==================================

OPINIÃO POLÍTICA
Relações republicanas

Ivan de Carvalho

Começam a ser discutidas e projetadas as relações que vão se estabelecer entre o futuro governo de Salvador, sob o comando do democrata ACM Neto e os governos estadual e federal, ambos em mãos do PT e sob o comando, respectivamente, de Jaques Wagner e Dilma Rousseff.

Esta é uma questão relevante para a presidente da República e mais relevante ainda para o governador Jaques Wagner, enquanto para o futuro prefeito ACM Neto é essencial.

Antes de lembrar o que já disseram as três pessoas citadas sobre essas relações, creio que vale citar uma declaração do senador petista Walter Pinheiro, que foi candidato a prefeito em 2008 e este ano foi o coordenador político da campanha eleitoral de Nelson Pelegrino: “O povo de Salvador errou em 2008 e em 2012”.

Mas errou como? Por haver eleito, em 2008, um prefeito que está para concluir seu mandato com alto índice de desaprovação para seu desempenho, segundo as pesquisas de opinião pública? Se é nisto que se justifica a frase do senador, então onde fica a justificação do erro de agora, quando o povo de Salvador elegeu para prefeito alguém que ainda não começou a governar?

Bem, melhor buscar justificativa mais coerente. O povo errou em 2008 e em 2012 porque não elegeu os candidatos do PT. Ou, em 2008, porque não elegeu o então deputado Walter Pinheiro e, em 2012, o deputado Nelson Pelegrino. Bem, aí já dá para entender – o povo de Salvador é um povo malcriado, rebelde, que teima em pensar pela própria cabeça, mostrar que ninguém manda, ter suas próprias ideias ou preferências, ainda que de uma ou outra depois se arrependa, abrir seu próprio caminho a andar pelo que já lhe dão pronto.

Acolá votando em Mário Kertész, lá votando em Fernando José, ali votando em Lídice, preferindo depois dar dois mandatos a Imbassahy, mais dois a João Henrique e finalmente entregando o abacaxi para ACM Neto descascar, do seu jeito e como puder, apesar da estranhíssima tese do alinhamento, que foi reprovada – e precisava ser, e precisa continuar sendo rejeitada, em nome de uma política republicana dos governos em todo o país.

Tenho a impressão de que, no Brasil, ainda vamos ouvir falar dessa tese do alinhamento político entre os gestores públicos das três esferas de poder da Federação. Cumpre, de saída, no entanto, deixar muito claro que qualquer discriminação na locação e liberação voluntária de recursos (nem me refiro às obrigatórias) baseada em desalinhamento político (seja em Salvador, Manaus, Aracaju, não importa onde) não seria contra o gestor público “desalinhado”, mas contra o povo da cidade que o elegeu, uma perseguição contra cada pessoa – de infantes a velhos.

Seria desumano, além de jurídica e politicamente inaceitável, porque o dinheiro público é do povo, que o produz pagando tributos, e não dos governantes. Já o by pass, tipo a tentativa de fazer alguma coisa pondo indevidamente à margem a autoridade municipal seria, não desumano, mas antidemocrático, porque uma falta de respeito à decisão popular pelo voto.

Felizmente, neste primeiro momento, do governador Jaques Wagner já temos declarações animadoras. Ele disse que preferia a eleição de outro candidato (o do PT, Pelegrino), “mas respeito” (a decisão popular). Acrescentou que serão “adversários políticos, mas aliados por Salvador”. É exatamente isto que o eleitorado pretendeu, ao eleger um oposicionista aos governos federal e estadual sob uma Constituição republicana onde os negócios públicos devem ser tratados de modo republicano.

Be Sociable, Share!

Comentários

inacio gomes on 1 novembro, 2012 at 0:24 #

neste retorno insensato aos idos de 64 quando discordar dos ” iluminados de então” consituia crime ,tranquilisa -nos ouvir palavras de Wagner sobre ” respeito ” e “adversarios poiticos , mas aliados por Salvador”. Os “iluminados de hoje” , infelismente,não são capazes de entendeer que, no regime democratico, o povo ” não errra” , exercita escolha diferente daquela de nossa preferencia pessoal. Infelismente a diferencia dos truculentos de hoje é que estes retiraram a farda daqueles de ontem substituindo-a pelo terno de grife. O resto é a mesma coisa. O povo não errou em sua escolha em São Paulo e nem em igual suberana e democratica manifestação em Salvador. Negar á nossa capital recursos em conseqeuncia da manifestação soberana do seu povo é retornar ás praticas do avô do prefeito eleito . Autoristarismo não é gens do DNA de ninguem Adversario do avô durante todo o tempo de sua existencia, nos idos de 64, espero que o Neto resgate os compromissos assumidos nas praças publicas e, no exercio do poder, a que foi levado pela vontade subernda do povo se submeta ás praticas repub licas que distinguem exercicio de mcratico do poder do autoritarismo, de ontem como de hoje.Esta será a melhor maneira de homenajear aos que em sua luta pela redemocratização do Brasil pagaram o preço bestial da tortura.


rosa luiza on 2 novembro, 2012 at 12:28 #

inacio gomes, te conheço e respeito mas o netinho tem as mesmas características do avõ – sua primeira declaração foi a da demissão de 20% dos funcionários. portato, o povo errou sim, vamos ter mais 4 anos de desespero e desejo ardentemente que ele faça o pior governo possível, tais como os de paulo souto e seu querido vovÔ. o povo de salvador é burro e ingrato.


danilo on 2 novembro, 2012 at 18:09 #

enquanto isso, na cidade de Lauro de Freitas, a prefeita do PT Moema Gramacho demite mais de dois mil funcionários.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos