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OPINIÃO POLÍTICA

Sobe o valor do PMDB

Ivan de Carvalho

Durante o fim de semana, o vice-presidente da República, Michel Temer, principal liderança do PMDB, afirmou que seu partido deverá, em 2014, apoiar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição e que os peemedebistas deverão apresentar candidato próprio à Presidência da República somente nas eleições de 2018.
Haja premonição. Não dá, sem ela, para saber o que vai acontecer na política brasileira e em muitos outros aspectos de nosso país em 2014, muito menos em 2018.
Mas as declarações de Temer têm dois sentidos.

O primeiro é um projeto pessoal, o de assegurar para si mesmo o lugar de vice na chapa de Dilma, repetindo o que aconteceu nas eleições de 2010 e o colocou no cargo que hoje ocupa. Um provocador, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, há alguns dias sugeriu que ao invés de Temer, o companheiro de chapa de Dilma Rousseff em 2014 seja o governador do Estado do Rio de Janeiro, o peemedebista (por sugestão de Lula) Sérgio Cabral. Foi o bastante para Geddel Vieira Lima, presidente do PMDB da Bahia, muito ligado a Temer e correligionário de Eduardo Paes, chamar a este de “trânsfuga”, já que Paes foi pulando de um partido a outro até ingressar no PMDB.

O outro sentido das declarações de Temer – reforçadas ontem por declarações de outro peemedebista coroado, o presidente do Senado e do Congresso, José Sarney – é firmar o PMDB como principal aliado do PT e do governo Dilma Rousseff, em um esforço para exorcizar o fantasma do PSB, que se deu muito bem nas eleições municipais do mês passado, inclusive em Recife, Salvador, Belo Horizonte, capitais onde enfrentou diretamente o PT, o que também fez com êxito em Campinas, maior cidade paulista depois da capital.

Embora integre a base de sustentação política do governo e seu presidente nacional, o governador pernambucano Eduardo Campos, declare o apoio do partido à reeleição de Dilma, o PSB e o senador Aécio Neves, hoje a principal liderança tucana no cenário nacional, aproximaram-se bastante na campanha eleitoral, nas eleições e no pós-eleições.

Além disso, o núcleo cearense do PSB, liderado por Ciro Gomes e seu irmão, o governador Cid Gomes – que juntos elegeram o futuro prefeito de Fortaleza, arrebatando a prefeitura do controle do PT – não é refratário a apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, mas simpatiza com uma estratégia que possa levar o PSB a apresentar, se convier, candidato a presidente, se possível, em 2014. Compromisso irretratável, desde já, com a reeleição de Dilma Rousseff não seria coerente com essa liberdade de escolha mais adiante.
Toda essa conjuntura em formação levou o governo e o PMDB, com assentimento do PT (ainda que possa haver neste último, internamente, ranger de dentes), a uma pegação que nesta semana, com as declarações de Temer e Sarney, tornou-se ainda mais notória do que já era. Dá-se como certo que o PMDB vai ganhar mais espaço no governo, um ministério, restando saber qual, pois existem uns que, politicamente, valem muito e outros, quase nada.

O apressado jogo governo/PMDB visa a reduzir a importância política que o PSB adquiriu e, na medida do possível, tolher movimentos autônomos dos socialistas. Já a aproximação destes com o PSDB de Aécio trabalha em direção contrária, isto é, valorizando o PSB e pode ou não gerar um projeto político não submisso ao projeto do governo, o que é o principal temor deste.

O governo busca consolidar mais a aliança com o PMDB também por outra razão. A presidente Dilma Rousseff está isenta do amplo desgaste político que o caso do Mensalão vem causando, mas o PT, como instituição partidária, não está. Então é bom para o governo assegurar-se de outra sustentação essencial, além da que lhe dá o PT.

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