set
28
Postado em 28-09-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 28-09-2012 18:06


Jesus e Maria Madalena numa obra de Ticiano (Foto: DR)

===============================================

DEU NO JORNAL “PÚBLICO” (DE PORTUGAL)

“Jesus disse-lhes: “A minha mulher…” Esta frase, inscrita num fragmento de um papiro ainda não rigorosamente datado e de proveniência desconhecida, ateou fogo de novo no debate: afinal, Jesus foi casado ou não?

E isso deveria ter repercussão na atitude do cristianismo em relação às mulheres, tendo em conta os textos fundadores e a doutrina de Jesus?

Antes de discutir esses temas, há entretanto a questão do valor histórico do documento revelado por Karen L. King. A investigadora da Harvard Divinity School foi a primeira a reconhecer que é cedo para tirar conclusões.

O fragmento deverá datar do século IV e, de acordo com King, é a tradução de um texto grego do século II, num curto pedaço de papiro de cerca de quatro por oito centímetros (como um cartão-de-visita). Nele podem ler-se várias frases incompletas (parte-se aqui da tradução proposta para castelhano por António Piñero, especializado em línguas e literatura do cristianismo primitivo e editor dos textos gnósticos da Biblioteca de Nag Hammadi): “A minha mãe deu-me a vida (…) os discípulos perguntaram a Jesus (…) negou. Maria é digna disso (…) Jesus disse-lhes: a minha mulher (…) poderá ser minha discípula.” Na última frase, mais estranha, lê-se: “Que os malvados rebentem (…) no que me respeita, viverei com ela por (…) uma imagem.” A alusão aos malvados diz Piñero que se pode referir à morte de Judas.

Quando apresentou o papiro em Roma, na semana passada, King afirmou, citada pela AFP: “O julgamento final quanto à veracidade deste documento depende de um exame mais aprofundado e de outros testes sobre a composição da tinta.”

À Reuters, Carl R. Holladay, professor de Novo Testamento na Universidade Emory (EUA), disse que a descoberta é “obviamente importante”. Mas as circunstâncias que a revelaram devem merecer cautelas da parte dos investigadores, avisou.

Que circunstâncias foram essas? King contou que, há dois anos, recebeu uma mensagem de um colecionador, na sua caixa de email a pedir-lhe para traduzir um fragmento de papiro, em copia, com uma referência à “mulher” de Jesus. King disse que o coleccionador não sabe de onde provém o fragmento de papiro e que quer permanecer anônimo.

Jennifer Sheridan Moss, presidente da Associação Americana de Papirologistas, afirmou à Reuters que a instituição provavelmente não publicaria nenhum artigo sobre um documento do qual desconhecesse a origem. Mas apesar de críticas sobre a avaliação científica do artigo que apresenta o fragmento, ele vai ser publicado na The Harvard Theological Review.

Importância “muito escassa”

Polémica histórica à parte, o papiro traz alguma novidade ao debate sobre se Jesus foi casado? A frase que mais polémica trouxe – “Jesus disse-lhes: a minha mulher (…) poderá ser minha discípula” – não diz nada de novo. O espanhol António Piñero, um dos maiores especialistas contemporâneos na matéria, diz ao PÚBLICO que a importância do documento revelado por Karen L. King “é muito escassa”.

Há uma dúzia de textos, recorda, dos evangelhos copto-gnósticos da Biblioteca de Nag Hammadi que fazem referências do género à eventual relação privilegiada de Jesus com Maria Madalena – aquela que é mais apontada como a eventual mulher de Jesus. No seu blogue , o investigador tem colocado, nos últimos dias, vários textos gnósticos referentes ao mesmo tema. Os textos de Nag Hammadi foram descobertos em 1945 na aldeia com o mesmo nome, situada perto de Luxor e a 200 quilómetros a norte de Assuão. Os manuscritos de Nag Hammadi e os do Mar Morto são as descobertas de textos antigos mais importantes da era contemporânea

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • setembro 2012
    S T Q Q S S D
    « ago   out »
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930