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OPINIÃO POLÍTICA

PMDB e segundo turno

Ivan de Carvalho

O principal líder do PMDB da Bahia, Geddel Vieira Lima – irmão do presidente da seção estadual do partido, deputado federal Lúcio Vieira Lima – chegou a Salvador na noite de ontem. Poucas horas antes de seu desembarque na capital baiana, em círculos muito próximos dele, comentava-se o óbvio.

Geddel vinha conduzir conversas internas com lideranças peemedebistas, envolvendo a bancada estadual, o ex-candidato a prefeito Mário Kertész (que ontem já retomara suas atividades de radialista) e algumas outras pessoas, com o objetivo de chegar a uma decisão que se aproximasse o máximo possível de um consenso quanto ao apoio a ser dado a um dos dois candidatos a prefeito classificados para o segundo turno em Salvador, o democrata ACM Neto e Nelson Pelegrino, do PT.

Nos já citados círculos próximos a Geddel Vieira Lima, chamava-se a atenção para declarações do presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, senador por Roraima. Misturando o segundo turno de São Paulo com o de Salvador, o senador acabou falando do que não sabia.

Uma das coisas ditas pelo presidente nacional do PMDB foi a de que o partido, em Salvador, deve se aliar à coligação liderada pelo Democratas, que tem para a prefeitura o candidato ACM Neto. Neste particular, Valdir Raupp avançou o sinal, pois esse apoio realmente pode acontecer, mas não está assegurado ainda, já que a hipótese contrária, de apoio ao candidato governista Nelson Pelegrino não está descartada.

O processo de decisão do PMDB baiano (que está liberado pelo comando nacional do partido para adotar a posição que julgar mais adequada) está em curso, com as conversas já mencionadas para acontecer, em busca de uma decisão tão próxima quanto possível do consenso – já que esperar um consenso absoluto parece inviável.

Um político mais intimamente ligado a Geddel Vieira Lima – após assinalar que no momento fortes pressões se exercem sobre Geddel a respeito da decisão a tomar – faz um reparo enfático a um detalhe das declarações do presidente nacional do partido, Valdir Raupp, que falou sem consultar e obter a autorização do principal interessado e, inclusive, segundo prometeu, ficou de esclarecer suas declarações, repondo as coisas nos devidos lugares.

Geddel, diz o político intimamente ligado a ele e mencionado no parágrafo anterior, caso apoie, com o PMDB baiano, a candidatura de ACM Neto, não pedirá sua exoneração do cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, para o qual foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff.

Afinal, pediria exoneração por qual razão? Ele não está no cargo por nada que diga respeito às eleições deste ano para a prefeitura de Salvador. Foi convidado e aceitou a vice-presidência de Pessoa Jurídica da CEF em função do apoio que o PMDB da Bahia deu à candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República nas eleições de 2010.

Mesmo sob a circunstância de que, na campanha para o primeiro turno, quando o PMDB tinha Geddel como candidato ao governo, Dilma, candidata a presidente, fez campanha eletrônica para o candidato Jaques Wagner, do PT. Apesar disso, no segundo turno, Dilma pôde continuar contando com o apoio de Geddel e do PMDB baiano.

Na realidade, diz o mesmo peemedebista ligadíssimo a Geddel Vieira Lima, se este e o PMDB apoiarem a candidatura a prefeito de Pelegrino é que ele, Geddel, se sentirá obrigado a apresentar sua exoneração da vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal exatamente para que não pareça que apoiou o candidato petista em troca de sua permanência no cargo que ocupa na CEF.

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Comentários

Paulo on 10 outubro, 2012 at 6:35 #

Mário Kertész sempre foi independente. Não obedeceu nem a Antonio Carlos Magalhães, quanto mais a Geddel.


luiz alfredo motta fontana on 10 outubro, 2012 at 7:48 #

Caro Ivan

Aqui, por oportuno o artigo de josias de Souza:

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PMDB negocia apoio a ACM Neto em Salvador

Josias de souza

Terceiro colocado no primeiro turno da eleição de Salvador, o PMDB deve apoiar no segundo round ACM Neto, do DEM, contra Nelson Pelegrino, do PT. Em fase final de negociação, o acordo baiano vai na contramão do pedido feito por Dilma Rousseff ao vice-presidente Michel Temer.

Dilma reuniu-se com Temer na segunda-feira (8). Nessa conversa, a presidente pediu ao vice que se empenhasse pela adesão do PMDB ao PT nas praças em que o partido ficou de fora da disputa final. Mencionou São Paulo e Salvador. Será atendida na capital paulista e desatendida na capital baiana.

Presidente licenciado do PMDB federal, Temer fechou com Lula o apoio da legenda à candidatura petista de Fernando Haddad. O acordo foi celebrado nesta terça (9), em encontro do qual participou Gabriel Chalita, que obteve 13,6% dos votos do eleitorado paulistano na eleição de domingo passado.

Deu-se o inverso em Salvador. Ali, o comando do PMDB é exercido por Geddel Vieira Lima. Amigo de Temer, ex-ministro de Lula e atual vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Geddel faz oposição ao governador petista da Bahia, Jaques Wagner. De olho na disputa pelo governo do Estado em 2014, negocia o apoio a ACM Neto de costas para Pelegrino.

Os movimentos de Geddel produziram um curto-circuito com o senador Valdir Raupp, que responde formalmente pela presidência do PMDB desde que Temer licenciou-se do cargo, em janeiro de 2011. Raupp insinuou que Geddel colocaria o cargo de vice-presidente da Caixa à disposição de Dilma para apoiar ACM Neto.

Ao tomar conhecimento das declarações, Geddel pendurou no Twitter uma nota desaforada: “O Presidente Raupp talvez não conheça um ditado baiano. Vou ensinar a ele: passarinho que muito canta c… [caga] no ninho.” Ficou entendido que não lhe passa pela cabeça tomar a iniciativa de desligar-se da Caixa. Se achar que é o caso, Dilma terá de demiti-lo.

Temer transmitiu a Geddel o pedido da presidente. O entendimento deveria passar por uma recomposição com o rival Jaques Wagner, que anseia pela adesão do PMDB a Pelegrino. O diabo é que o apelo de Dilma e o desejo do governador chegaram a Geddel desacompanhados de atrativos federais ou estaduais capazes de estimuá-lo a modificar seus planos municipais.

Reeleito em 2010, Wagner deixará o governo em 2014. Lançará um candidato à sua sucessão. E não contempla a hipótese de abrir espaço para o PMDB de Geddel nem na cabeça da chapa nem na vice. Compromissado com os partidos que apoiam sua gestão, não contempla a hipótese de oferecer a Geddel nem mesmo a vaga de senador. Alega que não pode levar à prateleira mercadoria que não tem condições de entregar.

De resto, Geddel disse aos correligionários baianos que o próprio Temer protagonizou um episódio que o deixa à vontade para associar-se à caravana de ACM Neto. Na fase de estruturação das coligações, Temer rogara a Geddel que fechasse com o DEM na Bahia. Em troca, o partido de ACM Neto entregaria seu tempo de tevê a Chalita em São Paulo.

Geddel refugou a oferta. Preferiu lançar em Salvador a candidatura de Mário Kertész. Ele saiu das urnas de domingo com 121.894 votos. Ficou em terceiro com 9,43% da preferência do eleitorado. Não é muita coisa. Porém, num segundo turno que promete ser um dos mais encarniçados do país, pode fazer alguma diferença.

Ao fechar a conta de Salvador, a Justiça Eleitoral informou que ACM Neto e Nelson Pelegrino saíram da disputa praticamente empatados. O candidato do DEM beliscou 518.976 votos (40,17% do total). O petista amealhou 513.350 votos (39,73%). A diferença entre ambos foi de escassos 5.626 votos, menos de 1%.

É contra esse pano de fundo que o PMDB desperta a cobiça dos dois lados. Em privado, Mário Kertész diz que não deve acompanhar Geddel no apoio a ACM Neto. Para tornar-se candidato, ele teve de se desvincular da emissora de rádio que conduz em Salvador. Derrotado, vai retornar ao negócio. Um negócio que depende de publicidade para sobreviver. E o governo chefiado por Wagner responde por expressiva fatia do bolo publicitário.

Nos subterrâneos, o petismo propaga a versão segundo a qual Dilma cogita exonerar Geddel da Caixa. Dona da caneta e de temperamento mercurial, ela até poderia rodar a baiana. Mas arrisca-se a converter o PMDB de Geddel de opositor local do PT em adversário do seu projeto reeleitoral de 2014.

De resto, para ser coerente, Dilma teria democratizar as retaliações. O PDT do deputado Paulino da Força controla o Ministério do Trabalho e acaba de anunciar o apoio a José Serra em São Paulo. À frente da pasta da Integração Nacional, o PSB do governador Eduardo Campos aliou-se ao proto-oposicionista Jarbas Vasconcelos para derrotar o PT em Recife. E anuncia a intenção de apoiar o tucano Arthur Virgílio no segundo turno de Manaus.

Como se fosse pouco, o próprio Wagner aliou-se em 2008 à candidatura de prefeito do deputado tucano Antonio Imbassahy. Dali a dois anos, o PSDB de Imbassahy pegaria em lanças na cidade de Salvador e em toda a Bahia pela candidatura presidencial de José Serra, o antagonista de Dilma.

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E Dona dilma ainda pensa que não é amadora na Bahia!!!


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