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OPINIÃO POLÍTICA

Estratégia de ataque

Ivan de Carvalho

O pedido de direito de resposta feito à Justiça Eleitoral pelo deputado e ex-prefeito Antonio Imbassahy, do PSDB, contra a propaganda eleitoral eletrônica do PT em favor do candidato Nelson Pelegrino cria para este e para seu partido uma situação delicada.

Como se recordam os que viram a propaganda questionada, esta acusou Imbassahy – que está apoiando a candidatura de ACM Neto à prefeitura – de responsabilidade pela decisão de reduzir o traçado do metrô de 12 para seis quilômetros, quando era prefeito.

Imbassahy acredita que não terá dificuldade jurídica alguma para obter o direito de resposta. Tratando como “uma mentira” a afirmação contida na propaganda do candidato do PT, ele explica que a redução do projeto foi determinada “pelo governo federal do PT” em meados de 2005, quando já governava Salvador, desde o princípio do ano, o prefeito João Henrique, que na época tinha em seu governo muito importante participação do próprio PT, inclusive com indicações feitas sob forte influência do deputado Nelson Pelegrino, que detinha o controle do diretório municipal petista e, na prática, comandava o PT na capital.

Imbassahy afirmou ontem que a propaganda eleitoral petista cometeu “uma leviandade” e acrescentou que “eu jamais aceitaria transformar o projeto original em um metrô calça-curta, o que considero um desrespeito com a nossa população”.

O ex-prefeito de Salvador lembrou que a decisão do governo federal petista recebeu, na época, críticas severas do então secretário municipal de Transportes e Infraestrutura, Nestor Duarte Neto, então filiado ao PSDB e que hoje está no comando da Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia, um órgão do governo estadual. Nestor Duarte Neto definiu o corte no traçado do metrô como um erro gravíssimo, assinalou Imbassahy, completando, numa declaração ao site Política Livre: “Está em todos os jornais da época, é só procurar”.

Imbassahy vem qualificando a “mentira” da campanha do PT como “propaganda enganosa”. Não lhe foi perguntado a quem ela procuraria enganar.
ESTRATÉGIA

Na fase de campanha eleitoral para o primeiro turno das eleições, a ampla coligação partidária liderada pelo PT e que tem como candidato a prefeito o deputado Nelson Pelegrino contou com circunstâncias ideais para colocar na defesa o principal candidato da oposição, ACM Neto.

Uma delas, o fato de Pelegrino ter quase o triplo do tempo de ACM Neto na propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Houve outras circunstâncias favoráveis a tal estratégia, entre elas a participação de candidatos que constituíam, na verdade, linha auxiliar da candidatura petista, como é o caso óbvio do deputado Márcio Marinho.

As circunstâncias na campanha para o segundo turno são diferentes, favorecem muito menos a estratégia petista de ficar na ofensiva e manter o adversário na defesa. Mesmo assim, parece, pelos primeiros passos, que a campanha petista se dispõe a tentar repetir a estratégia. Esse ataque claramente não apoiado nos fatos a Imbassahy (para atingir ACM Neto por tabela) não é o único sinal. A pressa em trazer a um comício em Salvador ainda na próxima sexta-feira (ela que cancelara um comício em São Paulo no mesmo dia) a presidente Dilma Rousseff é outro indício da tentativa de manter a estratégia do primeiro turno, de não abrir espaço para o adversário ir ao ataque.

Até porque ACM Neto está com disposição de sair das cordas e atacar, segundo o que disse logo após a contagem dos votos do primeiro turno: que nesta segunda fase iria “desmascarar” a candidatura adversária.

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