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Tudo isto é Espanha!

Maria Aparecida Torneros

Por 18 dias estou passando o final do verao e inicio de outono, aqui, em Espanha, na Costa Blanca, regiao muito linda onde encontrei uma populacao de estrangeiros residentes que soma nacionalidades varias, predominantemente, do Reino Unido, dos paises nordicos e da Russia. Visitei cidades historicas como Valencia , Cuenca, Alicante, e, antes de retornar, ainda passarei por Barcelona, a caminho do Brasil.

Esta semana, pude acompanhar, via televisao , os protestos de Madri, onde a preocupacao com o desemprego toma o pensamento dos politicos e principalmente da juventude espanhola que anda sem perspectiva para o futuro.

Entretanto, na área em que me encontro, não se pode falar em situação dificil porque a maioria que vem morar por aqui tem sua aposentadoria garantida e escolhe a Espanha para curtir bons dias e sem problemas financeiros.

O fenômeno retrata um novo modo de interação social que me surpreendeu a principio, porque ha uma verdadeira invasão, fala-se ingles, russo, linguas escandinavas e o tradicional castellano, mas é possivel tomar o breakfast ingles em alguns bares, com os feijões combinando com ovos, presunto e salsichas na primeira refeição da manhã.

Também, nao faltam os restaurantes a servir paellas, os shows de dança flamenca, a mistura interessante de culturas nesta Espanha que ora acolhe os estrangeiros ao mesmo tempo que protesta por melhores dias em sua economia reprimida e aposta em recuperacao financeira do seu sistema bancario.

De Cuenca e Valencia levarei as melhores recordações, pois a primeira, onde passei um fim de semana, sendo patrimonio da humanidade, conserva a sutileza das suas casas colgadas, no alto dos penhascos, identificando lugar único no mundo turistico. Ja em Valencia, a superposição do novo modelo arquitetonico, na sua cidade das artes e das ciencias, sobre o pano de fundo histórico de uma cidade que beira mais de 2000 anos, fundada antes da era cristã, nos dá uma sensação de eternidade, de muitas voltas da vida e da história, com a influência que traz dos mouros, dos visigodos, dos romanos, das misturas de épocas e da sobrevivencia do cristianismo através das suas crenças e muitas belas igrejas.

Subi os 207 degraus da torre da igreja de s. Miguelet e vi la do alto uma Valencia imponente a me dizer que tudo isto eh Espanha!

Agora, nesta manhã calma , em Rojales, na casa do meu amigo George, um escoces que escolheu morar aqui, ha alguns anos, ouço os sinos da pequena capela de S. Peter, rememoro tantas novidades desta viagem, penso que mais alguns dias para voltar ao Brasil, e agradeco ao espirito espanhol que traz aos meus sentidos, com certeza, a boa nova de um pais em crescente renovação e superação, onde a arte campeia, o patriotismo cria movimentos nacionais ou mesmo de separação pleteada em referendum, como sera o caso da Catalunha, sem entretanto deixar para depois a oportunidade de lutar, com garbo e graça, por seu lugar no mundo europeu, principalmente.

O verão acabou, ou melhor , deveria ter acabado, mas o s dias de outono ainda estão muito quentes por aqui, um sol inunda de luz a Costa Blanca, e a lua, na noite passada, cheia e linda, lembrou-me cancoes de amor, una luna blanca que se quiebra sobre la tienebla de mi soledad, como cantou o grande Nat King Cole.

Maria Aparecida Torneros é jornalista e escritora, colabora e amiga da primeira hora do Bahia em Pauta

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Comentários

Cida Torneros on 4 outubro, 2012 at 16:46 #

oi vítor e toda a turma do Bp ! estou de volta ao Brasil. abalos a todos !


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