OPINÃO POLITICA

O massacre e as pesquisas

Ivan de Carvalho

É possível que, neste fim de semana, pelo menos uma pesquisa reservada, com resultados para consumo interno de campanha, haja sido concluída a respeito das intenções do eleitorado de Salvador. Mas, se houve a sondagem eleitoral, seus resultados até agora não transpuseram a área restrita a que se destinavam. Talvez tenhamos que aguardar outras pesquisas, do Ibope, Datafolha, Vox Populi.

O que se pode dizer é que a idéia de fazer aquela pesquisa exatamente agora era a de medir os efeitos do que, em setores petistas, se chegou a apelidar de “massacre” contra o candidato da coligação liderada pelo Democratas, ACM Neto, líder, com ampla vantagem, de todas as pesquisas eleitorais até o momento. Na pesquisa mais recente, que registrou um crescimento grande do petista Nelson Pelegrino, 12 pontos percentuais ainda separavam o candidato governista de ACM Neto.

O que seria o “massacre”? Prevalecendo-se do fato de contar com praticamente a metade do tempo de propaganda eleitoral “gratuita” no rádio e televisão – 13 minutos do total de 30 em cada bloco – e, consequentemente, também de um número muito maior de inserções do que qualquer outro concorrente em meio à programação normal das emissoras, a campanha de Pelegrino apontou artilharia pesada contra ACM Neto.

Uma das munições, o discurso em que este, durante o seu primeiro mandato de deputado e o primeiro mandato de Lula na presidência, disse da tribuna da Câmara que seria capaz de “dar uma surra” no presidente. Pouco depois, aconselhado pelo avô, Antônio Carlos Magalhães, Neto pediu desculpas também publicamente. Mas Lula jamais o perdoou – é difícil, pelo menos no meio político, descobrir alguém que Lula avalie que o ofendeu ou prejudicou e que haja perdoado. Hélio Bicudo garantiu que “ele nunca perdoa”. Lula é da mesma região de Lampião (nasceu em Caetés, Lampião em Vila Bela, hoje Serra Talhada), em Pernambuco. Lá, contam os que conhecem a região, o pessoal não é chegado a um perdão.

ACM Neto conseguiu que a Justiça Eleitoral proibisse o ataque, por haver sido retirado de contexto. Está respondendo que realmente errou, e que hoje está mais experiente, mas explicando que era a fase da crise do Mensalão e sua “família estava recebendo ameaças” e que o importante é que os réus do Mensalão estão hoje sendo julgados e condenados.

Outra munição pesada foi a de que o Democratas, partido de ACM Neto, votou contra o polêmico sistema de cotas de vagas nas universidades. O candidato dá uma resposta enviesada, dizendo que sempre foi a favor da promoção da igualdade e que foi o autor de proposta legislativa que ampliou o benefício do Bolsa Família. Se o candidato fosse seu avô ACM – mas não é – poderia dizer que o Fundo de Combate à Pobreza, proposto por ele e aprovado no Congresso graças a seus esforços, foi o embrião financeiro do Bolsa Família, instituído depois pelo governo do PT.

O terceiro elemento do “massacre” contra a candidatura de ACM Neto é a esquisita tese do “alinhamento” – presidente da República, governador e prefeito do “mesmo time”. Hora, se fosse para ser assim, nem precisava eleição. Houve tempo em que os generais escolhiam o presidente da República, este nomeava os governadores (homologados pelas submissas Assembléias Legislativas) e os governadores nomeavam os prefeitos das capitais.

Poupavam-se os eleitores da canseira cívica de ir votar, não havia doações de campanha nem “por dentro” nem “por fora”, todos eram menos assediados pela irritação imbecilizante dos programas de propaganda eleitoral “gratuita” (existentes só para eleições parlamentares e municipais) e até podiam imbecilizar-se prazeirosamente com as telenovelas e programas de auditório.

Acho que era muito melhor. A não ser porque não havia democracia e a liberdade era escassa. Mas só por isso…

set
21
Posted on 21-09-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-09-2012



Um canto de Sinatra sobre a vida postado de São Paulo em noite chuvosa e fria de começo de primavera.

BOA NOITE!!!

(vhs)


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OPINIÃO POLITICA

Sufoco em São Paulo

Ivan de Carvalho

A pesquisa Datafolha publicada ontem mantém Celso Russomano, do PRB, em isolada liderança na disputa pela prefeitura de São Paulo, e subindo de 32 para 35 por cento das intenções de voto. O máximo que ele já havia atingido durante a campanha, embora por outro instituto de sondagem de opinião pública, havia sido exatamente essa marca de 35 por cento, de onde descera para 32 por cento. Se tomarmos a liberdade de misturar institutos de pesquisa, poderíamos dizer que ele recuperou seu próprio recorde. Se não misturarmos, levando em conta apenas o Datafolha, podemos afirmar que ele simplesmente continuou crescendo.

Os analistas parecem haver chegado a uma estranha unanimidade – se nada ocorrer que promova um terremoto eleitoral na cidade de São Paulo, Russomano vai classificar-se para o segundo turno com votação bem acima do segundo colocado. E este segundo, também são unânimes os analistas, tanto pode ser o candidato do PSDB, José Serra, quanto o candidato do PT, Fernando Haddad.

Serra vinha caindo lenta, mas seguidamente, nas pesquisas eleitorais. Haddad vinha subindo, continuamente, ainda que também lentamente. E esperava o PT que ele agora desse um salto: a senadora petista e ex-prefeita Marta Suplicy, com reconhecido prestígio em certas áreas da cidade, afinal aceitou os desesperados apelos para ingressar na campanha eleitoral de Haddad, o poste que Lula decidiu por no cargo de prefeito da maior metrópole do país.

Assim é que Marta deixou a primeira vice-presidência do Senado, licenciou-se do mandato e ganhou o Ministério da Cultura, de onde foi delicadamente expurgada Ana de Holanda, irmã de Chico Buarque. E então entrou na campanha, tapando o nariz para um companheiro de coligação, o ex-governador e ex-prefeito Paulo Maluf.

Bem, passaram-se alguns dias sob a nova configuração, então foi feita a pesquisa e – e não deu certo, pelo menos até aqui. Haddad, que na pesquisa Datafolha anterior obtivera 17 por cento, oscilou dois pontos para baixo e agora tem 15 por cento. Isto significa que houve uma interrupção da sua curva de subida, acrescida de uma incômoda e – não há maldade em dizer – depressiva inflexão para baixo.
Já com o tucano José Serra aconteceu exatamente o contrário. Ele que vinha em descenso contínuo, interrompeu a curva de queda e, possivelmente só para esnobar o contendor petista, subiu um ponto percentual – dos 20 da pesquisa Datafolha anterior para 21 por cento das intenções de voto, agora. Claro que há sempre aquela história da margem de erro da pesquisa, mas, com a aproximação das eleições, o Datafolha ouviu 1.802 eleitores e a margem de erro é de apenas dois pontos percentuais. Como a diferença encontrada entre Serra e Haddad é agora de seis pontos (21 e 15, respectivamente), nem utilizando a margem de erro em suas possibilidades máximas se chega ao empate técnico.
A interrupção de crescimento e a leve ascensão de Serra não acenderam o sinal amarelo na campanha do PT. Este já estava aceso há muito tempo.

Agora, acionados foram os sinais vermelhos e os alarmes sonoros. O corneteiro toca “avançar cavalaria” e é possível que uma porção de marqueteiros esteja gritando “pânico, pânico” pelos corredores do comitê central de campanha.

Se a eleição fosse hoje, o petista estaria fora do segundo turno. Há muito tempo, ganhando ou perdendo, o PT não fica fora do segundo turno numa eleição paulistana. Agora, sofre esta ameaça. E, pior, com o poste apresentado e apadrinhado por Lula, precisamente quanto o PT parece estar em má fase quanto às eleições em capitais de Estados e outras cidades importantes, tudo isto misturado com o julgamento do Mensalão e as novas peripécias de Marcos Valério. O PT, é o que se fala, deve reagir, com furiosos ataques contra José Serra e, com algumas cautelas, também contra Celso Russomano, que é do PRB, que é ligado à IURD, que controla a Rede Record.

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