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CARTA ABERTA AO BRASIL

Eles passarão, eu passarinho.

Mário Quintana

Dizem, no Brasil, que as decisões do Supremo Tribunal Federal não se discutem, apenas são cumpridas. Devem ser assumidas, portanto, como verdades irrefutáveis. Discordo. Reservo-me o direito de discutir, aberta e democraticamente com todos os cidadãos do meu país, a sentença que me foi imposta e que serei obrigado a cumprir.

Estou indignado. Uma injustiça monumental foi cometida. Não é a primeira vez. A Corte que me condenou também deportou Olga Benário para ser assassinada num campo de concentração nazista. A Corte que me condenou não se opôs a ditadura militar e, depois, manteve a anistia para meus torturadores. A Corte e a justiça brasileira, que foram tão duras comigo, já foram lenientes, em relação a muitos grandes escândalos de corrupção, que sequer foram convenientemente investigados. A Corte que agora me condena sem provas, já absolveu outros políticos com provas em abundância e retarda o julgamento de outros casos anteriores ao do PT.

A Corte errou. A Corte foi, sobretudo, injusta. Condenou um inocente. Me condenou sem provas. Com efeito, baseada na teoria do domínio funcional do fato, que, nessas paragens de teorias mal-digeridas, se transformou na tirania da hipótese pré-estabelecida, construiu-se uma acusação escabrosa que pôde prescindir de evidências, testemunhas e provas.

Sem provas para me condenar basearam-se na circunstancia de eu ter sido presidente do PT. Isso é o suficiente? É o suficiente para fazerem tabula rasa de todo uma vida dedicada, com grande sacrifício pessoal, à causa da democracia e a um projeto político que vem libertando o Brasil da desigualdade e da injustiça.

Pouco importa se não houve compra de votos. A tirania da hipótese pré-estabelecida se encarrega de “provar” o que não houve. Pouco importa se não cuidava das questões financeiras do partido. A tirania da hipótese pré-estabelecida se encarrega de afirmar o contrário. Pouco importa se após mais de 40 anos de política o meu patrimônio pessoal é o de um modesto cidadão de classe média. Esta tirania afirma contra todas as evidencias que não posso ser probo.

Nesse julgamento, transformaram ficção em realidade. Quanto maior a posição do sujeito na estrutura do poder, maior sua culpa. Se o indivíduo tinha uma posição de destaque, ele tinha de ter conhecimento do suposto crime e condições de encobrir evidências e provas. Portanto, quanto menos provas e evidências contra ele, maior é a determinação de condená-lo. Trata-se de uma brutal inversão dos valores básicos da justiça e de uma criminalização da política.

Esse julgamento ocorre em meio a uma diuturna e sistemática campanha de ódio contra o meu partido e contra um projeto político exitoso que incomoda setores reacionários incrustados em parcelas dos meios de comunicação, do sistema de justiça e das forças políticas que nunca aceitaram a nossa vitória. Nessas condições, como ter um julgamento justo e isento? Como esperar um julgamento sereno, no momento em que juízes são pautados por comentaristas políticos?

Além de fazer coincidir matematicamente o julgamento com as eleições, verificamos na mais alta corte de justiça do país posições de parcialidade política e ideológica.

Mas não se enganem. Na realidade, a minha condenação é a tentativa de condenar todo um partido, todo um projeto político que vem mudando, para melhor, o Brasil. Sobretudo para os que mais precisam.

Mas eles fracassarão. O julgamento da população sempre nos favorecerá, pois ela sabe reconhecer quem trabalha por seus justos interesses. Ela também sabe reconhecer a hipocrisia dos moralistas de ocasião.

Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes. Não me envergonho de nada. Continuarei a lutar com todas as minhas forças por um Brasil melhor, mais justo e soberano, como sempre fiz.

Essa é a história dos apaixonados pelo Brasil que decidiram, em plena ditadura, fundar um partido que se propôs a mudar o país vencendo o medo. E conseguiram. E, para desgosto de alguns, conseguirão. Sempre.

São Paulo, 10 de outubro de 2012

José Genoino Neto

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10

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira mostra o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad , com 47% das intenções de voto e o tucano José Serra com 37%. O petista abre o primeiro levantamento feito para a disputa no segundo turno dez pontos à frente do adversário. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos. Brancos e nulos somaram 8%, assim como os que responderam que não sabem em quem votar.

No primeiro turno, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Serra teve 30,75% dos votos válidos, enquanto Haddad ficou com 28,98%, desbancando o até então favorito na corrida pela sucessão paulistana, o candidato do PRB, Celso Russomanno , que liderou a disputa durante a maior parte da campanha, terminou como o terceiro mais votado, com 21,60% dos votos válidos.

O levantamento ouviu 2.090 pessoas entre hoje e ontem e foi registrado no TRE sob o número SP-01851/2012.

out
10
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Neto com Geddel e Lucio:reforço forte do PMDB

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DEU NO CORREIO DA BAHIA

Da Redação

O PMDB baiano vai apoiar o candidato ACM Neto (DEM) na disputa pela prefeitura de Salvador no segundo turno. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (10) em uma coletiva de imprensa do partido, que faz parte da base aliada do governo Dilma Rousseff.

O candidato do PMDB Mário Kertész, derrotado no primeiro turno das eleições, não participou do evento. O radialista convocou a imprensa para uma coletiva às 9h da manhã desta quinta-feira (11), quando vai anunciar a sua posição para o segundo turno.

Em seu Twitter, ACM Neto afirmou que o apoio do PMDB será importante para reforçar a interlocução com o governo federal. Participaram da coletiva Geddel Vieira Lima, o deputado Lúcio Vieira Lima (presidente da legenda na Bahia), Nestor Neto (ex-vice de Mário Kertész) e integrantes dos partidos PSDB, DEM, PMDB e PR, além de ACM Neto.

Apenas o PMDB baiano e Hamilton Assis anunciaram o seu posicionamento. Márcio Marinho e Da Luz não anunciaram qual candidato vai apoiar neste segundo turno.

Repercussão

O apoio do PMDB baiano à candidatura de ACM Neto pode custar a saída de Geddel Vieira Lima do cargo de vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Geddel que assumiu ano passado, foi indicado pela presidente Dilma Rousseff (PT) após a saída de Carlos Brito. A possibilidade do político deixar a função foi mencionada pelo presidente interino nacional do PMDB, o senador Valdi Raupp.

Segundo informações do blog Josias de Souza, do site Uol, a ordem vem da presidente Dilma Rousseff, que em reunião com o vice Michel Temer (presidente licenciado do PMDB), pediu a adesão do partido ao PT nas disputas finais em Salvador e São Paulo.

Geddel, que tem pretensões de se candidatar ao governo do Estado nas eleições de 2014, repercutiu a afirmação de Raupp em seu Twitter: “O Presid Raupp talvez não conheça um ditado baiano : vou ensinar a ele ” passarinho que muito canta C… No ninho”Não falei com ele s SSA” (sic).

Tanto Neto quanto Nelson Pelegrino demonstraram disposição e interesse em conversar com o PMDB sobre o apoio para o segundo turno – a disputa entre os dois foi acirrada no primeiro turno, com diferença de menos de 6 mil votos entre os dois candidatos.

(Publica originalmente no iBahia)

out
10
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Nilo:preparativos para o lugar de Wagner

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Grazzielli Brito

De Juazeiro para o Bahia em Pauta

O Deputado Estadual e Presidente da Assembléia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT), esteve em Sobradinho, região do Vale do São Francisco, em dupla missão política: confirmar apoio à candidatura de Luiz Vicente (PDT) a prefeito do município, que acabou sendo eleito com 8.271 votos, e reafirmar suas pretensões para 2014.

Em relação a sua pretensão de concorrer ao cargo de governador na próxima eleição Marcelo Nilo foi incisivo. “Estou no segundo cargo político mais importante da Bahia por três vezes consecutivas. Fato inédito nesse Estado. E eu quero mais, quero o governo do estado. Quero ser candidato a governador. Para isso sei que precisa vontade e tenho, e preciso de apoio do povo, espero tê-lo e apoio de Wagner”, disse o deputado que ainda garantiu que vem se preparando pra ser o chefe de estado.

“Viajo de três a quatro vezes por semana com o governador porque vou aprendendo os problemas da Bahia, estudando soluções, é isso que venho fazendo. Estou preparado quero ser governador, mas sei que tem muita água ainda pra passar e tenho meus pés no chão”.

Quanto ao apoio de Wagner, almejado por Nilo, ao que tudo indica não será problema. “O governador é meu amigo fraternal, parceiro na vida pública, grande aliado. Fui seis vezes deputado, três vezes presidente da assembléia, governador interino por cinco vezes. O deputado estadual mais bem votado na Bahia, escolhido pela mídia sete vezes como melhor deputado graças ao povo e ao governador Wagner”, disse sobre sua amizade com o governador.

Em Sobradinho disse ter vindo atendendo a um pedido dos colegas deputados Roberto Carlos (PDT) e Adolfo Neto (PSDB), para reforçar a campanha política de Luiz Vicente. “Vou onde sou votado politicamente. Para ser presidente da assembléia tenho que ajudar os companheiros que também merecem como eu. Aqui em Sobradinho deixei os votos para o deputado Adolfo Viana. Isso é um planejamento estratégico, em Jaguarari, por exemplo, também deixei os votos para Pedro Alcântara (PR), porque sabia que eu seria o mais votado”, contou o deputado estrategista revelando suas manobras políticas. “Hoje eu tenho pretensões políticas maiores”.

(Grazielli Brito é jornalista e colabora com o Bp na região do Vale do São Francisco)

out
10

Deu na coluna Radar online, assinada por Lauro Jardim na Veja

Rumo ao exterior

A compra da Osklen pela Alpargatas foi assinada agora há pouco. Oskar Metsavaht bota 130 milhões de reais no bolso, continua como diretor de criação da marca e passa a ser sócio moniritário (leia mais em Osklen e Alpargatas).

Agora, uma das grifes de maior sucesso e potencial do Brasil, que já tem uma atuação discreta em cinco cidades do mundo, parte para a internacionalização, algo que a Alpargatas já fez com inegável sucesso com as Havaianas.
Por Lauro Jardim

ARTIGO

Finalmente, aterrissei no Brasil!!!

Maria Aparecida Torneros

Comecei a voltar ao Brasil, de uma viagem de três semanas, que fiz à Espanha, entre os meses de setembro e outubro. Na verdade, peguei o vôo em Barcelona, com paradinha em Madri, e o aibus me trouxe ao Rio, há quase uma semana.

Entretanto, tudo parecia estranho em mim, nestes dias desde a chegada ao Tom Jobim. Encarei logo a campanha eleitoral nos seus últimos momentos e me ajeitei como pude para decidir sobre o futuro da cidade, observando os movimentos dos eleitores e a sempre inflamada festa democrática que propõe rodízio de poder.

Retomei a companhia da minha mãezinha idosa, com quem passo os finais de semana, reiniciamos as trocas de frases quase soltas, lugar que atingimos quando o tempo nos dá um legado de vida longa junto daquela que já foi ativa e forte e agora claudica, depende, esquece muitas coisas, mas conserva a vivacidade de algumas lembranças ainda fortes, tornando-me uma criança sessentona a circundar sua presença e atender suas solicitações, que incluem, evidententemente, pequenos favores e atenções, como comprar sorvete e pipocas, na famosa inversão de papéis a que a idade nos conduz.

Minha vivência das semanas passadas na Costa Blanca me imputaram sentimentos vários, diante de uma Europa aflita por crise financeira, mas também de um mundo à parte em que nórdicos, russos, cidadãos do Reino Unido, cada vez mais invadem e escolhem aquela região ensolarada da Espanha, para desfrutarem suas aposentadorias em terras ibéricas que as acolhem entre muitos empreendimentos imobiliários e diversos novos hábitos culturais, que é possível identificar nos out doors em línguas díspares, nos restaurantes de comidas típicas inglesas, russas, e ainda, na convivência inteligente dos nativos espanhóis que nas lojas, shoppings, etc, dominam inglês e outros idiomas, com desenvoltura globalizada.

Aqui, revejo e falo com amigos e amigas diminuindo a saudade natural e acompanho os noticiários, incluindo julgamento do Supremo sobre o tema “mensalão” e os resultados eleitorais em todo o país.

Não posso deixar de citar que, apesar de não ter acompanhado antes a tal novela que virou febre, Avenida Brasil, foi justamente, ontem, ao assistir curiosa o tal capítulo do massacre da personagem Carminha, que me vi, finalmente, de volta à minha terra.

Diálogos fortes, ódios expostos, traições reveladas, tudo de uma vez só e pude entender o quanto a história atingiu o âmago do público noveleiro, em função de intrigas, vinganças, necessidade de justiça, e agora, vejo na televisão, mais um capítulo da votação que os ministros do Supremo fazem ao julgar os acusados do episódio que há 7 anos sacudiu a nação com a indicação de uma prática velha conhecida, que em termos de nossa história, no sentido de troca de favores entre parlamentares e governos, partidos e financiamentos de campanhas ou coisa que o valha.

Ver os detalhes expostos como se foram contas de um grande colar, me remete a uma lavagem de roupa suja que a família brasileira estimula tanto quanto torce pelo castigo das personagens mentirosas da novela das nove, há qualquer coisa mais profunda, talvez um apelo inconsciente da sociedade que não conseguiu julgar a contento as injustiças da ditadura militar, mas que se coloca em guarda para julgar com rigor aparente os eventos de empréstimos fraudulentos ou não, que partidos costumavam fazer, para salvar suas finanças, como parece indicar situação repetida em instituições como o PSDB, em Minas Gerais, e o PT, em termos nacionais.

Além do mais, ao identificar que o Partido dos Trabalhadores acaba de obter a maior votação em números redondos nas eleições municipais desta semanas, finalmente, tenho a certeza, aterrissei no Brasil, pois concluo que o povo votou independente da grande produção que se armou para a transmissão do julgamento, indicando que este país é contraditório e ainda aprende a exercer a democracia com passos de quem pisa em ovos.

Buscamos culpados para modelos viciados que, no fundo, podem ser evitados com reformas tão pleiteadas, que demandam coragem para serem implementadas, e que, a novela das nove causa tanto frisson porque , como assisti um participante do programa da Ana Maria Braga definir: há uma “cornitude” necessitada de justiça.

Realmente, acabo de voltar ao Brasil, cheia de galhos na cabeça, traída pela minha própria brasilidade, identificada com mazelas locais, e até esperançosa de que deixemos de lado tanta hipocrisia e enfrentemos com galhardia, decisão e trabalho, nossos reais problemas, que são educação, saúde, reformas eleitorais e eliminação dos “lixões” sociais onde ainda sobrevivem nossos podres poderes.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro e colabora com o BP desde os primeiros dias do site blog baiano com antenas para o mundo.

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DEU NO GLOBO.COM


O ministro Joaquim Barbosa será formalmente eleito, nesta terça-feira, presidente do Supremo Tribunal Federal, tornando-se o primeiro negro a assumir o cargo. Na Corte desde 2003, hoje com 58 anos — completados no domingo —, o relator do processo do mensalão conquistou simpatia popular, mas angariou desafetos no STF, protagonizando, nos últimos anos, embates virulentos com colegas. Dos mais recentes confrontos com o revisor da ação penal que trata do mensalão, ministro Ricardo Lewandowski, a discussões com Marco Aurélio Mello e críticas ao ex-ministro Cezar Peluso.

Responsável pelos votos que estão condenando a maior parte dos réus por operar esquema de compra de votos no governo Lula — presidente que o indicou para a Corte —, Barbosa fez questão de ser duro para defender seus pontos de vista. Contrariado, não mede palavras para rebater as críticas. O tom que adotou com Lewandowski levou Marco Aurélio a manifestar preocupação com a maneira como Barbosa presidirá o STF. Foi o suficiente para Barbosa devolver as críticas em nota, lembrando o parentesco de Marco Aurélio com Collor e acusando o colega de ser a maior dor de cabeça para quem ocupa a presidência do Supremo.

Quando foi indicado por Lula, o mineiro de Paracatu contou que o estudo o ajudou a romper as barreiras impostas pela discriminação. Joaquim Benedito Barbosa Gomes é filho de pai pedreiro e mãe dona de casa.

— Era de uma família pobre, lutei e consegui, mas sei que outros, nas mesmas condições, com a mesma vontade, não conseguiram, pois o sistema educacional cria mecanismos poderosos de exclusão de negros.

Barbosa se mudou para Brasília jovem, morando de favor na casa de parentes. Foi faxineiro e trabalhou na gráfica de um jornal. Completou o ensino médio em escola pública. Estudou muito para entrar na Universidade de Brasília, onde formou-se em Direito. Na mesma turma, estava o futuro colega e muitas vezes desafeto no STF Gilmar Mendes. Os dois voltariam a se encontrar no Ministério Público Federal. Foi também procurador no Rio de Janeiro. Doutor em Direito Público pela Universidade de Paris-II, atuou como professor visitante da School of Law da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e professor de Direito Público da Uerj.

out
10
Posted on 10-10-2012
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Aroeira, hoje, no jornal O Sul (RS)

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DEU NO BLOG DO ZÉ (EDITADO PELO EX-MINISTRO DA CASA CIVIL, JOSÉ DIRCEU)

AO POVO BRASILEIRO

No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.

Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.

Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.

Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.

Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.

Na madrugada de 1º dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.

A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.

Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.

Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.

Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.

Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.

Vinhedo, 09 de outubro de 2012
José Dirceu

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OPINIÃO POLÍTICA

PMDB e segundo turno

Ivan de Carvalho

O principal líder do PMDB da Bahia, Geddel Vieira Lima – irmão do presidente da seção estadual do partido, deputado federal Lúcio Vieira Lima – chegou a Salvador na noite de ontem. Poucas horas antes de seu desembarque na capital baiana, em círculos muito próximos dele, comentava-se o óbvio.

Geddel vinha conduzir conversas internas com lideranças peemedebistas, envolvendo a bancada estadual, o ex-candidato a prefeito Mário Kertész (que ontem já retomara suas atividades de radialista) e algumas outras pessoas, com o objetivo de chegar a uma decisão que se aproximasse o máximo possível de um consenso quanto ao apoio a ser dado a um dos dois candidatos a prefeito classificados para o segundo turno em Salvador, o democrata ACM Neto e Nelson Pelegrino, do PT.

Nos já citados círculos próximos a Geddel Vieira Lima, chamava-se a atenção para declarações do presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, senador por Roraima. Misturando o segundo turno de São Paulo com o de Salvador, o senador acabou falando do que não sabia.

Uma das coisas ditas pelo presidente nacional do PMDB foi a de que o partido, em Salvador, deve se aliar à coligação liderada pelo Democratas, que tem para a prefeitura o candidato ACM Neto. Neste particular, Valdir Raupp avançou o sinal, pois esse apoio realmente pode acontecer, mas não está assegurado ainda, já que a hipótese contrária, de apoio ao candidato governista Nelson Pelegrino não está descartada.

O processo de decisão do PMDB baiano (que está liberado pelo comando nacional do partido para adotar a posição que julgar mais adequada) está em curso, com as conversas já mencionadas para acontecer, em busca de uma decisão tão próxima quanto possível do consenso – já que esperar um consenso absoluto parece inviável.

Um político mais intimamente ligado a Geddel Vieira Lima – após assinalar que no momento fortes pressões se exercem sobre Geddel a respeito da decisão a tomar – faz um reparo enfático a um detalhe das declarações do presidente nacional do partido, Valdir Raupp, que falou sem consultar e obter a autorização do principal interessado e, inclusive, segundo prometeu, ficou de esclarecer suas declarações, repondo as coisas nos devidos lugares.

Geddel, diz o político intimamente ligado a ele e mencionado no parágrafo anterior, caso apoie, com o PMDB baiano, a candidatura de ACM Neto, não pedirá sua exoneração do cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, para o qual foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff.

Afinal, pediria exoneração por qual razão? Ele não está no cargo por nada que diga respeito às eleições deste ano para a prefeitura de Salvador. Foi convidado e aceitou a vice-presidência de Pessoa Jurídica da CEF em função do apoio que o PMDB da Bahia deu à candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República nas eleições de 2010.

Mesmo sob a circunstância de que, na campanha para o primeiro turno, quando o PMDB tinha Geddel como candidato ao governo, Dilma, candidata a presidente, fez campanha eletrônica para o candidato Jaques Wagner, do PT. Apesar disso, no segundo turno, Dilma pôde continuar contando com o apoio de Geddel e do PMDB baiano.

Na realidade, diz o mesmo peemedebista ligadíssimo a Geddel Vieira Lima, se este e o PMDB apoiarem a candidatura a prefeito de Pelegrino é que ele, Geddel, se sentirá obrigado a apresentar sua exoneração da vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal exatamente para que não pareça que apoiou o candidato petista em troca de sua permanência no cargo que ocupa na CEF.

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