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OPINIÃO POLÍTICA

O Ibope em Salvador

Ivan de Carvalho

O Ibope está se desmanchando em explicações dificilmente aceitáveis para seus erros nas pesquisas eleitorais. Praticamente inaceitáveis quando se considera tratar-se do instituto brasileiro de pesquisa de opinião pública mais antigo entre os grandes, o que, de longe, acumula maior experiência, inclusive no setor de pesquisas eleitorais, e o que tem uma estrutura maior.

Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, a diretora-executiva do Ibope-Inteligência, Márcia Cavallari, mostrou pouca imaginação ao tentar explicar os erros cavalares do instituto em várias capitais de estados – entre elas, Salvador, Manaus e Curitiba, os desacertos mais espetaculares – em relação ao primeiro turno das eleições para prefeito. Segundo ela, o eleitor brasileiro se empolga menos com as eleições e, preocupado em não repetir erros de votações anteriores, decide cada vez mais na última hora em quem votar.

Ora, caso se aprofunde pouquinha coisa mais essa tendência de cada vez mais eleitores deixarem para decidir na última hora, o Ibope e os demais institutos melhor fariam se pusessem a viola no saco durante as campanhas eleitorais e se limitassem a fazer pesquisas de boca de urna, nas quais, indica o bom senso, os eleitores que já terão votado ou estarão entrando no local de votação já decidiram.

Mas nem isso resolveria o problema do Ibope em Salvador, onde errou feio até na pesquisa de boca de urna por expressionantes (ouvi esta palavra no último sábado, pela primeira vez, e aprovo sua criação, se para efeito de desqualificação da recente atuação do Ibope) sete pontos percentuais dos votos válidos.

Curioso foi o sistema de erro seletivo do Ibope em Salvador. Na pesquisa de boca de urna, deu 43 por cento dos votos válidos a Pelegrino, do PT, contra 36 por cento para o democrata ACM Neto. E, em princípio, não dá nem para suspeitar que haja sido um erro intencional, pois essa pesquisa é a única que não poderia ter influência nas eleições, já que sua divulgação é permitida apenas após o fechamento das urnas.

Nas duas pesquisas anteriores, o Ibope também errou feio. Na noite de sábado, 6 de outubro, menos de 12 horas antes de se iniciar a votação do domingo, 7, o Ibope deu ao candidato do PT seis pontos percentuais a mais que os atribuídos ao candidato democrata, considerados apenas os supostos votos válidos – 43 a 37. Pelo total de votos, seriam cinco pontos, 34 a 29. No entanto, apesar da pesquisa Ibope de boca de urna e dessa pesquisa cujos resultados foram divulgados no sábado (feita, segundo anunciado, de segunda a sábado), o candidato ACM Neto conseguiu ir para o segundo turno em primeiro lugar, embora por estreitíssima vantagem sobre o competidor Nelson Pelegrino.

O problema maior para a informação correta da sociedade, do eleitor e dos candidatos foi a pesquisa Ibope divulgada no dia 27 de outubro. Deu 43 a Pelegrino e 41 a ACM Neto. Foi peça importante na divulgação espontânea pela mídia e mais ainda na propaganda eletrônica do candidato a prefeito pelo PT. Foi a pesquisa da “virada” e do “Pelegrino está na frente”. O eleitor Maria Vai com as Outras, que vota em quem ele pensa que vai ganhar, pendeu para Pelegrino. A pesquisa também roubou a Neto, pelo menos publicamente, a liderança na preferência dos eleitores e, com ela, o quase único instrumento de que dispunha para atrair doações de recursos para a campanha, enquanto a campanha petista, que tinha como atrativo para os doadores o apoio dos governos federal e estadual, passou a ter também o da suposta liderança.

Finalmente, a máquina de campanha de Pelegrino sentiu-se estimulada, enquanto a de ACM Neto não se deixou deprimir apenas porque dispunha de pesquisas internas (tracking diário) segundo as quais o petista se aproximara, mas em nenhum momento ultrapassara o democrata.

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Comentários

danilo on 15 outubro, 2012 at 9:08 #

institutos de pesquisas vivem a reboque dos governos. está tudo dominado.

nenhuma credibilidade para Datafolha, Ibope, Vox Populi de Marcos PT Coimbra, CNI Sensua da CUT, IBOPE lullo-petista.

olho de soslaio pra esses caras porque aí tem borogodó. chama o Joaquinzão Barbosa pra condenar estes institutos.


Graça Azevedo on 15 outubro, 2012 at 14:57 #

Reveja a data da pesquisa, caro Ivan. Ainda não chegamos a 27 de outubro.
Os institutos falharam na metodologia, na definição da amostra. Um erro metodológico compromete fatalmente o resultado da pesquisa. Não entro no mérito se erraram por má fé ou qualquer outra coisa. Mas, houve erro no dimensionamento da amostra.


Ivan de Carvalho on 15 outubro, 2012 at 18:32 #

Graça,
Realmente você tem razão quanto à data da pesquisa, posta como 27 de outubro. Equívoco, pela pressão do horário de entrega do artigo. A data correta é 27 de setembro.


Benedito Mauricio de Lima on 15 outubro, 2012 at 22:38 #

Lamentavelmente, o IBOPE é semelhante, ou melhor, igual àquele pediatra, Eugênio Chipkevitch, que fez fama e, depois, passou a abusar sexualmente das crianças, suas pacientes. O IBOPE, que serve aos governos, independemente do partido político, deveria ser banido, ou, ao menos, proibido de divulgar suas pesquisas encomendadas, para iludir os eleitores menos esclarecidos.


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