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OPINIÃO POLÍTICA

A primeira pesquisa

Ivan de Carvalho

Cumpre supor que haja sido agradável à campanha do candidato do PT a prefeito de Salvador, deputado Nelson Pelegrino, levar a presidente Dilma Rousseff para um comício no grande bairro de Cajazeiras, no começo da noite de ontem, mesmo considerando a proibição da Justiça Eleitoral de que a presidente da República dividisse com Carminha, da telenovela da Globo, o telão instalado pela campanha. A aplicação dessa antiga estratégia romana de poder, de oferecer pão (com Dilma) e circo (com Carminha e companhia) foi inviabilizada pelo entendimento da Justiça Eleitoral de que comício pode, mas showmício, não.

Mas cumpre supor também que não terão agradado ao comando da campanha e ao próprio candidato Pelegrino os resultados da primeira pesquisa do Ibope sobre as intenções do eleitorado da capital nesta fase da campanha para o segundo turno e a coincidência já prevista do comício com a divulgação desses resultados, muito desfavoráveis ao representante do PT nas eleições para a prefeitura. Uma espécie de balde de água fria. Ou gelada.

Esses resultados, como divulgaram na noite de ontem (nove dias antes da votação) a TV Bahia e toda a mídia na capital, deram uma vantagem de oito pontos percentuais ao candidato democrata ACM Neto sobre seu concorrente petista – 47 a 39. A pesquisa apontou nove por cento de intenções de votar em branco ou anular o voto e apenas quatro por cento de indecisos. O pequeno percentual de indecisos sugere que se ocorrerem mudanças relevantes, elas não poderão vir desse segmento, bem como parece difícil modificar muito o contingente de votos nulos ou em branco. Tudo indica que mudanças importantes só podem ocorrer na medida em que um candidato tome votos do oponente.

Nesses últimos dias, abordei neste espaço pelo menos três vezes os erros do Ibope nas pesquisas realizadas em Salvador durante a campanha para o primeiro turno das eleições, realizado no dia 7. Tudo o que disse está mantido – o Ibope fez mesmo um péssimo trabalho em Salvador como em Manaus, valendo referir também São Paulo e Curitiba, onde os erros não chegaram a ser aberrantes, mas foram graves. Em Salvador e Manaus os erros foram espetaculares e, juntamente com o que aconteceu em São Paulo, beneficiaram os candidatos prediletos do governo federal.

Ante os erros anteriores, as campanhas dos dois candidatos e os próprios eleitores bem farão se receberem os novos resultados em Salvador, referentes ao segundo turno, com muita atenção e uma certa cautela. Há que considerar também, e aí favoravelmente ao instituto de pesquisa, o reconhecimento do Ibope de que seus erros em Salvador no primeiro turno impunham maior cuidado nas pesquisas daí por diante e a promessa que fez de que iria ter esse cuidado aumentado.

É possível – e isto é, evidentemente, apenas uma suposição – que o Ibope esteja cumprindo a promessa e haja realizado um estudo mais aprofundado da composição e coleta de sua amostragem, o que quase certamente permitiria detectar em que estava errando e corrigir os problemas, capacitando-se para apresentar resultados ajustados à realidade do momento eleitoral. Pelo menos, isto é importante para a recuperação da credibilidade do instituto.

ARTISTAS – O compositor e cantor Gilberto Gil, que foi ministro da Cultura no primeiro governo Lula, deixando depois o cargo para Juca Ferreira, gravou depoimento de apoio a dois candidatos do PT – Fernando Haddad, que quer a prefeitura de São Paulo e Nelson Pelegrino, que pretende a de Salvador. O apoio de Gil a Pelegrino foi gravado três dias depois que Caetano Veloso, após participar com Gil de show em homenagem a Ulysses Guimarães em Brasília, declarou que prefere a vitória do candidato democrata ACM Neto: “Eu prefiro que ele ganhe. Logo eu, que passei a vida inteira me opondo ao avô dele”.

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