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OPINIÃO POLÍTICA

Aécio e o alinhamento

Ivan de Carvalho

Em Maceió e Salvador, ontem, o senador tucano Aécio Neves tinha objetivos político-eleitorais imediatos, como os de buscar influir nas eleições nos dois Estados. Na Bahia, exercer alguma influência benéfica aos candidatos democratas na capital, ACM Neto e em Feira de Santana, José Ronaldo.

Em Salvador as eleições estão duras, certamente irão para um segundo turno que promete ser bem disputado entre Neto e o candidato do PT, Nelson Pelegrino, que assumiu a dianteira segundo pesquisa do Ibope divulgada na quinta-feira, mas por três pontos, o que segundo o instituto de pesquisa expressa “empate técnico”.

Falta ainda uma semana para as eleições.

Anota-se isto para deixar claro que esta última semana que precede a eleição pode alterar, talvez apenas moderadamente, os dados indicados pela mais recente pesquisa do Ibope. Mas só algum terremoto político seria capaz (o que não se pode descartar absolutamente) de evitar que haja segundo turno.

Quanto à visita à Bahia do senador, ex-governador de Minas e aspirante do PSDB a presidente da República, Aécio Neves disse que tem tudo a ver com o argumento básico da campanha do PT, a “teoria do alinhamento”, segundo a qual só um prefeito alinhado com o governo federal (e com o estadual) pode fazer uma gestão boa.

Aécio contesta com a sua própria administração como governador de Minas Gerais por oito anos. Dizer que o alinhamento é fundamental para que haja investimentos nos municípios “é errado”. Nos oito anos que governou, “na oposição ao presidente Lula”, contou Aécio, “Minas Gerais teve o seu ciclo de maior crescimento e desenvolvimento e de maior volume de investimentos”. Para Aécio, essa teoria do alinhamento “é o discurso mais antigo” do Brasil. “O PT tem uma técnica, nas vésperas das eleições, de carimbar o dinheiro, dizendo que um é recurso federal, outro é estadual, para fazer bondades, como se os recursos fossem deles – mas esse recurso é público, pertence aos cidadãos”.

A passagem de Aécio Neves por Alagoas e Bahia faz parte de uma agenda de viagens eleitorais que, ajudando aliados, também o ajuda a se tornar mais conhecido no país. Isso é parte de sua estratégia para uma eventual candidatura a presidente da República em 2014.

Ontem, Aécio acusou o ex-presidente Lula de agir “como líder de facção” e de manchar a própria biografia, quando defende os réus do mensalão e ataca a oposição “de forma extremamente agressiva” nos palanques. “O que nós estamos percebendo é que o Lulismo, da forma que existia, quase messiânico, que apontava o dedo e tudo seguia na mesma direção, não existe mais”, afirmou Aécio, para quem os ataques de Lula não têm surtido o efeito que ele esperava.

A este respeito, aliás, o jornal Folha de S. Paulo publicou ontem material, baseado em pesquisa do Instituto Datafolha, que sugere exatamente isso. A começar de São Paulo, onde Lula impôs a candidatura de Haddad a prefeito e seu candidato, embora crescendo contínua e lentamente, não conseguiu mais do que o terceiro lugar, brigando com o tucano José Serra (em segundo lugar) por uma vaga no segundo turno.

Recife é o caso mais grave, pois Lula impôs candidato o ex-ministro da Saúde Humberto Costa e este caiu da liderança para o terceiro lugar. Não deve sequer ir ao segundo turno. Em Belo Horizonte, a candidatura do petista Patrus Ananias (patrocinada por Lula e Dilma) está previamente derrotada, devendo reeleger-se o prefeito socialista Márcio Lacerda, apoiado por Aécio e com chance até de ganhar no primeiro turno.

Em Porto Alegre a campanha do PT não empolga. Fortaleza é uma incógnita (segundo o Ibope divulgado ontem, pela primeira vez a candidatura petista passou à frente, mas nada há de definido) e em Terezina a coisa está feia para o candidato do PT.

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