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OPINIÃO POLÍTICA

A véspera e o dia seguinte

Ivan de Carvalho

O instituto Babesp, ligado ao presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo e que tem considerável experiência, na Bahia, em pesquisas de opinião política e eleitorais, feitas seguidamente e com notável frequência na capital e no interior para uso interno do governismo baiano divulgou ontem os resultados para prefeito de uma pesquisa eleitoral realizada na capital.

O resultado apresentado pelo Babesp é eletrizante (hoje é o segundo dia consecutivo que uso a palavra, mas em situações diferentes e pode ser até uma indução cósmica para compensar, em grau mínimo, o admirável apagão desta semana em Brasília). O petista Pelegrino e o democrata ACM Neto estão disputando, vale dizer assim, voto a voto, a preferência do eleitorado, indica a pesquisa.

Na modalidade de respostas estimuladas, ao candidato do PT foram atribuídos 30,8 por cento das intenções de voto, enquanto ao democrata, 29,1 por cento. Um ponto e sete décimos de diferença. A margem de erro da pesquisa é de 3,1 por cento para baixo ou para cima. Conclusão: um dos mais rigorosos “empates técnicos” desta campanha nas capitais de estados.
Fica, pois, combinado, não só por este, mas pelos resultados de pesquisas de outros institutos (aliás, sabe-se lá por qual razão, o Vox Populi faz algum tempo tem se revelado sumido em Salvador, melhor dizendo, tem se velado), que haverá segundo turno muito animado entre os dois candidatos citados.

Quanto aos outros, não têm como chegar ao segundo turno: Mário Kertész, do PMDB, foi contemplado pelo Babesp com 7,6 por cento das intenções de voto, o deputado-bispo Márcio Marinho, do PRB, com 4,2 por cento, Hamilton Assis, do PSOL, com 1,7 e Da Luz com 0,9.

O Ibope, que, se julgado pelo resultado do Babesp, carregou nas tintas em sua pesquisa mais recente (34 a 31 em favor de Pelegrino contra Neto), deve ter divulgada sua última pesquisa antes da eleição na noite de hoje, pelo telejornal BA-TV, da TV Bahia. Amanhã, esse instituto, desta vez ouvindo 4 mil pessoas, faz uma pesquisa de boca de urna, que será divulgada assim que a votação seja encerrada. Houve ainda 8,8 por cento de intenção de voto nulo e 16,9 por cento de eleitores que não sabem ainda em quem vão votar – um índice muito expressivo, considerando-se a iminência das eleições.

Vale assinalar que, praticamente numa sequência às declarações prestadas por seu irmão Geddel Vieira Lima no sentido de esclarecer que não existem obstáculos ao apoio do PMDB a ACM Neto no segundo turno, o presidente estadual do partido, deputado federal Lúcio Vieira Lima, fez declarações (divulgadas ontem) nas quais reclamou da presença da presidente Dilma Rousseff na campanha eleitoral de alguns Estados, a favor do PT e em detrimento de candidatos de partidos da coalizão governista, a exemplo do PMDB. Isto aconteceu inclusive na Bahia, onde a presidente da República não veio pessoalmente fazer campanha, mas foi presença constante na propaganda eletrônica do PT, pedindo votos para o candidato do PT. A São Paulo, ela foi e fez comício a favor do candidato a prefeito do PT, Fernando Haddad (lá, o candidato do PMDB é Gabriel Chalita).

Lúcio Vieira Lima disse que isso causou um estresse na relação PMDB – governo. “Como todo mal-estar, ele passa. Mas, logicamente, você tem que ter um período de repouso, de conversa, um medicamento aqui e acolá”, disse. Se o leitor-eleitor somar um (das declarações de Geddel) mais um (das declarações de Lúcio), saberá para onde vai o PMDB no segundo turno. O PMDB. Não estou tratando aqui da posição do candidato do partido a prefeito, Mário Kertész.

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