=================================================

DEU NO IG

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) absolveram nesta segunda-feira o publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes de todos os crimes: lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi um placar de 7 ministros pela absolvição e 3 pela condenação. O publicitário foi responsável pela campanha presidencial que elegeu Lula em 2002.

Outros três réus também foram absolvidos da acusação de evasão de divisas no esquema do mensalão. Numa sessão marcada pela rapidez dos votos de vários ministros, a Corte também condenou o publicitário Marcos Valério e outros quatro réus pelo mesmo crime.

A lista de absolvidos inclui ainda Cristiano Paz, ex-sócio do publicitário Marcos Valério; Geiza Dias, funcionária da SMP&P; e Vinicius Samarane, ex-diretor do Banco Rural. Os três por falta de provas, segundo argumento da maioria dos ministros. A única divergência sobre estes três réus foi de Marco Aurélio Mello apenas com relação a Geiza Dias. Para o ministro, ela foi a “autora material” do crime de evasão.

Já a relação dos condenados inclui, além de Valério, seu ex-sócio Ramon Hollerbach e a ex-diretora da SMP&B Simone Vasconcelos. No chamado núcleo financeiro do esquema, a ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello e o ex-vice-presidente do banco José Roberto Salgado. Sobre esse núcleo, a divergência se deu apenas no voto da ministra Rosa Weber. Ela considerou que Kátia e Salgado não cometeram o crime de evasão.

A maioria dos ministros absolveu o publicitário do crime de lavagem referente a saques feitos no Banco Rural por Zilmar Fernandes no total de R$ 1,4 milhão e ainda na parte que trata dos 53 depósitos feitos na conta da offshore Dusseldorf, em operações que envolveram Valério e o núcleo do Rural. Neste caso, o das 53 operações, apenas três ministros condenaram o publicitário e sua sócia, enquanto outros sete foram favoráveis à absolvição. Houve unanimidade entre os ministros do STF para absolver Duda e Zilmar na parte da denúncia que os acusa de lavagem pelos saques feitos na agência do Banco Rural em São Paulo. Na acusação de evasão de divisas, Marco Aurélio Mello foi a única divergência para condenar os dois. Os outros nove ministros não viram provas suficientes do Ministério Público e os absolveram.

Para Celso de Mello, o decano da Corte, não ficou provado que Duda e Zilmar tinham conhecimento da existência de crimes antecedentes relativos aos recursos recebidos no exterior por meio de uma offshore. Mais uma vez os ministros discutiram sobre este aspecto da denúncia. O relator, Joaquim Barbosa, afirmou que o crime antecedente seria a evasão de divisas feita em cada remessa. Ele disse ainda que somente depois do escândalo se descobriu que a conta era de Duda. O advogado de Duda, Antonio Carlos de Almeida Castro, usou a tribuna para dizer que o publicitário não escondeu a titularidade da conta.

Na hora do voto do ministro revisor do julgamento do mensalão, Ricardo Lewandowski, ele e o relator Joaquim Barbosa divergiram e tiveram novo bate-boca. Diferentemente de Barbosa, Lewandowski, o segundo a votar, absolveu Duda e Zilmar de todas as acusações de lavagem de dinheiro. “O objetivo dos réus nunca foi o de fazer branqueamento de capitais (…) Os saques do Banco Rural são pagamentos por serviços prestados”, afirmou.

“Duda Mendonça e Zilmar ( Fernandes ) receberam créditos a que tinham direito, declararam créditos à Receita ( Federal ) e houve uma auditoria por parte da Receita na empresa deles e nada se constatou de irregular”, disse o revisor. “Não se cogitava crime contra a administração pública na época dos saques. Os réus não tinham como saber os fatos futuros.”

Ele acrescentou que, por parte de Zilmar, não houve tentativa de ocultar o recebimento do dinheiro em espécie na agência do Banco Rural. “Os saques foram feitos pela ré sem intermediário e sem dissimulação, com a apresentação de identidade e assinatura em recibo.”

Quanto à acusação referente às remessas ao exterior, o ministro afirmou que o dinheiro pago a Duda e Zilmar não era oriundo de crimes contra a administração pública, nem contra o sistema financeiro.

Bate-boca

Enquanto indicava a absolvição de Duda e Zilmar em seu voto, Lewandowski foi interrompido por Barbosa, que disse que havia sido claro na sua exposição pela condenação dos réus. “Eu tenho dúvidas ( sobre a culpa dos réus ) e Vossa Excelência tem certezas”, rebateu o revisor, acrescentando que a dúvida é sempre em prol do réu. “Quem pretende lavar dinheiro sujo não vai à Receita Federal e paga o que deve”, disse Lewandowski. O relator rebateu: “Ele foi depois, depois dos fatos do mensalão.”

Diante da insistência de Barbosa em defender o voto pela condenação de Duda e Zilmar pelas 53 operações envolvendo o grupo de Valério, Lewandowski reforçou: “Eu respeito Vossa Excelência e espero que Vossa Excelência respeite o meu ponto de vista.”

A expectativa era de que os ministros concluíssem a votação de outro subitem nesta segunda-feira, o que trata dos crimes de lavagem por parte de ex-parlamentares do PT e assessores. Os ministros devem retomar na próxima quarta-feira este capítulo. Faltam apenas os votos de Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto.

(Com Agência Estado e Reuters)

ACM Neto e Pelegrino trocam ataques na volta do horário eleitoral em Salvador

DEU NO UOL/ FOLHA-ELEIÇÕES 2012

NELSON BARROS NETO
DE SALVADOR

Os candidatos a prefeito de Salvador iniciaram com troca de ataques nesta segunda-feira (15) o horário eleitoral do segundo turno. Enquanto o programa de ACM Neto (DEM) chamou o partido adversário de “traidor”, o de Nelson Pelegrino (PT) criticou duramente as alianças do rival.

Ambos fizeram referência logo na abertura ao Dia do Professor, comemorado hoje. Enquanto o petista disse ter havido uma evolução no salário dos profissionais do Estado durante o governo Jaques Wagner (PT), o democrata explorou a greve de 115 dias da rede pública em 2012. “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”, cantou uma professora, para criticar o movimento.

ACM Neto ainda usou o mensalão, mostrou-se favorável às cotas nas universidades públicas (a cidade é a mais negra do Brasil) e prometeu ampliar o Bolsa Família, programa do governo federal, do PT. “Eles dizem que vou acabar com o Bolsa Família. É mentira”, declarou.

O programa de TV também mostrou depoimentos dos senadores José Agripino Maia (DEM-RN) e Álvaro Dias (PSDB-PR), assim como uma fala do candidato a vice do PMDB no primeiro turno, Nestor Neto –o partido fechou com os Democratas na capital baiana.

Porém, sem concordar com a decisão, o candidato da sigla, Mário Kertész (terceiro na disputa, com 9% dos votos), ficou com Pelegrino. E apareceu no horário petista junto com o bispo Márcio Marinho (quarto, com 6%), do PRB.

O discurso da dupla tocou no principal ponto da campanha: a parceria com os governos estadual e federal.

O programa petista ainda ligou ACM Neto a dois tucanos paulistas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra, citados para contrapor “o projeto político de Lula e Dilma”.

No final, alfinetou a aliança do DEM com o PMDB, “a mesma turma que elegeu em 2008 o prefeito João Henrique” –hoje dono de 75% de reprovação, conforme o Ibope.

Os dois concorrentes terminaram praticamente empatados no primeiro turno: ACM Neto com 40,17% dos votos válidos e Pelegrino, com 39,73%.

DEU NO IG

O relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa, condenou, nesta segunda-feira (15), o publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes pelo crime de lavagem de dinheiro, referente a 53 depósitos recebidos em uma conta no exterior. No entender do relator, essa remessa de valores teve sua origem ocultada pelos réus. Anteriormente, Barbosa havia absolvido Duda e Zilmar pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionados à operação envolvendo cinco saques realizados na agência do Banco Rural em São Paulo.

De acordo com o ministro, os réus ocultaram a origem da remessa de valores enviados a uma conta criada por Duda em uma offshore em Bahamas – a Dusseldorf -, uma vez que não declararam o montante ao Banco Central e à Receita Federal. Duda foi o responsável pela campanha que elegeu o ex-presidente Lula em 2002 e teria usado a conta para receber os pagamentos das dívidas contraídas pelo PT através de Marcos Valério – apontado como operador do mensalão. O montante recebido por Duda e Zilmar através desses 53 depósitos, segundo o relator, é de R$ 10,4 milhões.

“Tudo o que foi depositado naquela conta foi providenciado por Valério e Simone (Vasconcelos) era quem avisava dos pagamentos”, disse, citando a ex-diretora da SMP&B, uma das empresas de Valério. “Não há provas para dizer que Duda e Zilmar sabiam dos crimes antecedentes, então não se pode dizer sobre o crime de evasão de divisas (…) Mas tinham conhecimento de que os 53 depósitos foram realizados por meio de saídas ilegais ao exterior pelo grupo de Valério, que contou com o apoio do núcleo financeiro do Rural.”

Anteriormente, Barbosa havia absolvido Duda e Zilmar por lavagem de dinheiro, referente aos cinco saques feitos na agência do Banco Rural em São Paulo, no valor total de R$ 1,4 milhão. Segundo o ministro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não conseguiu reunir provas suficientes para a condenação dos dois, nesta parte da acusação.

Barbosa também considerou que os dois réus não podem ser condenados pelo crime de evasão de divisas e os absolveu. No entanto, ele se disse aberto a mudar sua posição, dependendo da discussão sobre o fato em plenário. “Estou aberto a outra solução”, afirmou. Durante o debate, o revisor, Ricardo Lewandowski, adiantou seu voto, e absolveu Duda e Zilmar por evasão de divisas.

De acordo com o relator, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares foi quem pediu que Zilmar falasse com Valério para que ele quitasse a dívida do partido pelos serviços prestados na campanha de 2002.

No encontro, Valério teria indicado que ela receberia o primeiro pagamento em uma agência do Banco Rural. Barbosa listou os repasses, que, de acordo com ele, seguiram “o mesmo esquema de lavagem de dinheiro disponibilizado pelo Banco Rural por meio do grupo de Valério”. O banco, segundo o relator, registrava que os saques eram feitos não pela sócia de Duda Mendonça, mas pela SMP&B, agência de Valério, e que os montantes eram destinados a pagamento de fornecedores.

Segundo o ministro, entretanto, “não há como afirmar que ambos integravam a quadrilha e a organização criminosa ou mesmo que tinham conhecimento dos crimes anteriores”. “É até possível que tinham o objetivo de sonegar tributos, porém foram denunciados neste item por lavagem de dinheiro, e não por sonegação fiscal.”

Quanto à acusação de evasão de divisas relativa à operação envolvendo saques no Banco Rural, Barbosa falou que Duda e Zilmar mantinham depósitos no exterior superiores a US$ 100 mil, o que é proibido por lei. Entretanto, à época dos acontecimentos, havia uma brecha nas regras que tratavam da declaração de depósitos desta espécie ao Banco Central. Segundo Barbosa, não importava o quanto de dinheiro era movimentado durante o ano, contanto que, ao tempo da declaração, não houvesse valores superiores a US$ 100 mil.

O ministro citou que nos dias 31 de dezembro de 2003 e 31 de dezembro de 2004 nem Duda nem Zilmar tinham depositado no exterior mais do que o limite permitido.

(Mais informações sobre o Mensalão no IG)


========================================

Malala Yousafzai, que foi baleada e ferida por militantes do Taleban por defender a educação feminina, foi transferida nesta segunda-feira, 15, para a Grã-Bretanha. Em novo hospital, ela dará continuidade aos tratamentos, segundo informou o serviço de comunicação do Exército do Paquistão (ISPR).

Em comunicado, o ISPR disse que a decisão foi tomada com a família da militante, que tem 14 anos. Também segundo o ISPR, Malala está fora de perigo e se recupera de maneira estável. A tranferência aconteceu depois que a família real dos Emirados Árabes Unidos enviou um avião-ambulância a Islamabad para transportar Malala ao país.

A menina estava em um hospital militar na cidade de Rawalpindi, no sul de Islamabad, para onde foi transferida após a extração de uma bala hospedada no pescoço, perto da medula espinhal. Segundo os médicos, o ritmo de recuperação nos próximos dias será crucial para determinar suas chances de sobrevivência e de possíveis sequelas.

out
15
Posted on 15-10-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-10-2012


Algemas à mostra da foto histórica que correu mundo

===============================================

OPINIÃO

Meu amigo Zé

Flávio Tavares

Tempos atrás, na prisão da ditadura, o carcereiro o chamava de “Cabeleira” e, hoje, outra vez ele está de cabelos longos, como se voltasse ao passado. Conheço José Dirceu há 43 anos e, nele, admiro e valorizo a coragem pessoal. A amizade começou naquele 6 de setembro de 1969 em que, sob a mira de metralhadoras, nos algemaram na Base Aérea do Galeão. Saíamos da prisão (ele em São Paulo, eu no Rio) e nos levaram à pista para uma foto que percorreu o mundo: os presos políticos trocados pelo embaixador dos Estados Unidos junto ao avião, rumo ao exílio no México. Era proibido falar, mas nos segundos em que mandaram que eu me agachasse, sussurrei: “Vamos mostrar as algemas!”

E ali está ele na foto, altivo, mãos ao peito, com as algemas que a maioria escondia, mostrando que preso político não é um criminoso envergonhado do que fez, mas um dissidente que desafia quem oprime. Foi a primeira e única vez na vida que Zé Dirceu me obedeceu…

A intimidade do exílio nos aproximou. Um canal de TV convidou-me a dublar telenovelas mexicanas em português e levei junto Zé Dirceu. Eu dublava e coordenava o grupo e o designei “primeiro ator”. Dias depois, porém, ele e os demais viajaram para Cuba. Só eu permaneci no México e, assim, nem sequer nossas vozes retornaram ao Brasil, para onde não podíamos voltar.

Ele, porém, desafiou a proibição. A morte era a pena imposta ao retorno dos desterrados, mas Zé voltou, clandestino, em 1972, na euforia e terror do general Medici. Treinado em guerrilha, queria aliar-se aos que combatiam a ditadura, mas na chegada a São Paulo viu que a repressão dizimava seu grupo e ele seria a próxima vítima. Homiziou-se no oeste do Paraná e mudou de nome. Passou a ser Carlos Henrique, pacato comerciante de secos e molhados num recôndito município. Lá, casou-se e foi pai sem revelar quem era nem sequer à mulher e ao filho. A verdade significaria a morte e ele passou a ser outro.

Já não era quem era. Sacrificava a identidade para não ser sacrificado. No exílio, dizia-se que morrera como outros do “grupo Primavera”, nome do lugar de treinamento em Cuba. Com a anistia do final de 1979, voltou a ser o Zé. Laborioso e hábil, presidiu o PT e o tirou do atoleiro de seita fechada ou partido sindical. Mas, ao se abrir à sociedade, o PT assimilou os velhos vícios políticos, como vírus pelas veias.

Quando Lula presidente, eram de Zé Dirceu os planos e atos de governo. Lula presidia, Zé governava. Irmãos siameses, um era a extensão do outro. A simpatia ficava com Lula, as antipatias com Zé. Pródigo em metáforas esportivas, o presidente o chamava de “capitão do time”. Mas Zé era dos poucos que não jogava bola com Lula em fins de semana na Granja do Torto. Trabalhava noutras jogadas com outras bolas. Assim, o governo obteve maioria no Congresso e, hoje, se sabe a que preço e como – subornando o PMDB, o PTB, o PP de Maluf e o PL, que hoje é PR.

Em 2005, no topo do escândalo, sabe-se que Lula pensou em renunciar para “não ser um novo Collor”. Outra vez a coragem de Zé Dirceu brotou como água no deserto e ele é que renunciou. Com o gesto, assumiu as responsabilidades e blindou Lula em pleno tiroteio. “Eu não sabia de nada, fui traído”, dizia Lula, admitindo o suborno quando ainda se desconheciam os detalhes. Preferia passar por tolo do que por chefe do governo.

Agora, as 40 mil folhas do processo no Supremo Tribunal mostram o “mensalão” como um elaborado esquema de corrupção e suborno montado a partir “da alta cúpula do governo”. Mas, o mais alto da “alta cúpula” não é réu. A não ser que o presidente fosse alienado absoluto ou pateta total, como explicar que um simples diretor de marketing do Banco do Brasil desviasse R$ 28 milhões do fundo Visanet sem autorização superior? A diretoria do banco nada percebeu? E a inspeção do Banco Central?

Não há suborno sem subornáveis e a degradação dos partidos gerou tudo. A “partidocracia” se sobrepôs à democracia. Roberto Jefferson fez a denúncia por sentir-se “lesado” ao receber só uma das cinco parcelas de R$ 4 milhões prometidas ao PTB… Com partidos transformados em balcões de negócios, o astucioso “mensalão” quebrou a oposição criando uma “base alugada” como base aliada.

A degradação chegou ao próprio PT. Numa das vezes em que estive com Zé Dirceu, após a cassação, ele me mostrou como a Polícia Federal invadira seu escritório em busca de documentos. Tarso Genro era ministro da Justiça e na disputa interna todos queriam comprometer Dirceu para tornar-se “o favorito do rei”.

E as provas da fraude? Na engrenagem clandestina, oculta-se tudo. Ou alguém pensa que os corrompidos assinam recibo? Ou que João Paulo Cunha e os demais de São Paulo emitiram “nota paulista” pelo que abocanharam?

Nos delitos de alto nível, os indícios constroem a prova. Os Bancos do Brasil, Rural e BMG geraram as milionárias movimentações do esquema e daí surge tudo. Não foi sequer como no tempo de Fernando Henrique, quando a tão comentada compra de votos que permitiu a reeleição de presidente, governador e prefeito, surgiu numa manobra rápida, até hoje sem autor plenamente identificado.

Na tragédia, o terrível é que a determinação de Zé Dirceu o tenha levado ao topo de tudo, como bode expiatório da degradação maior. Mas nem seu passado de coragem pode livrá-lo da parcela de culpa. O passado não está em julgamento nem serve de escudo ao presente.

FLÁVIO TAVARES É JORNALISTA, ESCRITOR E FOI UM DOS 15 PRESOS POLÍTICOS TROCADOS PELO EMBAIXADOR DOS EUA EM 1969 – O Estado de S.Paulo


================================================
Um clipe fantástico para a composição musical de Gordurinha e a perfeita interpretação de Gilberto Gil, com arranjo nota 10. Confira.

(Vitor Hugo Soares)


(Foto: Henrik Montgomery/AFP)/Público
==================================================

Os norte-americanos Alvin Roth e Lloyd Shapley foram anunciados esta segunda-feira , 15, como vencedores do Prémio Nobel da Economia 2012.

O Prémio Nobel de Ciências Económicas premia este ano as investigações de Shapley, de 89 anos, da Universidade da Califórnia, e Lloyd Shapley, de 60 anos, docente na Universidade de Harvard, sobre “soluções práticas para um problema do mundo real”.

Durante o anúncio, destacou-se que este é um prémio pela “engenharia económica” e sobre como “desenhar um mercado que funcione bem”.

Os dois investigadores debruçaram-se sobre as ligações de diferentes agentes económicos como estudantes com escolas ou doadores de órgãos com doentes.

“Não estava à espera. Estava à espera que Lloyd Shapley ganhasse [mas não eu]”, reagiu Alvin Roth, num telefonema transmitido pouco depois do anúncio oficial.

out
15
Posted on 15-10-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-10-2012


==========================================
Cazo, hoje.no Jornal do Comércio(PE)

===========================================

OPINIÃO POLÍTICA

O Ibope em Salvador

Ivan de Carvalho

O Ibope está se desmanchando em explicações dificilmente aceitáveis para seus erros nas pesquisas eleitorais. Praticamente inaceitáveis quando se considera tratar-se do instituto brasileiro de pesquisa de opinião pública mais antigo entre os grandes, o que, de longe, acumula maior experiência, inclusive no setor de pesquisas eleitorais, e o que tem uma estrutura maior.

Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, a diretora-executiva do Ibope-Inteligência, Márcia Cavallari, mostrou pouca imaginação ao tentar explicar os erros cavalares do instituto em várias capitais de estados – entre elas, Salvador, Manaus e Curitiba, os desacertos mais espetaculares – em relação ao primeiro turno das eleições para prefeito. Segundo ela, o eleitor brasileiro se empolga menos com as eleições e, preocupado em não repetir erros de votações anteriores, decide cada vez mais na última hora em quem votar.

Ora, caso se aprofunde pouquinha coisa mais essa tendência de cada vez mais eleitores deixarem para decidir na última hora, o Ibope e os demais institutos melhor fariam se pusessem a viola no saco durante as campanhas eleitorais e se limitassem a fazer pesquisas de boca de urna, nas quais, indica o bom senso, os eleitores que já terão votado ou estarão entrando no local de votação já decidiram.

Mas nem isso resolveria o problema do Ibope em Salvador, onde errou feio até na pesquisa de boca de urna por expressionantes (ouvi esta palavra no último sábado, pela primeira vez, e aprovo sua criação, se para efeito de desqualificação da recente atuação do Ibope) sete pontos percentuais dos votos válidos.

Curioso foi o sistema de erro seletivo do Ibope em Salvador. Na pesquisa de boca de urna, deu 43 por cento dos votos válidos a Pelegrino, do PT, contra 36 por cento para o democrata ACM Neto. E, em princípio, não dá nem para suspeitar que haja sido um erro intencional, pois essa pesquisa é a única que não poderia ter influência nas eleições, já que sua divulgação é permitida apenas após o fechamento das urnas.

Nas duas pesquisas anteriores, o Ibope também errou feio. Na noite de sábado, 6 de outubro, menos de 12 horas antes de se iniciar a votação do domingo, 7, o Ibope deu ao candidato do PT seis pontos percentuais a mais que os atribuídos ao candidato democrata, considerados apenas os supostos votos válidos – 43 a 37. Pelo total de votos, seriam cinco pontos, 34 a 29. No entanto, apesar da pesquisa Ibope de boca de urna e dessa pesquisa cujos resultados foram divulgados no sábado (feita, segundo anunciado, de segunda a sábado), o candidato ACM Neto conseguiu ir para o segundo turno em primeiro lugar, embora por estreitíssima vantagem sobre o competidor Nelson Pelegrino.

O problema maior para a informação correta da sociedade, do eleitor e dos candidatos foi a pesquisa Ibope divulgada no dia 27 de outubro. Deu 43 a Pelegrino e 41 a ACM Neto. Foi peça importante na divulgação espontânea pela mídia e mais ainda na propaganda eletrônica do candidato a prefeito pelo PT. Foi a pesquisa da “virada” e do “Pelegrino está na frente”. O eleitor Maria Vai com as Outras, que vota em quem ele pensa que vai ganhar, pendeu para Pelegrino. A pesquisa também roubou a Neto, pelo menos publicamente, a liderança na preferência dos eleitores e, com ela, o quase único instrumento de que dispunha para atrair doações de recursos para a campanha, enquanto a campanha petista, que tinha como atrativo para os doadores o apoio dos governos federal e estadual, passou a ter também o da suposta liderança.

Finalmente, a máquina de campanha de Pelegrino sentiu-se estimulada, enquanto a de ACM Neto não se deixou deprimir apenas porque dispunha de pesquisas internas (tracking diário) segundo as quais o petista se aproximara, mas em nenhum momento ultrapassara o democrata.

======================================
Bravo, Neil! Bravissimo!

bom começo de semana para todos!!!

(VHS)

  • Arquivos