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OPINIÃO POLÍTICA

DNA, Mensalão e segundo turno

Ivan de Carvalho

Somente para que não passe em branco: na quarta-feira, alguns políticos apontavam em um aparente ou presumido ganho de agressividade da campanha de ACM Neto um sintoma de que a candidatura do democrata estaria enfrentando grande dificuldade. Ontem, a propaganda oficial do candidato do PT a prefeito, deputado Nelson Pelegrino, em inserções na televisão já ao anoitecer, chamava o candidato democrata e seu principal adversário de “grampinho”.

Assim, aquele parâmetro com que se pretendia, na véspera, medir as dificuldades da campanha de ACM Neto ficou prejudicado. A julgar por tal parâmetro, o da agressividade, a campanha do petista nada lhe ficou a dever. A não ser que se queira aplicar nisso a frase bíblica do Antigo Testamento na qual o Senhor diz ser Deus zeloso, que pune os erros dos pais nos filhos, “na terceira e na quarta gerações”, não há como buscar seriedade na tentativa de transferir o DNA do conhecido episódio dos grampos baianos de avô para neto – ou Neto. Se DNA fosse vírus e pudesse ser transferido com tanta facilidade, logo se chegaria a epidemias impensáveis, como nunca antes neste país.

Isto posto, muda-se de assunto, para que também não passe em branco neste espaço, em dia tão eletrizante. No momento em que estas linhas estavam sendo escritas, o revisor do processo do Mensalão (Ação Penal 470) no Supremo Tribunal Federal havia votado pela absolvição dos importantes réus José Genoíno, presidente do PT na época em que estava em operação o esquema do Mensalão e José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula, na mesma época.

Mas apesar do generoso entendimento do revisor, a coisa estava braba para o chamado “núcleo político” ativo do esquema. O relator Joaquim Barbosa, em seu voto, já condenara Dirceu, Genuíno e o ex-tesoureiro da executiva nacional do PT, Delúbio Soares, entre outros réus em julgamento ontem. A ministra Rosa Weber também já condenara Dirceu, Genoíno, Delúbio, Marcos Valério e mais quatro pessoas ligadas a ele. E o ministro Luiz Fux seguiu na mesma linha, condenando Dirceu, Genoíno, Delúbio e outros.

Note-se que, dos quatro ministros do STF citados, três foram escolhidos e nomeados pelo ex-presidente Lula e um (Fux) pela presidente Dilma Rousseff. Dos quatro, só o revisor Lewandowski, como já era esperado, absolveu os dois réus politicamente mais importantes, Dirceu e Genoíno. Pelo andar da carruagem, às vésperas da eleição, o STF não se afasta da linha dura adotada desde o começo do julgamento e este poderá, sim, ter sérias repercussões nas eleições de domingo e, mais do que agora, no segundo turno, onde houver.

Muda-se mais uma vez de assunto, mas sem abandonar o segundo turno. Em Salvador, as primeiras providências para a segunda etapa das eleições – que ontem voltou a ser considerada uma certeza – estão em pleno curso. Sabe-se que o candidato do PRB, bispo Márcio Marinho, é apoio certo para o candidato Pelegrino, do PT.

Já declarações políticas extremamente enfáticas do principal líder do PMDB da Bahia, Geddel Vieira Lima, sobre o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, as eleições em Salvador e a posição de seu partido no segundo turno induzem fortemente à conclusão de que o PMDB (cujo presidente estadual é seu irmão, o deputado Lúcio Vieira Lima) vai apoiar ACM Neto no segundo turno (claro, se o ex-prefeito Mário Kertész, não for classificado para essa fase do pleito). A campanha de Kertész na mídia eletrônica melhorou muito na fase final e a candidatura experimentou crescimento. Vale muito registrar: ontem, ele agradeceu a sua equipe de campanha, reconheceu as dificuldades (para chegar ao segundo turno), mas não jogou a toalha, fez um “agradecimento especial” aos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima e garantiu que, ao contrário do que muito se tem especulado, não haverá rompimento político dele com os dois. Quanto ao mais, dirá o futuro imediato.

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