Orlando Silva, O Cantor das Multidões, para falar de saudade. Sem chorar. BoaNoite!

(Gilson Nogueira)

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Enquanto houver saudade

(Custódio Mesquita e Mario Lago)
Valsa de Maio de 1938

Canto: Orlando Silva

C/ Orquestra Victor Brasileira

Não posso acreditar que algumas vezes
Não lembres com vontade de chorar
Naqueles deliciosos quatro meses
Vividos sem sentir e sem pensar.

Não posso acreditar que hoje não sintas
Saudade desta história singular
Escrita com as mais suaves tintas
Que existem para escrever o verbo amar

Enquanto houver saudade
Pensarás em mim
Pois a felicidade
Não se esquece assim

O amor passa mais deixa
Sempre a recordação
De um beijo ou de uma queixa
No coração.


Desenho Gilson Nogueira: No Rio de olhos
e coração na soterópolis
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Sol de Rio de Janeiro

Gilson Nogueira

A barriga do guarda de bermuda e de cassetete que pisava na areia fofa – e limpa – da praia de Ipanema, ontem, chamou-me a atenção, assim como a gordura além da conta de um timão de mulheres de biquíni no território sagrado da moda brasileira. Um, não conseguiria correr atrás de um pivete que afanasse a máquina de fazer fotos de algum turista bobão, no chamado “perdeu playboy” das plagas cariocas, e elas, certamente, seriam reprovadas no quesito olha que coisa mais linda, mais cheia de graça.

Quem não causou espanto ao baiano apaixonado pela Cidade Maravilhosa foi o cheirinho do breise que a brisa trazia com o cheiro de mar de água gelada em fim de primavera. Tudo corria nos conformes de um domingo de sol no pedaço mais charmoso da orla carioca quando um sujeito parecia afogar-se a poucos metros da beira da praia em que placas sinalizavam para o perigo de correntes marinhas.

O salva-vidas de camiseta regata vermelha com um só pé de pato na mão atira-se na água, fura a onda e chega ao quase náufrago já amparado por dois banhistas. As pessoas observam o rápido salvamento, enquanto atobás voam baixo e espiam quem come biscoito Globo, bebe mate com limão e queima o baseado.

“Liberou geral”, comenta um alugador de cadeiras.

No calçadão da Vieira Souto, com a pista livre para pedestres, patinistas, esqueitistas, ciclistas e cachorristas um sujeito aperta uma baga na ponta dos dedos da mão direita, sem a dar a mínima para o que a revista Veja alerta em matéria de capa, e um deslumbrado atropela a civilidade com seu pedalar alucinado ameaçando crianças que brincam com os pais.“Faz parte” do domingo, admito.

O dia segue legal, em dia de justificativa de voto de segundo turno, no país. Logo, ocorre-me a idéia de ligar para Salvador, a fim de saber da boca de urna na votação para prefeito da primeira capital do Brasil. Dizem-me os amigos que ACM Neto está na frente.

Volto para casa confiante em ver minha terra recuperar sua dignidade urbanística com a posse de ACM Neto e dos novos vereadores. E rezo, fitando o Cristo Redentor, para que o Bahia não caia, de novo, para a Série B do Campeonato Brasileiro de Futebol.

A vela de São Jorge está acesa. ” Dá-lhe, guerreiro!”

No espelho, vejo-me mais vermelho que nunca. Tomo susto. ” O Sol é PT!”, exclamo.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta


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A BOCA ABERTA DAS URNAS

Sérgio Costa

Há mais complexidade na urdidura do resultado destas eleições do que supõe o nosso vão impulso de interpretação.Na Cidade da Bahia, o PT de Dilma e Lula teve 54% dos votos em 2010. Jaques Wagner (PT) mobilizou o governo na campanha de Pelegrino. O rejeitado João Henrique deu apoio – ainda que discreto – a ACM Neto. O DEM era um partido em acelerado e franco processo de desidratação… O resultado parecia óbvio, não?

Pois deu Neto na cabeça, com 53,5% dos votos, quase 100 mil a mais do que o seu adversário. Ele venceu as poderosas máquinas federal e estadual, a popularidade de Lula e Dilma, uma campanha publicitária agressiva e a feroz boca de urna. Sai vitaminado da votação. Nacionalmente inclusive.

O PT de Fernando Haddad é o partido do mensalão. Teve, na reta final da campanha, medalhões condenados no Supremo por corrupção. O ex-ministro era um poste inventado pelo ex-presidente. Iniciou a campanha atrás de um experimentado José Serra – ex-prefeito, ex-governador, duas vezes candidato a presidente, teoricamente apoiado pela maior máquina regional do Brasil, o governo de São Paulo. O petista também era superado por um surpreendente Celso Russomanno, candidato que desafiava todas as lógicas políticas tradicionais… O desfecho se desenhava inevitável, não?

Pois deu Haddad na cabeça. Fernando ‘Andrade’, como os manos da periferia paulistana o batizaram. O ‘poste’ ganhou com 55,7% dos votos, 680 mil a mais de que o tucano, num sprint espetacular no segundo turno. Pegou senha para o cenário nacional.

É enganoso tentar reduzir as eleições de ACM Neto e Haddad a visões simplistas, tais como a volta do Carlismo ou a vitória do Lulismo. Quem enxerga assim arrisca a dar com os burros n’água em 2014.

Nesta eleição, os dois candidatos representaram o novo, a novidade, algum frescor em seus respectivos contextos. Entenderam as novas dinâmicas, principalmente de comunicação e de avaliação do cenário político, que transformam rapidamente a sociedade brasileira.

Neto fez uma campanha quase perfeita em Salvador. Liderou desde o início, à exceção de uma escorregadela às vésperas do primeiro turno, e foi sempre quem pautou a eleição.

Levou a sério o corpo a corpo até o último dia. Não à toa, tornou-se campeão de caminhadas em três meses de campanha oficial. Gastou sola de sapato por toda a cidade e até no gueto, onde o adversário subestimou seu desempenho.

No último debate, na TV Bahia, surpreendeu ao usar as redes sociais para pegar, em tempo real, Pelegrino nas contradições. Olhava para a câmera e, com tranquilidade, pedia à sua equipe que colocasse no Facebook vídeos ou reproduções de jornais em que Pelegrino se desmentia no passado de afirmações soltas ao ar no presente. Fez o link certo com a modernidade.

Até 2014, vai se gastar muita tinta e bytes na tentativa de explicar as vitórias de Neto e Haddad. Mas o único fato até agora é que o eleitor, este soberano, deu seu recado aqui e na pauliceia desvairada. Salvador e São Paulo esperam mudanças de gestão e atitude como fez o Rio há quatro anos e confirmou no primeiro turno. Que os eleitos façam bom proveito destes votos de renovação. Nossas cidades merecem presente e futuro melhores.

Sérgio Costa é diretor de Redação do Correio, jornal de maior circulação de Salvador atualmente.


Wagner: perdas e ganhos nas eleições
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DEU NO CORREIO DA BAHIA

Jorge Gauthier e Renato Alban

O governador Jaques Wagner (PT) indicou ontem, em entrevista no Palácio de Ondina, que não haverá qualquer tipo de retaliação à cidade pela derrota do petista Nelson Pelegrino. “Temos um conjunto de projetos para Salvador que não vai ser interrompido pelo resultado eleitoral. A relação (com Neto) continua sendo de adversários políticos, mas de aliados em defesa de Salvador”, afirmou.

Wagner atribuiu a derrota de Pelegrino à vinculação da imagem do PT à gestão de João Henrique. “Tem problema da prefeitura atual de Salvador que, em muitos momentos, foi entendido como uma prefeitura nossa. Acharam que nós éramos os responsáveis”, lamentou.

Para ele, é precipitada qualquer avaliação das eleições de 2014 com base no pleito deste ano. Mas defendeu que o PT passe por uma renovação. Wagner negou, no entanto, que a escolha de Pelegrino tenha sido um equívoco, já que foi a quarta vez que ele concorreu à prefeitura de Salvador. “Foi o melhor candidato que a gente tinha. Ele foi um grande competidor. Saiu atrás, chegou no segundo turno e disputou bem”, afirmou.

O governador minimizou a influência da greve de 115 dias dos professores estaduais no resultado das eleições,observando que tem outras questões a serem consideradas, mas admitiu que a paralisação desgastou a imagem do PT.

Apesar de reconhecer a influência negativa da greve, Wagner disse que o resultado das eleições foi positivo para sua gestão. “Nossa base aliada ganhou 82% das prefeituras da Bahia. Acabamos de ganhar São Paulo, que era uma espécie de joia da coroa”, disse Wagner citando a vitória de Fernando Haddad (PT). O governador comemorou ainda o resultado de Conquista, onde Guilherme Menezes (PT) foi reeleito.

Senadores

A senadora Lídice da Mata teceu críticas à forma como o democrata fez campanha. “A mentira venceu. Venceu a posição que a insatisfação do governo João Henrique devia desaguar no governo do estado porque ele conseguiu passar essa ideia falaciosa de que nós estamos há seis anos no governo e que não fizemos nada por Salvador”, disse a senadora destacando que estava com saudade de ser oposição em Salvador.

O senador Walter Pinheiro, que foi um dos coordenadores da campanha petista, afirmou que “o povo de Salvador errou em 2008 e em 2012”.

DEU NO G1

Menos de 24 horas após ter sido eleito prefeito de São Paulo, o petista Fernando Haddad desembarcou nesta segunda-feira (29) em Brasília para um encontro a portas fechadas com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. O futuro governante da maior cidade do país chegou à sede do governo federal por volta de 11 horas para, como ressaltou mais cedo na capital paulista, “agradecer” o apoio de Dilma em sua campanha pela prefeitura.

“Vai ser uma audiência rápida de agradecimento e para estabelecer uma rotina de trabalho com a presidente”, declarou o prefeito eleito ao deixar seu apartamento na zona sul de São Paulo, por volta das 7h45 desta segunda.

Haddad viajou para a capital federal em um jatinho particular. A aeronave pousou em torno das 10h40 no terminal 2 do aeroporto internacional Juscelino Kubitschek..A essa hora, a presidente da República já aguardava seu antigo ministro da Educação no Planalto. Ainda não há previsão de que Haddad dê entrevista após o encontro

Também participa da audiência com Haddad o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que chefiou o gabinete do ex-presidente Lula.

Após discurso da vitória em um hotel na noite deste domingo (28), Haddad se juntou a militantes na Avenida Paulista. “Vocês sabem que eu sou o segundo poste do Lula”, disse, tirando risos. “Tem mais algum candidato a poste aqui?”, brincou, em referência a discurso do ex-presidente em Campinas, quando Lula lembrou que a oposição usava expressão pejorativa para ressaltar a falta de experiência política de Dilma na campanha de 2010. Assim como Dilma, Haddad foi eleito em sua primeira disputa eleitoral.

No discurso, Haddad contou ter recebido uma ligação do adversário tucano, José Serra, que o parabenizou pela vitória nas urnas. Falando para o público de cima de um trio-elétrico, Haddad disse que Serra desejou “que nós fizéssemos um ótimo governo para a cidade de São Paulo”.

Apesar da chuva que atingia a capital paulista, Haddad falou por aproximadamente dez minutos. Ele agradeceu os votos, elogiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a atual presidente, Dilma Rousseff, e reiterou a vontade de acabar com as diferenças sociais na cidade. “Não podemos mais conviver com tanta desigualdade.”

Além do telefonema de Serra, Haddad disse que recebeu ligações de Lula, de Dilma e de Kassab. “Ele [Kassab] disse que quer fazer uma transição de alto nível. Para São Paulo. E eu quero dizer para ele: eu aceito o desafio de fazer uma grande transição do governo para São Paulo mudar.”

out
29
Posted on 29-10-2012
Filed Under (Charges) by vitor on 29-10-2012


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Bruno Aziz, no jornal A Tarde (BA)

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OPINIÃO POLÍTICA

A vitória do Democratas

Ivan de Carvalho

Muitas são as análises, conclusões e consequências que podem fluir da vitória eleitoral do democrata ACM Neto. Está longe da pretensão deste repórter, não só agora como em escritos posteriores, qualquer tentativa de sequer abordar, muito menos esgotar, todos os aspectos envolvidos. Muitas outras pessoas, jornalistas, políticos e cientistas políticos se dedicarão à mesma tarefa. É bom que um debate sobre isto se estabeleça.

Uma das coisas que cumpre dizer logo de saída é que a eleição de prefeito de Salvador tem suas repercussões de caráter nacional. Note-se que o PT elegeu ontem, e bem, o prefeito de São Paulo, maior e mais importante cidade do país, o que, isoladamente, representa um importante passo à frente no projeto de hegemonia política que move o partido que hoje detém o Poder Executivo federal.
Algumas derrotas importantes funcionam para neutralizar esse avanço petista. Logo no primeiro turno, o PT perdeu duas eleições em que se empenhou a fundo. Em Belo Horizonte, Patrus Ananias, cuja candidatura foi articulada principalmente pela presidente Dilma Rousseff, perdeu feio para o prefeito Márcio Lacerda, do PSB e reeleito já no primeiro turno com o apoio do senador tucano Aécio Neves.

Em Recife, o comando nacional do PT impôs a candidatura do ex-ministro da Saúde Humberto Costa e o governador pernambucano Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, lançou um de seus secretários estaduais como candidato deste partido e venceu também no primeiro turno.

Em Fortaleza, ontem, o PT, que detinha a prefeitura há oito anos com Luiziane Lins perdeu-a também para o PSB, com a vitória por seis pontos percentuais dos votos válidos sobre o candidato do PT. Completando o quarteto de capitais politicamente importantes em que o PT foi derrotado, em Salvador o democrata ACM Neto venceu o petista Nelson Pelegrino com sete pontos de vantagem, considerados os votos válidos. .

Creio que vale a pena assinalar, embora não seja Manaus uma capital de muita importância política, a vitória espetacular que lá obteve o tucano Arthur Virgílio Neto, com 32 pontos percentuais de vantagem sobre a candidata do PC do B apoiada pelo PT, Vanessa Grazziotin. Isto porque Lula considera o ex-senador Arthur Virgílio um inimigo (ele foi importante para a rejeição, no Congresso, da proposta de emenda constitucional para eternização da CPMF) e até, além de ir, convenceu a presidente Dilma Rousseff a também fazer comício em Manaus contra Arthur Virgílio.

Uma outra repercussão nacional da decisão dos eleitores de Salvador incide sobre o Democratas. Tecnicamente sucessor do PFL, o DEM, por alguns contratempos, eleitorais e não eleitorais, e também pela migração de uma grande parte de sua bancada no Congresso para o PSD fundado pelo ex-democrata Gilberto Kassab (prefeito de São Paulo) deixou de ser um grande partido e tornou-se um partido médio sob ameaça de transformar-se em um pequeno partido.

A vitória de ACM Neto (atualmente, líder do Democratas na Câmara dos Deputados) em Salvador, terceiro maior colégio eleitoral do país, dá um sopro de vida ao partido, proporcionando-lhe a chance de deter a queda para pequeno partido e alguma condição para tentar uma eventual recuperação. Até porque o PSDB, maior partido na oposição, não sabe fazer oposição e o DEM pode atender a esta necessidade democrática, na qual tem adquirido prática.

Atuação oposicionista, não por intermédio de Neto, que vai ocupar-se muito com os problemas de Salvador, mas de suas bancadas no Congresso.

Creio que as mais notórias implicações nacionais da vitória democrata na capital da Bahia – enfrentando uma imensa aliança política, mas contando com uma admirável teimosia ou rebeldia do eleitor, que rejeitou a tese do “alinhamento” – estão aí ligeiramente assinaladas. A tese do “alinhamento” e sua rejeição constituem tema de inegável interesse, para futuras considerações

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Som na caixa, maestro. Dá-lhe, Gal!!!

BOA SEGUNDA-FEIRA!!!

(VHS)

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