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DEU NA FOLHA/PODER

ANDRÉIA SADI
DO PAINEL, EM BRASÍLIA

Sete anos após o escândalo do mensalão, Duda Mendonça afirma, em entrevista exclusiva à Folha, que comeu o “pão que o diabo amassou”, mas que o pior momento foi uma cirurgia em 2006. “Diante da morte, todo o resto fica pequeno”.

Responsável pela campanha de Lula em 2002, Duda recebeu à época mais de R$ 11 milhões do PT. A revelação feita por ele à CPI dos Correios de que parte do pagamento ocorreu em uma conta no exterior representou um dos momentos mais tensos do escândalo.

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“Ouvi de muita gente que fui um otário por falar a verdade, mas, no final, ter falado a verdade me salvou.”

Ele e a sócia Zilmar Fernandes foram acusados de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, mas foram absolvidos pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada.

Duda diz que nunca rompeu com Lula e que chegou a conversar com Dilma Rousseff para trabalhar na sua campanha. A entrevista foi concedida por e-mail:

Folha – Apesar de absolvido, o senhor diria que este período aguardando o julgamento foi uma condenação?
Duda Mendonça – Não. Sempre acreditei na Justiça. Mas, sem dúvida, eu e minha mulher, meus sete filhos e meus sete netos sofremos muito durante toda a espera do julgamento. Sofri o pão que o diabo amassou. Perdi praticamente todos os clientes na minha agência. Botei quatro pontes no coração. Não morri por pouco. Ouvi de muita gente que fui um otário por falar a verdade, mas, no final, ter falado a verdade me salvou.

O STF condenou figuras de destaque. O senhor chegou a perder as esperanças?
Nunca. Tenho muita fé em Deus, nos meus santos protetores e nas forças do universo. Tive muito medo de ser condenado, mas jamais perdi as esperanças.

Como o senhor se preparou? Conversou com os seu filhos sobre prisão?
Tive um grande apoio da minha família, mas prevenia sempre meus filhos de que o pior poderia acontecer. Foram poucos os momentos bons nestes sete anos. Sem dúvida, o pior foi a cirurgia do coração. Estive à beira da morte, com 90% de bloqueio nas duas principais artérias do coração. Fui operado de urgência no Sírio-Libanês. Diante da morte, todo o resto fica pequeno.

Mesmo após o escândalo, o senhor manteve consultorias com campanhas políticas, como Maranhão e Fortaleza. O senhor não pensa em abandonar propostas políticas depois do desgaste que passou nestes sete anos?
Mantive algumas consultorias que me ajudaram a sobreviver. No Brasil, a coisa ficou difícil para mim. Todos ou quase todos elogiavam meu talento, mas aguardavam o julgamento, que não chegava nunca! Foi então que decidi abrir uma filial em Portugal, mesmo em tempo de crise. Ganhei a maior conta de varejo de lá.

Hoje se arrepende de ter sido um dos responsáveis pelas revelações de que o PT pediu abertura de conta no exterior para receber o pagamento?
Por respeito à Justiça e por orientação dos meus advogados, não vou comentar nada que fez parte do julgamento.

O senhor manteve contato com o ex-presidente Lula ou estão rompidos desde então?
Não estou rompido com o presidente Lula de forma alguma. Sempre o admirei e continuo a admirar. Apenas nos afastamos, o que era inevitável.

O senhor conversou com Dilma em 2010? Sentiu-se injustiçado por não ter sido escolhido para a campanha?
Jamais me senti injustiçado. Já trabalhei com a presidente Dilma. Tenho respeito e admiração por ela. Conversei com ela. Fiquei muito feliz, mas não deu certo. Naquele momento, não seria bom para ela. Foi a decisão mais sensata.

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Comentários

danilo on 21 outubro, 2012 at 10:06 #

ohh, tão pobrezinho este Duda Mendonça…

é um exemplar representante dos excluídos das periferias cajazeiras deste Brasil, uma vítimadas zelites golpistas.

ele comeu o pão que o diabo amassou…


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