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OPINIÃO POLÍTICA

Presidência da Assembléia

Ivan de Carvalho

Depois de informar o governador Jaques Wagner de sua intenção de reeleger-se presidente da Assembléia Legislativa – com o que conquistaria o quarto mandato bienal de consecutivo de presidente – o deputado Marcelo Nilo, do PDT, intensificou o trabalho para consolidar sua candidatura.

Alguns fatos o estão ajudando.

Um deles é uma questão de configuração política. O governo estadual tem em sua base um arco muito grande e variado de partidos. O principal, no qual milita o governador Jaques Wagner, é o PT. O segundo mais importante hoje é o PSD, presidido e liderado pelo vice-governador e secretário de Infraestrutura, Otto Alencar. Mas existem outros, muitos, até se poderia dizer, em excesso.

Ora, não é o caso do PT, mas os demais aliados do governo tendem naturalmente a não desejar uma hegemonia política petista. Como o comando do Poder Executivo está com o PT, os partidos aliados do PT preferem que o comando do Poder Legislativo esteja em mãos governistas, mas não as do PT. Porque a conquista da presidência do Legislativo pelo PT já configuraria hegemonia política deste partido, não ainda na Bahia, mas dentro da coalizão governista.

Além disso, os deputados em geral, governistas e oposicionistas, não sabem exatamente como se comportaria um petista – e aí não importa muito quem seja ele – na presidência do Legislativo. Há uma evidente cautela dos deputados, individualmente, independente dos partidos a que pertençam, em relação a essa hipótese.

Tudo que foi descrito até aqui representa, sem dúvida, um quadro que ajuda a candidatura de Marcelo Nilo ao quarto mandato de presidente.
Dois outros fatos, de relevância ainda em avaliação no meio político, parecem, por enquanto, levar mais água ao mesmo moinho.

Um deles é que o deputado Paulo Rangel, que foi por três anos consecutivos líder da bancada do PT, acaba de declarar abertamente apoio à candidatura de Marcelo Nilo à reeleição, mesmo sabendo que o petista Rosemberg Pinto (estreitamente ligado a José Sérgio Gabrielli, secretário do Planejamento, ex-presidente da Petrobrás e aspirante ao governo estadual preferido pelo ex-presidente Lula) tenta construir a própria candidatura a presidente do Legislativo.

Ao declarar seu apoio a Nilo, mesmo sabendo que a bancada do PT se prepara para discutir a questão da presidência da Assembléia, Rangel deu-se ao luxo de fazer comentários sobre a pretensão do colega petista Rosemberg Pinto. Vale a pena transcrever o que disse ao site Política Livre: “Gosto muito de Rosemberg, acho que é uma pessoa preparada e que ele pode inclusive vir a ser governador do Estado, mas tem pouco tempo de Casa para se viabilizar para uma candidatura à presidência. Eu, Paulo Rangel, apoio a reeleição de Marcelo. Acredito que Rosemberg ainda precisa passar pela presidência de algumas comissões importantes na Casa. A vida tem fila”.

O outro fato que parece levar água ao moinho de Nilo está em entrevista do vice-governador Otto Alencar à Tribuna da Bahia. Disse que o partido não disputa o cargo para um de seus filiados (se disputasse, seria para Gildásio Penedo ou Alan Sanches) e elogiou o trabalho de Nilo, “que tem o apoio de seus pares”, acrescentando que é favorável à reeleição como princípio.

Bem, há quem sustente, provavelmente com razão, que coincidências não existem, no sentido de que não são casuais.

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