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Postado em 26-09-2012
Arquivado em (Artigos) por vitor em 26-09-2012 12:32

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Bob Fernandes

– Não é o que esperávamos, não é isso que estamos percebendo… se for isso mesmo, se estiver certo, preocupa. (Graduado integrante do PSDB na madrugada desta quarta-feira, 26, sobre o resultado do Ibope, com Fernando Haddad (PT) pela primeira vez à frente de José Serra (PSDB) na disputa pela prefeitura em São Paulo).

– Ele tá com os pés no chão, mas claro que adorou a notícia. (Um dos comandantes da campanha de Haddad sobre sua reação aos números do Ibope).

Véspera, noite da segunda-feira, 24. À entrada do auditório do debate promovido pela TV Gazeta em parceria com o Portal Terra, dois jornalistas conversam com o líder do PT, Paulo Teixeira. Um outro deputado do PT se aproxima e diz:

– Se o debate for quente, se vier um número bom na próxima pesquisa, é o que basta. Nosso pessoal gosta quando o sangue tá chegando na canela…

O debate foi acalorado, com troca de chumbo direta e indireta entre os favoritos, e o que mostra a pesquisa Ibope realizada entre os dias 22 e 24 é uma eletrizante, feroz disputa pelo segundo lugar e o segundo turno.

Haddad (PT) subiu 3 pontos em relação à última pesquisa Ibope e agora tem 18% das intenções de voto. José Serra (PSDB) caiu 2 pontos e está com 17%. Com 34%, salvo uma hecatombe, Celso Russomanno (PRB) está no segundo turno.

A ultrapassagem de Haddad sobre Serra pela primeira vez, mesmo que por um escasso ponto – o que, na verdade, nada mais é do que um empate técnico quase absoluto – estimula o PT e sua militância. Isso não é pouco depois dos seis pontos de dianteira para Serra na última pesquisa Datafolha, mas o que a leitura da pesquisa mostra é uma disputa pelo segundo lugar absolutamente indefinida.

Haddad sobe devagar no chamado centro expandido, cresce também lentamente entre quem tem mais escolaridade e mais renda, mas não consegue retomar tradicionais redutos petistas nas franjas da cidade, exatamente as mais pobres.

Ali, na periferia, Celso Russomanno mantém a dianteira. Dianteira mais do que suficiente para levá-lo ao segundo turno. E suficiente, se mantida, para barrar a ascensão do petista. Ali Haddad travará, contra Russomanno, a batalha decisiva nos últimos dias da campanha.

José Serra, por seu lado, jogará tudo que tem na disputa pelos votos do chamado centro expandido. Mesmo quem não é pesquisador pode intuir que a vantagem de Serra será mantida numa situação de rigoroso empate. Com esse cenário, entrará em cena o habitual “voto útil”. Pelos dados disponíveis, e com base nas últimas eleições, tal cenário favoreceria a Serra.

O Ibope cotejou, em São Paulo, dados das eleições de 2008, para prefeito, e 2010, para governador e presidente. Superpostos, os números revelam: exatos 50% dos eleitores são anti-PT. Exatos 42% votam, ou costumavam votar até agora, com o PT. Dessa equação, numa situação de empate técnico, de taco a taco, sairia o adversário de Russomanno no segundo turno.

Decisivos, também, se vierem a se concretizar, com a presença dos favoritos, os debates da próxima e última semana da campanha, nas TVs Record e Globo.

O debate encerrado na madrugada desta terça-feira, 25, realização da TV Gazeta em parceria com o Portal Terra, teve, na prática, um grande franco-atirador. Aquele que atacou os demais quase sem ser questionado.

Sem chances de chegar ao segundo turno, Carlos Giannazi, do PSOL, jogou no ataque o tempo todo. Usou frases de efeito, bateu duro, ajudou a tornar este o mais quente confronto da temporada.

Existem várias formas de se analisar um debate como este. Uma delas é dando atenção apenas ao que disseram os favoritos. Outra é prestando atenção no que todos disseram. É perceber quem mais buscou enfiar os dedos nas feridas.

Sem ter nada a perder, Giannazi cumpriu esse papel de utilidade pública: o de deixar o rei nu; no caso, os príncipes e a princesa. Giannazi disse, por exemplo, que São Paulo está “nas mãos das empreiteiras”. E que o prefeito Kassab é apenas “um corretor de imóveis”. Disse também:

– Tanto o PT quanto o PSDB estão comprometidos; com a CPI do Cachoeira, com o Mensalão (do PT), ou com Mensalão mineiro (o do PSDB).

Na eleição presidencial de 2010, também ele do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio viveu esse papel, que mistura humor e duras e desconcertantes verdades. Daquelas que existe um acordo tácito para que não sejam ditas.

Não por acaso, no debate encerrado na madrugada desta terça, 25, Plínio de Arruda Sampaio, sentado logo à primeira fila, exerceu o papel de um dos conselheiros de Giannazi. Que contra o líder Russomanno, por exemplo, disparou:

– Ele é um aventureiro, é o Collor do século XXI (…) Foram o PT e o PSDB que criaram essa cobra.

Ainda sobre Russomanno, Giannazi cutucou, arrancando risos da plateia lotada por 400 convidados:

– Conheço projetos bizarros que você apresentou, e um deles transforma estupro em assalto sexual.

Haddad e Serra evitaram o confronto direto. Quase ao final, quando teve a chance de perguntar para Serra, Haddad optou por perguntar para Soninha. Arrancou um “Ooohhhh” dos convidados, um misto de deboche de opositores com a decepção de petistas que queriam ver sangue.

Soninha Francine (PPS) buscou o tempo todo fustigar Haddad. Mesmo quando declarou:

– No segundo turno voto até em você, Haddad…

(Mais do que uma declaração de voto em Haddad, a frase é um ato na busca da desconstrução política de Russomanno).

Fustigado por Soninha sobre o “Mensalão” e temas correlatos, Haddad arrancou murmúrios de satisfação dos seus na plateia ao responder:

– Você fala como se não tivesse participado da gestão Serra/Kassab…você foi subprefeita. Vários secretários foram acusados de improbidade administrativa.

Gabriel Chalita (PMDB) moveu-se, o tempo todo, contra Serra. No embate mais longo entre os dois disse que a gestão “Serra/Kassab deu quase 200% de aumento para os subprefeitos” e quase nada ou nada para o funcionalismo. Isso enquanto empregava, na mesma função de subprefeitos e com “salários de R$ 20 mil”, segundo Chalita, “13 ex-prefeitos do interior”.

Além de acusar Chalita de faltar às sessões na Câmara dos Deputados, quase ao final Serra deu dolorosa estocada no candidato do PMDB:

– Eu não uso helicóptero de amigo empresário.

Russomanno, líder nas pesquisas, foi o alvo central e permanente. Ficou evidente nesse debate: a uma semana e meia do segundo turno, Soninha joga com Serra e Chalita tabela com Haddad. E estão todos contra Russomanno.

Russomanno, por seu lado, ao fazer uma pergunta, deixou uma pista, depois confirmada por assessores: os incêndios nas favelas de São Paulo estão sendo vasculhados e serão tema quente no segundo turno.

(A depender, claro, de quem esteja no segundo turno).

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) aponta: nove dos 34 incêndios recentes se deram em áreas de valorização imobiliária. Até 31 de agosto foram gastos apenas 14, 2% do orçamento previsto pela prefeitura para a urbanização de favelas neste 2012.

Russomanno será alvo de uma blitz daqui por diante. Blitz política e midiática. Porque há motivos para tanto. E porque existe, sempre existe, material, farto material para uma blitz. Mas uma grande porção do chamado establishment – o midiático, empresarial – irá se mover também porque seus interesses estão em jogo.

Exemplo hipotético e até banal: o prefeito de uma cidade pode determinar que, em favor da lei do silêncio, partidas de futebol não terminem depois das 23 horas. Isso significaria jogos começando, durante a semana, no máximo, às 21 horas. Ou seja, ainda antes do final de um telejornal e do início de uma telenovela.

Durma-se com um silêncio desse.

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Comentários

Graça Azevedo on 26 setembro, 2012 at 16:07 #

Como diz o nosso querido Vitor Hugo: a conferir.


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