatas, sem falar na inevitável pergunta “você quer bem a cunhada?”. Mas qual o problema, amigo?

– É a Dilma. Estou tentando falar com ela há dias, mas sempre inventam desculpas provocativas para me dispensar. A última foi a de que ela não podia me receber porque estava assistindo Branca de Neve e os Sete Anões com Gabriel, seu netinho. Mesmo percebendo a jocosidade da reposta falei que poderia esperar, mas eles disseram que em seguida ela iria ver uma apresentação que Gilberto Carvalho, Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti prepararam especialmente para Biezinho chamada “Dengoso, Branca de Neve e a Feiticeira nas quebradas do Pelô”. Eu queria sua ajuda… Alô? Temer? Tá me ouvindo? Temer? Que risos são esses?

Brincadeiras a parte, que Neto consiga devolver aos baianos um pouco daquela cidade que o furacão “John” (tio-avô do “Sandy”) levou.

Janio Jerreira Soares, cronista, é secretário de Cultura, Turismo e Esportes de Paulo Afon, na margem baiana do Rio São Francisco

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Comentários

Luiz Gonzaga Ferreira on 15 novembro, 2012 at 15:28 #

Olá meu querido cronista o vinho continua aguardando a sua presença para a degustação acompanhada de uma conversa agradável com cheiros da água do cachapa. Abraços e continue com as suas crônicas divertidas e inteligentes. Luiz do Campo grande.


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