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OPINIÃO POLÍTICA

Véspera de eleição

Ivan de Carvalho

Estamos afinal na véspera do segundo turno das eleições para prefeito. Em Salvador, depois da pesquisa Ibope realizada de 17 a 19 deste mês e que deu oito pontos de vantagem ao candidato democrata ACM Neto sobre seu competidor, o petista Nelson Pelegrino – tanto nas intenções de voto considerando-se o total do eleitorado quanto em relação aos chamados votos válidos – não houve uma nova oportunidade de avaliação técnica da situação eleitoral.

Claro que amostragens para consumo interno das campanhas, de modo a orientar suas estratégias ocorreram, mas foram mantidas sob reserva, de modo que têm muito pouco valor para análises de jornalistas e muito menos para o eleitorado em geral, ao qual delas nada lhe foi dado saber.

Neste segundo turno, quatro fatores beneficiaram a campanha de ACM Neto. O primeiro deles foi o impacto psicológico da classificação para o segundo turno em primeiro lugar. Embora pela diferença mínima de 5.626 votos sobre o concorrente, primeiro lugar é primeiro lugar e isso tem força. Praticamente embutido neste primeiro fator está o fato de que o Ibope, único instituto a divulgar pesquisas eleitorais sobre as eleições de Salvador durante a campanha para o primeiro turno, apontava, desde 27 de setembro, o candidato do PT, Nelson Pelegrino, como vencedor, com uma vantagem crescente, que chegou a seis pontos percentuais no sábado véspera da eleição e a incríveis sete pontos na pesquisa de boca de urna, no domingo, 7 de outubro. Então abrem-se as urnas e, do começo ao fim das apurações, Neto se mantém à frente. Isso foi um anticlímax doloroso para a campanha do petista e um empurrão vigoroso na campanha de ACM Neto.

O terceiro fator a beneficiar Neto, e muito, foi a lei, que estabelece condições iguais de tempo na propaganda eleitoral pela televisão e rádio para o segundo turno. Diferentemente do que aconteceu na campanha para o primeiro turno, quando a campanha de Pelegrino teve quase o triplo do tempo da campanha de Neto, este passou, no segundo turno, a dispor de tempo igual ao do adversário.

O quarto fator benéfico foi a adesão do PMDB. Da mesma forma que para Pelegrino foram benéficas as adesões do ex-candidato peemedebista Mário Kertész e do ex-candidato do PRB, deputado bispo Márcio Marinho. Ah, Da Luz também aderiu. Claro que outro fator favorável à campanha de Pelegrino foram as visitas da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, que participaram de comícios.

Saindo de fatores estritamente locais, há que registrar a permanente presença em toda a campanha eleitoral no país – como um ruído de fundo para toda a mobilização eleitoral – do julgamento do processo do Mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. Um ruído de fundo muito desagradável para o PT, não especificamente em Salvador, mas em todo o país.

Os eleitores curiosos poderão conhecer, na noite de hoje, a pesquisa do Ibope (a segunda do instituto neste segundo turno) que a TV Bahia divulgará. E talvez o Babesp, um instituto ligado ao presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, também divulgue sua própria amostragem.

Uma coisa, no entanto, é certa. Foi uma campanha difícil para os dois lados, dura, disputada voto a voto, no primeiro como no segundo turno, com muitos debates – somente na televisão foram quatro neste segundo turno, outro tanto durante a campanha para o primeiro turno.

Depois disso tudo, deve ser hoje muito baixo o número de indecisos. Agora é ir às urnas e manifestar, nelas, a decisão que vai determinar como será a administração da cidade nos próximos quatro anos como a correlação de forças políticas na Bahia, além de contribuir significativamente para definir a correlação de forças no país, especialmente porque em São Paulo o PT deverá tomar a prefeitura.

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