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OPINIÃO POLÍTICA

Ainda as pesquisas

Ivan de Carvalho

Anuncia-se para a sexta-feira à noite, pela TV Bahia, a divulgação da primeira pesquisa do Ibope para o segundo turno das eleições. O instituto teria começado ontem a coleta de dados – entrevistas com eleitores da capital – e são poucas as chances de que esta sondagem tenha tempo de captar sequer em parte os efeitos do primeiro debate dos dois candidatos a prefeito nesta nova fase da campanha eleitoral. O debate deve ocorrer na noite de quinta-feira na TV Bandeirantes, como sempre começando tarde e terminando mais tarde ainda.

Talvez se possa até dizer, sem agredir a realidade demonstrada pelo ocorrido durante a campanha e mesmo em 7 de outubro, dia das eleições em primeiro turno – com a tresloucada pesquisa de boca de urna que fez na capital baiana – que o Ibope parece não estar em condições de captar coisa alguma sobre as tendências do eleitorado da capital.

Já tratei ontem dos resultados distorcidos que o Ibope apresentou sobre as tendências do eleitorado de Salvador e o quase inevitável favorecimento em que eles implicaram em favor de um dos candidatos, o do PT e em detrimento de outro, o do Democratas. Neste caso, cumpriu papel extremamente importante neste sentido a pesquisa Ibope divulgada no dia 27 de setembro (por equívoco, referi-me ontem a ela como se divulgada num futuro 27 de outubro, mas se o Ibope erra feio nas suas viagens estatísticas, também posso fazer a minha inofensiva viagem no tempo).

Vale, no entanto, insistir no fato de que erros clamorosos foram cometidos pelo Ibope. Isso aconteceu em várias outras capitais de estados, mas destacam-se os casos de Salvador, Manaus e Curitiba. Em Manaus, onde os candidatos principais eram o ex-senador Arthur Virgílio e a senadora Vanessa Grazziotin, do PC do B, o Ibope os colocou em empate para o segundo turno. Mas, nas urnas, o tucano teve 40 por cento dos votos válidos e a comunista não chegou aos 20 por cento. Feliz, não com o resultado eleitoral, mas, antes, com o da pesquisa Ibope, deve ter ficado o ex-presidente Lula, que considera Arthur Virgílio um inimigo, pois não o perdoa de, como líder tucano no Senado, haver influído muito para a extinção da CPMF, que seu governo tentava eternizar.

Muito errou o Ibope e, ainda que em menor intensidade e quantidade, mas ultrapassando a razoabilidade, também o Datafolha. O Vox Populi botou a cara, fazendo uma pesquisa por encomenda da Rede Bandeirantes, mas em seguida recolheu-se.

As “margens de erro” costumam ser invocadas pelos institutos para justificar seus desacertos, mas elas não explicam de modo nenhum, ao contrário do que deu a entender a diretora do Ibope-Inteligência, um erro como o cometido em Manaus pelo Ibope. Nem cabe nas “margens de erro” o erro cometido pelo mesmo instituto na absurda pesquisa de boca de urna em Salvador, com sete pontos percentuais de frente para o candidato que ficou atrás – uma doideira ou uma demonstração de que o eleitorado de Salvador é composto de mentirosos. A atuação do instituto em Salvador foi tão complicada que o candidato classificado em primeiro lugar para o segundo turno, ACM Neto, em um momento de festa e desabafo, quase gritou para os jornalistas – “Vencemos o Ibope”.

A opinião do repórter é a de que o Ibope e similares devem falar menos em margens de erro e conseguir alguma margem de acerto.

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Comentários

Graça Azevedo on 16 outubro, 2012 at 14:32 #

Deve mesmo e por isso precisa modificar a sua metodologia. O Ibope foi o instituto que entrevistou o menor número de eleitores (não apenas em Salvador)Agora, se há uma intenção de ajudar ou prejudicar, ai não tem metodologia que dê certo!


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