http://youtu.be/9OKF9bAJzO0
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BOA NOITE

(vhs)

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DEU NO ESTADO DE S. PAULO

PÉS DE BARRO

DORA KRAMER

João Santana, o marqueteiro das estrelas, é um exímio construtor de mitos. Não o único, porque não se pode deixar de lado o papel de Duda Mendonça na arquitetura do “novo” Lula que ganhou a eleição presidencial de 2002 depois de perder três.

Mas Santana é mais sofisticado, analítico, menos intuitivo. Maneja emoções como ninguém. É um ás no ofício de transformar percepções difusas em cenários reais.

Em outras palavras: sabe levar as pessoas a ver as coisas como quer que sejam vistas.

Ciente desse talento, uma vez até revelou de público seu processo de criação. Foi em 2006, depois da espetacular reeleição de Lula em meio a escândalos que teriam derrubado qualquer um – mensalão e aloprados, para citar apenas dois -, numa entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo.

Atribuiu em grande parte a vitória ao desenvolvimento da teoria do “fortão” e do “fraquinho”: uma figura dupla de fácil identificação no imaginário popular. O primeiro encarnaria o humilde que virou poderoso e o segundo faria às vezes de vítima do preconceito das elites.

Nas palavras de Santana, depois que se elegeu em 2002, Lula passou a representar para os mais pobres uma projeção de sucesso. “É um deles e chegou lá”. O “fortão”, que rompe barreiras.

“Mas, quando Lula é atacado, o povão pensa que é um ato das elites para derrubar o homem do povo só porque é pobre”. Nessa hora, dizia o marqueteiro, “vira o bom e frágil que precisa ser amparado e protegido”. Dessa alternância se alimentaria o “caso de amor” entre Lula e o eleitorado. Teoria de êxito comprovado na prática.

Sobre a figuração preparada para Dilma Rousseff, João Santana não teorizou em entrevistas, mas não é difícil perceber que tipo de mito constrói: a presidente durona, trabalhadora, intolerante com “malfeitos”, resistente a negociatas políticas, estadista que não mistura atos de governo com questões partidárias, muito menos eleitorais.

Deu certo. Dilma com isso agradou aos setores que renegavam os métodos de Lula sem perder apoio nas camadas encantadas com o “fortão” e o “fraquinho”.

O problema é que as agruras penais, políticas e eleitorais do PT estão levando Dilma a descer do pedestal. Obrigam-na, por exemplo, a ir ao horário eleitoral prometer ao eleitor benefícios em troca de votos para seus correligionários.

Vantagem tão indevida quanto usar ministérios como moeda eleitoral ou fazer discurso de palanque no espaço de comunicação da Presidência da República em data nacional.

E quando a fábula afronta tão completamente a realidade, não há talento que esconda do mito os pés de barro.


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Vamos lá, rapaziada!!!

Gilson Nogueira

Arremesso o Segundo Caderno do Globo em cima da mesinha de cabeceira e levanto-me da cama para dar continuidade à crônica em que pretendia falar do desejo de rever amigos.

A idéia de digitar um texto exaltando a beleza do fazer e do conservar amizades surgiu no meu passeio matinal que vai da cabeceira da Avenida Centenário em direção ao Farol da Barra e termina onde o cansaço e o destino indicarem. Geralmente, o the end é em casa, sob uma bela ducha de água fria.

Neste sábado, de sol primaveril, ao avistar um grande navio cargueiro deslizando no azul atlântico, de bico para a entrada da Baía de Todos os Santos, como se fosse aquele parceiro que não via há anos e que chegava para contar as notícias dele e de outros, acumuladas no baú da memória, ganhei o dia.

Fitei a linha do horizonte, do passeio do icônico Bar e Restaurante Barravento, como se estivesse a enfiar a bola sete na caçapa do Bilhar do Abel, no Centro Histórico de Salvador, em companhia de Paulinho, Zé Bubu, Osmil, Caubi, Didi, Joca, Chico, Vinícius, Lula,Bahia, Tonico Moleza e muita, muita gente mais da turma que fazia ponto na lanchonete de dona

Arlinda, localizada no Jogo do Carneiro, perto do prédio do SESC, no bairro de Nazaré.

Por isso, considerando que a vida só tem graça se for vivida com amor e que amigo é pra essas coisas, para o que der e vier, e o que for, quero exaltar o abraço e o hábito dos que se reúnem para assistir o desfile de causos e mais causos dos tempos de mocidade, ou não, narrados entre a cerveja deles de cada dia e os petiscos para segurar a boa onda.

E assim, iniciei o caminho de volta ao lar subindo uma ladeira que vai dar no bairro da Graça, para testar os músculos, quando, entre o balcão de uma pequena lanchonete e a rua que desemboca na Avenida Centenário, ele e ela despediram-se: “Já fui!”,“Vá lá!”

Achei um barato. Viva a amizade!!! E ao lembrar do almoço que “ nunca acontece” de Zé Bubu e das confraternizações que a turma de Nazaré promovia em uma churrascaria pelas bandas de Piatã, nos anos 1970, sem dispensar uma porrada, ocorreu-me o chamado geral. Alô, alô rapaziada, está na hora de encher os pulmões e dar um viva ao convívio entre os amigos de todos os cantos e credos!!! Afinal, como escreveu o poeta, a vida é a arte do encontro.

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP.

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Indicação musical de Claudio Leal , jornalista e colaborador da primeira hora do Bahia em pauta, postada originalmente no twitter. Maravilha! Confira.

salve Canô!!!

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GENIPAPO ABSOLUTO

Caetano Veloso

Como será pois se ardiam fogueiras
Com olhos de areia quem viu
Praias, paixões fevereiras
Não dizem o que junhos de fumaça e frio
Onde e quando é genipapo absoluto
Meu pai, seu tanino, seu mel
Prensa, esperança, sofrer prazeria
Promessa, poesia, Mabel
Cantar é mais do que lembrar
É mais do que ter tido aquilo então
Mais do que viver do que sonhar
É ter o coração daquilo
Tudo são trechos que escuto: vêm dela
Pois minha mãe é minha voz
Como será que isso era este som
Que hoje sim, gera sóis, dói em dós
“Aquele que considera” a saudade
Uma mera contraluz que vem
Do que deixou pra trás
Não, esse só desfaz o signo
E a “rosa também”

(VHS)

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ARTIGO/ ELEIÇÕES

O carlismo não morreu

Rosane Santana

Os adversários de Antônio Carlos Magalhães, açodadamente, interpretam a vitória de Jaques Wagner, para o governo da Bahia, como a morte do carlismo, ao qual atribuem a prática do clientelismo, do mandonismo e do particularismo, própria das oligarquias desde o Império, e que resiste ainda hoje na política brasileira, farta de exemplos, mesmo entre os que se auto-intitulam porta vozes da transição do “iberismo” para o “americanismo”, isto é, da velha ordem privada para a vida urbana e pública, no dizer de Sérgio Buarque de Holanda.

Um dos traços característicos do carlismo é que sempre soube imprimir uma direção no comando da máquina pública – o que pode explicar sua longa permanência no governo – atributo que o historiador marxista Ilmar Mattos usou para diferenciar, no século XIX, os conservadores dos liberais.

Na verdade, uma antítese à célebre frase do deputado pernambucano Holanda Cavalcante de que “nada mais parecido com um saquarema (coservador) do que um Luzia (liberal) no poder”, dada à similaridade de práticas entre um grupo e outro no exercício da vida pública, a partir do Segundo Reinado. A história se repete ainda hoje, quando muitos políticos abandonam as teses defendidas na oposição.

A formação de um quadro de gestores, especialmente treinados para tocar a máquina administrativa, é um dos trunfos do carlismo. Este aspecto, uma das preocupações do seu núcleo duro, tem importância estratégica para imprimir direção ao governo.

Em lugar de um critério único de recrutamento – o político-partidário, por exemplo – também a valorização das competências selecionadas entre diferentes grupos.

O conflito entre Antônio Carlos Magalhães e os seus adversários, na Bahia, tem funcionado como força polarizadora, na oposição, de quadros dissidentes, muitos dos quais herdaram do carlismo suas práticas mais criticadas.

Alguns, em posição de liderança, estão hoje agrupados em torno da coligação que elegeu o petista Jaques Wagner.

A Jaques Wagner caberá, se quiser, de fato, ser “o melhor governador que a Bahia já teve”, como declarou, imprimir uma direção ao seu governo – não bastam a ocupação da máquina pública, a afinidade com o governo federal e a consequente disponibilidade de verbas da União, num provável segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

À propósito, no século XIX, os saquaremas, sob a liderança de seus dirigentes ilustrados, imprimiram uma direção ao Império, com base no binômio, “Ordem e Civilização”, elegendo a educação entre suas prioridades.

Somente a existência dessa direção e a capacidade de implementá-la poderá fazer do governo eleito, mais do que uma união circunstancial de forças para enfrentar o carlismo, um acontecimento novo na história política da Bahia. Do contrário, encurtará o caminho de volta dos carlistas ao poder.

Rosane Santana é jornalista e professora universitária.

* Esse artigo foi originalmente publicado no jornal A TARDE, em 25 de outubro de 2006. O título original, agora retomado ( “O carlismo não morreu”), foi substituído por “No comando da máquina”, durante a edição pelo jornal baiano. Achei oportuno republicá-lo na atual conjuntura da política baiana e brasileira.


Lula a mil: dos palaques da Bahia para
os de Sampa em 24 horas
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Cultura, Marta Suplicy , reforçaram neste sábado a campanha de Fernando Haddad , candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, ao participarem de dois comícios , um no Capão Redondo, e outro na Cidade Dutra, zona sul da capital paulista. Enquanto Lula e Haddad se ocuparam de criticar o adversário José Serra , candidato do PSDB, Marta atacou Celso Russomanno , candidato do PRB, e o chamou de “lobo em pele de cordeiro”.

Rouco devido aos reflexos do tratamento que fez para curar um câncer de laringe, Lula afirmou, durante o primeiro comício no Capão Redondo, que só ia falar cinco minutos. Mas acabou falando dez. “Não sei por quanto tempo vou poder participar da campanha de Fernando Haddad”, iniciou o ex-presidente. “O que eu posso dizer é que se eu tiver condições de fazer todos os dias um minuto de discurso, pode acreditar que eu farei.”

Durante sua fala, ele parou uma vez para beber água, não sem depois brincar: “Quando eu fazia discurso em porta de fábrica, eu tomava uma cachacinha para molhar a garganta. Agora eu tomo água.” Na manhã deste sábado, Lula participou de ato em favor de um candidato petista em Feira de Santana, na Bahia.

Muito aplaudido pelas centenas de presentes no evento, que entoaram “olê, olê, olá, Lula, Lula” na sua entrada ao palco, o ex-presidente não poupou Serra, e disse que o tucano precisa manter a “calma” e tomar cuidado com infartos, por conta de sua idade. “Nós temos um cidadão que é candidato e que já foi prefeito. Na primeira chuva de verão, ele correu, não esperou a segunda”, disse o ex-presidente. “Ele anda muito agressivo. Ele tem quase a minha idade e a gente, depois dos 60 (anos), tem que ser mais calmo. Então, Fernando (Haddad), você não tem que se preocupar com a agressividade dele(…) Os médicos dele é que precisam se preocupar porque nessa idade é mais fácil ter infarto”, afirmou.

As alfinetadas indiretas a Serra voltaram a ser feitos em Cidade Dutra, onde falou por mais de 12 minutos. “Se ele quer arrumar emprego, arruma em outro lugar. Ser prefeito é missão, não é emprego”, disse Lula. “Prefeito não tem que ter medo das enchentes. Tem que ir lá e viver a enchente com o povo.

Andando de uma ponta a outra do palco, o ex-presidente continuou: “Vocês já viram raposa quando quer pegar galinha? Ela não late”. E segurando Marta Suplicy pelo braço: “Aparece na TV dizendo: senhorinha, vou te ajudar.”

set
16
Posted on 16-09-2012
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-09-2012


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Aroeira, hoje, no jornal O Sul (RS)

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http://youtu.be/2DxUaEMtBpo

Videos retirados do documentário Pedrinhas de Aruanda. No inicio Bethânia declama “O TEJO É MAIS BELO” de Alberto Caeiro e depois na antiga estação de trem em Santo Amaro da Purifição ela canta Motriz de Caetano
Veloso, uma interpretação belissima acompanhada como sempre pelo talentoso maestro Jaime Alem. (You Tube)

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Felicidade deve ser isso que transmitem a canção de Caetano, a poesia de Pessoa, a voz de Bethania e as imagens de Santo Amaro da Purificação ( saudades do Motriz de minhas viagens na infância de Terra Nova – então distrito de Santo Amaro – para Salvador. Pura magia feita de gente, canaviais e o mar, que vi pela primeira vez da janela do Motriz.

Felicidades e parabéns, dona Canô. Para a senhora e seus filhos!

(Vitor Hugo Soares)

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