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OPINIÃO POLÍTICA

O homem bomba

Ivan de Carvalho

A revista Veja publica uma reportagem alegando que colheu, junto a parentes e amigos de Marcos Valério – agora já condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 40 anos de prisão e multa de aproximadamente 2,8 milhões –, declarações sobre o esquema do Mensalão, das quais o mais importante seria a afirmação de Valério de que o ex-presidente Lula, no cargo na época do escândalo de corrupção, não apenas sabia de tudo (a versão de Lula foi de que não sabia de nada e de que foi traído), como comandava o esquema do qual o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, era o chefe executivo.

Poucas horas se passam e fica claro, tanto por dedução quanto por informações, que a Veja não colhera informações junto a parentes e amigos de Valério, mas o entrevistara, tendo combinado com ele – porque esta foi uma condição do entrevistado – que o material seria publicado não como entrevista, mas na forma de declarações dele colhidas junto a pessoas próximas. O áudio da entrevista teria sido gravado e a revista possuiria a fita, até agora não exibida.

O episódio descrito alcançou grande repercussão no país, mobilizando o PT e até o governo – a presidente Dilma Rousseff deixou de comparecer a um almoço previamente agendado com o dono do Grupo Abril, que edita a Veja, Vitor Civita e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu ordem para retirar-se, repentinamente, ou malcriadamente, de um evento tradicionalmente promovido por outra revista do grupo.

Agora, outra notícia mexe com os nervos do comando petista. O mesmo Marcos Valério, em depoimento espontâneo prestado em setembro ao Ministério Público Federal, refere-se a uma chantagem que teria sido feita contra Lula e Gilberto Carvalho, atual ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência e assessor e conselheiro de Lula durante o governo deste. A chantagem seria em torno de aspectos acessórios do episódio de assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT. Valério, segundo o noticiário sobre seu depoimento no MPF, teria dito que foi procurado pelo secretário geral do PT, Sílvio Pereira, para arrumar dinheiro para pagar ao chantagista. Está confusa a informação sobre se teria feito isto ou se recusado.

Para, aparentemente, complicar, Gilberto Carvalho havia sido acusado pelos irmãos de Celso Daniel, o prefeito assassinado, de participar do esquema de arrecadação de propina em Santo André.

Nem no caso do Mensalão nem nos casos do assassinato do prefeito e da propina em Santo André houve acusação formal, seja em relação ao ex-presidente, seja em relação a Gilberto Carvalho. No caso do Mensalão, a Procuradoria Geral da República descartou incluir Lula em sua denúncia.

No entanto, existem agora dados novos – o principal deles, o depoimento em setembro de Marcos Valério ao MPF. O PT, através de vários integrantes do partido, a exemplo do líder na Câmara, Gilmar Tatto, está procurando desqualificar Valério como testemunha, alegando que ele foi condenado pelo STF e em breve estará na cadeia. Mas com isso o PT estaria desqualificando também outras pessoas que foram condenadas no mesmo processo, algumas que lhe são caras a ponto de merecerem solidariedade política ostensiva ante as condenações recebidas do STF.

Quanto a Valério, independente do que diga o PT, cumpre ter cautela quanto a afirmações suas de tal gravidade como as já publicadas e outras que dá a entender está disposto a fazer se isto o livrar da prisão (com inclusão no programa de proteção a testemunhas) ou reduzir a pena e lhe der segurança contra eventuais atentados (ele teme ser objeto de uma queima de arquivo). Assim pensam, aliás, pelo que se tem divulgado, tanto o procurador geral da República, Roberto Gurgel, quanto o relator do processo do Mensalão e presidente do STF a partir de 22 deste mês, ministro Joaquim Barbosa. No entanto, a segurança deve ser fornecida logo. E ter cautela quanto à veracidade do que Marcos Valério diz não significa que se deva dar o dito por não dito ou que não se deva investigar.

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Comentários

jader on 5 novembro, 2012 at 12:51 #

A chamada deveria ser :
A credibilidade da VEJA é rala , mas o que Marco Valério disse deve ser invesigado


danilo on 5 novembro, 2012 at 13:09 #

fico aqui pensando com os meus botôes: o que Jader Stalinista achava da Veja no tempo que antecedeu o impeachment de Collor, e quando ela denunciava o escândalo do Sivam?

será que Jader Stalinista chamava a Veja de revista golpista, reacionária e desprovida de credibilidade?


jader on 5 novembro, 2012 at 16:11 #

Saiu no Valor:

Em 10 anos, total de moradores de favelas do Rio na classe C sobe de 29% para 66%

As favelas do Rio de Janeiro movimentam R$ 13 bilhões por ano, valor que supera o Produto Interno Bruto (PIB) de 13 capitais brasileiras, entre elas Florianópolis, Natal e Cuiabá, segundo a mais recente pesquisa sobre o PIB dos municípios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Levantamento feito pelo instituto Data Popular, que entrevistou 500 pessoas no mês de agosto, em cinco favelas – Complexo do Alemão, Rocinha, Chatuba de Mesquita, Salgueiro e Cidade de Deus – indica ainda que, se todas as cerca de mil favelas cariocas formassem uma cidade, esse município fictício seria o nono maior do país, em termos populacionais.

Os dados da pesquisa são referentes a 2011. Confrontando informações com as de 2001, quando a população residente em favelas da cidade totalizava 970 mil pessoas, o estudo aponta que, em dez anos, a proporção de moradores da classe D – renda familiar até R$ 1.539 – nas favelas do Rio caiu de 59% para 20%, enquanto a classe C aumentou de 29% para 66% e ficou acima da taxa média do Brasil, de 56%. No mesmo período, a classe AB — renda familiar a partir de R$ 4.345 – passou de 1% para 13% dos habitantes das favelas e também superou a taxa média do país, de 2%.

“A renda dos moradores de favela tende a crescer, à medida que o Rio se recupera”, afirma o economista Marcelo Neri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em sua avaliação, a “recuperação” da cidade e o aumento do poder de consumo da população de baixa renda são sustentados pelo crescimento econômico de todo o país obtido nos últimos anos, aliado ao programa de segurança pública Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e pela realização dos Jogos Olímpicos de 2016.

“A UPP não é a solução para os problemas do Rio, nem das favelas, mas um elemento importante, que gera ganho de renda, de capital, para a população de áreas carentes, pois abre a economia dessas regiões para as empresas se instalarem”, diz o presidente do Ipea.

Daniel Silva dos Santos, 26 anos, casado e pai de duas crianças, trabalha como segurança há um ano e mora no Complexo do Alemão, na zona norte da cidade. Nas horas vagas, “Trenzinho”, como é conhecido, usa uma Kombi para transportar passageiros na favela. Com as duas atividades, tem rendimento médio mensal de R$ 1.800. Trenzinho é um dos 1,1 milhão de moradores de favela carioca que estão na classe C, grupo com renda mínima de R$ 1.540 e que representa 66% do total de 1,7 milhão de pessoas que habitam favelas no Rio.

“Trenzinho” cursou até a sétima série, diz que também tem vontade de retomar os estudos para ajudar o pai em suas “funções políticas”, como líder comunitário de uma região do Complexo do Alemão, composto por mais de dez áreas. “O que falta é tempo. O dinheiro que ganho é para os meus filhos. Cobro deles estudo”, diz ele.

(…)

O levantamento feito pelo Data Popular foi encomendado pela rádio Beat 98, com o apoio da Central Única das Favelas (Cufa), organização que atua em várias regiões do país, na formação de crianças carentes. A Beat 98, emissora com programação musical popular, encomendou a pesquisa para conhecer melhor seu público e adequar suas ações de marketing

O secretário-geral da Cufa, Celso Athayde, diz que a experiência com trabalhos em favelas o leva a crer que o aumento de consumo da população ocorreu mais fortemente nos últimos dez anos. Com o passar do tempo, afirma ele, as pessoas passaram a comprar bens até então inacessíveis, como celulares, móveis, eletrodomésticos, e motos. “Hoje em dia, o que mais ouvimos como sonho de consumo nas favelas são TVs de LCD e tablets”, diz Athayde


rosa luiza on 5 novembro, 2012 at 18:16 #

jader já disse mas vou reforçar – a veja, também conhecida como detrito de maré baixa, não tem nenhuma credibilidade, portanto nada a ser feito. francamente, jornalistas como ivan não deveriam dar trela a tanta bobagem. será que só a veja não sabia que lula sabia que havia um esquema de caixa dois ou sei lá o que?


Ivan de Carvalho on 5 novembro, 2012 at 19:20 #

CAIXA DOIS???!!!!!!!!!!!
O STF ACABA DE DIZER QUE FOI COISA BEM DIFERENTE.


jader on 5 novembro, 2012 at 20:09 #

Record expõe relações Veja-Cachoeira

por Rodrigo Vianna

Bob Civita ficou mais parecido com Rupert Murdoch – o barão da mídia investigado por ações criminosas na Inglaterra.

Bob e Abril foram pra tela da TV, em horário nobre: 15 minutos devastadores de reportagem – bem editada, didática, com texto sóbrio e ótimos entrevistados. E isso tudo não se passou num canal de notícias, a cabo. Não. Foi na TV aberta, num domingo à noite. As relações entre ”Veja” e a quadrilha de Carlinhos Cachoeira foram expostas de maneira inédita para milhões de brasileiros.

Quem navega pelos blogs e as redes sociais talvez já conhecesse boa parte das informações apresentadas na boa reportagem de Afonso Mônaco, no Domingo Espetacular da Record. Mas o público da TV aberta é outro. Esse foi o grande mérito da matéria. Falou para gente que ainda não sabia detalhes dos fatos.

Além disso, serviu para “furar o cerco”. Há, claramente, um pacto entre a chamada “grande imprensa”. Ninguém avança nas investigações sobre “Veja”/Cachoeira. Nesse domingo mesmo, de forma tímida, a ombudsman da “Folha” cobrou do jornal mais informações. Pelo que se sabe, os chamados “barões da imprensa” fizeram um pacto e teriam mandado recados ao governo: não aceitarão a convocação de nenhum deles à CPI.

É um pacto contra a verdade. Contra o jornalismo. Essa gente me faz lembrar aquela velha figura do sujeito que, diante da enchente que ameaça romper uma represa, acha que pode conter o desastre colocando um dedo na rachadura da barragem. Não adianta, minha gente! As águas vão rolar. Já rolaram, aliás…

“Veja”, “Globo”, “Folha” são sócios na campanha iniciada lá atrás, em 2005, quando decidiram partir pra cima do governo Lula. Quem não se lembra? Semanas seguidas, a “Veja” dava uma capa bombástica contra o governo e, no sábado à noite, lá vinha o “Jornal Nacional” pra “repercutir” a reportagem. Em geral, o JN promovia uma “leitura” televisiva de “Veja”. Na época, na Globo, até brincávamos: Ali Kamel tinha descoberto uma nova linguagem de telejornalismo – recheava a tela com páginas da revista, e colocava um repórter para ler o conteúdo. Era televisão por escrito.

Mais que isso. Em 2006, perto do primeiro turno das eleições, lembro-me perfeitamente da semana em que a “Istoé” trouxe uma entrevista do empresário Vedoim, com sérias denúncias que respingavam nos tucanos. Foi na mesma semana em que os “aloprados” acabaram presos com dinheiro quando se preparavam pra comprar um dossiê contra tucanos (supostamente, o conteúdo do tal dossiê era semelhante ao da reportagem da “Istoé”). A Globo, naquela semana, criou uma força-tarefa para detonar os aloprados. Jornalisticamente, estava certo. Era assunto relevante. Mas e o outro lado? Foi o que eu e alguns colegas perguntamos ao chefe da Globo em São Paulo. “Não vamos repercurtir a capa da Istoé, do mesmo jeito que fazemos toda semana com a Veja?”, indaguei do chefe. Ele deu um sorriso maroto, e concluiu: “a Istoé é uma revista sob suspeita”.

Lembro de ter perguntado a ele: “quem decide que a Veja é séria, e a Istoé é suspeita?”. Ele respondeu com outro sorriso. Hoje, a “Veja” é uma revista sob suspeita. E isso, de certa, forma respinga pro lado da Globo. A grande fonte do JN de Kamel, durante anos, bebia nas águas de Cachoeira.

A Suzana Singer – ombudsman, jornalista correta que eu conheço há muitos anos – pode continuar cobrando que a “Folha” exponha os podres da “Veja”. A direção do jornal já tomou sua decisão de blindar a “Veja”. Decisão inútil, aliás. Porque a relação entre a revista de Bob Civita e a quadrilha de Cachoeira tornou-se um segredo de Poli-chinelo.

Nas redes sociais, a “Veja” segue apanhando. No twitter, pela terceira semana seguida, a revista foi parar nos TTs (espécie de ranking que aponta assuntos mais comentados): #VejaBandida, #Vejapodrenoar, #VejavaipraCPI.

A revista tenta se defender nas redes sociais, de forma patética. É batalha perdida.

O que pode fazer a Abril? Conversava sobre isso com outro blogueiro sujo nesse domingo à noite. A conclusão: o melhor que a editora pode tentar, a essa altura, é agir em silêncio, pressionando nos bastidores, para evitar a convocação de Bob Civita.

Pode até conseguir – dada a tibieza de algumas lideranças no campo governista. Mas será impossível evitar que a “Veja” vire tema da CPI.

“Poli” e “PJ” (nos grampos, era assim que a turma do Cachoeira tratava Policarpo Junior, o diretor da “Veja” em Brasília). “Pensei que ele fosse me dar um beijo na boca”, disse um dos cachoeirentos num momento de maior descontração, citando o amigo Poli…

Cachoeira virou um editor, a escolher as seções da revista onde gostaria de ver publicadas as notinhas e matérias que lhe interessavam.

Tá tudo nos grampos, escancarado.

Isso não é relação de jornalismo com fonte – como bem explicou o professor Laurindo Leal Filho, na reportagem da Record.

A “Veja” que arrume outra desculpa. Ou que entregue a cabeça de Poli pra salvar a de Bob Civita.


danilo on 5 novembro, 2012 at 21:55 #

ééé… pelo visto a derrota do candidato Piligrino abalou os neurônios de Jader…

estranho que ele e o pessoal do time de Lulla não respondem se gostavam da Veja quando da época de Collor. oirque conheço vários lullo-petistas que faziam questão de serem assinantes da Veja, e andavam com exemplares debaixo do braço para esfregá-los na cara de pessoas da direita.

mas agora tudo mudou.

Jader Stalinista tá raivoso, vingativo. e pelo andar da carruagem é bem capaz dele mandar prender o Joaquim Barbosa, montar uma milícia paramilitar para invadir a Veja, ou até mesmo criar uma célula de luta armada…


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