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Dilma e Brizola:ligação além das palavras

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ARTIGO DA SEMANA

Dilma no fogo em Sampa e Salvador

Vitor Hugo Soares

É como gostava de dizer o gaúcho Leonel Brizola: “Chegou a hora de mostrar quem tem farinha no saco para vender na feira”. Autor de frases consagradas, inúmeras delas merecedoras de integrar antologias sobre o jeito brasileiro de fazer política em disputas eleitorais, esta era uma das expressões preferidas e das mais famosas e repetidas pelo ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.

Isso desde que o conheci no exílio, quando, repórter do Jornal do Brasil – na fase mais dramática e ameaçadora da Operação Condor na América Latina – o visitei na sua estância do distrito de Carmen, província de Durazno, no Uruguai.

Na verdade, esta era uma frase recorrente do fundador do PDT. Ele a brandia em geral quando diante de desafios pessoais e políticos, ou quando desejava fustigar adversários atravessados em seu caminho ou na sua garganta.

De volta ao Brasil, Brizola buscou socorro da frase principalmente em quadras de campanhas eleitorais tão explosivas, carregadas de dúvidas, de mudanças de vento, de trocas de lado, ou motivadoras de expectativas como as que começaram a se delinear esta semana, nos primeiros movimentos dos partidos, dos candidatos e dos governos ( federal e estaduais principalmente) para a disputa do segundo e decisivo turno das eleições municipais.

Em alguns cenários onde, tudo indica, teremos embates encarniçados antes do resultado das urnas de 28 de outubro, a frase se encaixa com perfeição. Mas cai como luva, mesmo, quando os palcos à nossa frente são os que estão sendo montados para a disputa pelo comando do poder municipal de duas capitais simbólicas do País, nestas eleições de 2012: Salvador, de onde escrevo estas linhas, e São Paulo, onde estive há poucos dias.

Praças mais que tomadas por uma guerra ainda indefinida quanto aos vencedores, cujo tiroteio já deixou muitos abatidos pelo caminho no primeiro turno, mas onde aparecem novos “heróis” na hora de vender farinha na feira.

A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, que atuou à meia boca em sua barraca de feira eleitoral na primeira fase da campanha (subiu em palanques apenas na capital paulista e em Belo Horizonte), dá sinais evidentes de ter despertado, de repente, para as palavras de Brizola.

Isso até pode ser considerado natural, diga-se a bem da verdade dos fatos. Afilhada dileta do ex-presidente Lula, atualmente, foi nos braços e no partido do falecido líder gaúcho que ela foi acolhida e abrigada quando largou a clandestinidade do tempo de luta contra a ditadura, e entrou no PDT, depois de deixar sua Belo Horizonte natal para morar em Porto Alegre. Entre PT e PDT balança ainda, visivelmente, o coração da presidente da República.

No meio dos pedidos de socorro de candidatos, governadores (como Jaques Wagner, da Bahia) e dirigentes partidários – no frenético entra e sai do Palácio do Planalto estes dias – o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, comunicou na quinta-feira (11): “a presidente Dilma participará de eventos de campanha em São Paulo e Salvador”.

Depois de reunião com Dilma, na manhã de quinta, o presidente do PC do B, Renato Rabelo, revelou que está acertado, também, a participação da presidente da República em um comício em Manaus, marcado para o dia 18. Gilberto Carvalho adiantou que Dilma poderá, ainda, gravar propaganda eleitoral para outros candidatos, observando casos onde não haja disputa entre o PT e partidos da base aliada.

“Da parte dela, continuará havendo cuidado com relação aos partidos da base aliada, salvo uma ou outra exceção, a tendência dela é ir aonde não há problemas, digamos, com a base aliada”, ressalva o ministro. O “digamos”, no caso, é ótimo. É bom prestar atenção.

Resumo da ópera, como diz o blogueiro Chico Bruno, em seu site na Bahia: Em São Paulo, o petista Fernando Haddad, depois de subida surpreendente, empurrado por Lula, disputa a prefeitura com José Serra (PSDB) e as primeiras pesquisas não são nada boas para o tucano. Em Salvador, estão na reta final ACM Neto (DEM) ( o mais votado no primeiro turno) e Nelson Pelegrino (PT), segundo colocado, mesmo tendo contado com o ex-presidente Lula e o governador Jaques Wagner em seu palanque, no primeiro turno. Vanessa Grazziotin (PCdoB) e Artur Virgílio (PSDB) brigam em Manaus.

Neste cenário de guerra e decisões, que conta muito quando se olha para o horizonte de 2014, certamente Brizola já teria disparado a sua frase da farinha e da feira, Dilma Rousseff anuncia sua entrada no fogo para valer. “Quem entra no fogo”…, diz outro ditado popular muito ouvido em tempo de eleição. Complete-o quem quiser, porque esta é outra história. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista – Email: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Graça Azevedo on 13 outubro, 2012 at 10:55 #

Uma coisa não necessitamos conferir: Brizola sabia das coisas.


luiz alfredo motta fontana on 13 outubro, 2012 at 11:01 #

Brizola e Dilma?

Difícil imaginar essa dupla.

Dilma é muito tosca, não passa da página 2 da visão de mundo que detinha Brizola (não fazendo nenhum juizo de mérito e sim de conteúdo).

Dilma parece mais ao natural como devota assistente de Lula, aquele que nada sabe e muito menos leu.

Está certo, lembrarão alguns, o companheiro de Dilma , à época, era brizolista e arrumou uma vaguinha nas hostes brizolistas, ir além disto, é temerário.

Misturar Brizola com Dilma e Lula, entristece o sábado, confunde conceitos, e valoriza os toscos.


jader on 13 outubro, 2012 at 11:23 #

Parabens Vitor por alegrar o sabado com excelente artigo!!!!!!!!!!!!! A história comprova a grande sabedoria do Briza. Vide 1989!!!!!


danilo on 13 outubro, 2012 at 14:43 #

vale também relembrar o que aconteceu no velório do grande Brizola.

Lula inventou de marcar presença e goi enxotado de lá, aos berros, pelos brizolistas. afinal, o engenheiro Leonel já tinha rompido com o lullo-petismo, acusando o esquema do PT de corrupto e traidor.


luiz alfredo motta fontana on 13 outubro, 2012 at 15:03 #

Grande Danilo

E por laços profundos e insondáveis, aplica-se o mesmo quanto à
criatura, Dona Dilma.


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