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OPINIÃO POLÍTICA

O PMDB e os puxadinhos

Ivan de Carvalho

O deputado Jutahy Magalhães disse ontem que ficou muito feliz em saber que o ex-candidato do PMDB a prefeito, Mário Kertész e o partido iriam se posicionar juntos em relação ao segundo turno nas eleições de Salvador e acrescentou que está “muito confiante na decisão do PMDB”.

Há um problema, no entanto, que o deputado do PSDB, partido que integra a coligação que apoia a candidatura do democrata ACM Neto, não chegou a comentar. O comando nacional do PMDB prefere, “onde for possível”, segundo o vice-presidente da República, peemedebista Michel Temer, formar aliança com o PT. Isto acontecerá, com certeza, ele deixou claro, em São Paulo.

Difícil antecipar se Salvador é um dos lugares onde é possível tal aliança. Mas convém observar que o PMDB baiano já cometeu (não vamos aqui analisar as razões ou motivações, nem mesmo as circunstâncias que contribuíram) um grave erro político na Bahia, quando rompeu com o governo Jaques Wagner vários meses antes das eleições de 2010. De lá para cá, o PMDB baiano só tem levado bofetadas (no sentido figurado) do situacionismo estadual e federal.

Uma delas, de grande destaque, foi a interferência intensa do então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em favor da reeleição de Jaques Wagner para governador, quando Geddel Vieira Lima, seu ex-ministro, se desincompatibilizara para deixar o governo. E quando o PT, baseado em pesquisas eleitorais e outros dados, convenceu-se, às vésperas do segundo turno, de que Dilma seria eleita presidente da República contra Serra sem nenhuma dificuldade, então a própria candidata entrou na campanha pró-Wagner, portanto contra os concorrentes deste, dos quais os mais importantes eram o democrata Paulo Souto e o peemedebista Geddel Vieira Lima. Este, sem fazer comentários, ficou politicamente ferido e profundamente magoado.

Veio o segundo turno. Nos primeiros momentos, com o cabuloso e até hoje muito mal resolvido escândalo nucleado em Erenice Guerra – ministra-chefe da Casa Civil de Lula indicada por Dilma, que deixara o cargo para candidatar-se, e a reação de evangélicos e católicos às posições do PT e da própria candidata em relação ao aborto e outras questões sensíveis às igrejas – Dilma Rousseff correu atrás do prejuízo e, depois de um prolongado tempo de quarentena (após a vitória que afinal acabou sendo tranquila e a posse) que mais pareceu castigo, nomeou Geddel vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. (Ontem, corria o boato – não confundir com informação – de que o PMDB nacional exigira a presidência da Caixa Econômica Federal, hoje com o PT, para apoiar o petista Fernando Haddad para prefeito de São Paulo).

Um corte para o PC do B da Bahia. Saíu enfraquecido das eleições para vereador da capital e no conjunto da Bahia. É que o PC do B, faz tempo, tornou-se uma espécie de “puxadinho” do PT. No país e aqui. Quem estiver interessado em confirmar, basta conferir os resultados eleitorais de agora e os de antes. No caso de Juazeiro, precisou de uma complicada, complexa e autoritária operação de salvamento para manter a prefeitura.

Voltando ao caso do PMDB em âmbito nacional: o partido está se tornando cada vez mais um puxadão do PT, aparentemente por ser refratário a riscos, aguardando desconfortável e conformadamente o dia em que se tornará mais um puxadinho. Na Bahia, entretanto, ressuscitar a antiga aliança com o PT, apartando-se da oposição, é transformar-se instantaneamente em puxadinho. Não terá espaço em 2014, porque o PT, salvo no caso de debandada de importantes aliados, não lhe dará espaço algum.

Juntando-se às oposições, o PMDB tratará com os aliados de igual para igual, terá o espaço correspondente à sua importância e, na hora de jogar, sempre estará no jogo. Não correrá o grave risco de ser gandula.

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