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NOTA OFICIAL DA DIOCESE DE JUAZEIRO (BA), NA REGIÃO DO VALE DO SÃO FRANCISCO

“A diocese de Juazeiro-BA, através de seu bispo diocesano, dom José Geraldo da Cruz, torna pública a triste notícia do falecimento de seu bispo emérito, dom José Rodrigues de Souza, de 86 anos, acontecido às 04h30 da manhã deste domingo (9), no hospital Santa Mônica, em Goiânia (GO).

Depois de uma cirurgia para tratamento de uma hidrocefalia (acumulação de líquido na cavidade craniana) o bispo teve seu estado de saúde agravado e não resistiu, vindo a falecer na madrugada de hoje.

O corpo, embalsamado, será velado na Igreja Matriz de Campinas de Goiânia onde, na manhã do dia 10, haverá Missa de corpo presente. Os restos mortais de Dom José Rodrigues seguirão, em seguida, para Juazeiro, em companhia de três Padres de sua Congregação.

Dom José Rodrigues será velado na Catedral durante a tarde e a noite do dia 10. Na parte da manhã do dia 11, terça-feira, haverá Missa de Exéquias e seu sepultamento será realizado no cemitério do CTL de Carnaíba do Sertão.

Aproveitamos para manifestar nossa gratidão a Deus pela vida e pelo fecundo ministério episcopal que dom José Rodrigues realizou à frente de nossa diocese por quase trinta anos e também a todos que nestes dias de seu sofrimento uniram-se a nós em oração.
Juazeiro, 09 de setembro de 2012
Dom José Geraldo da Cruz, a.a.
Bispo de Juazeiro

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Dom José Rodrigues: bispo de fé, esperança e coragem
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DOM JOSÉ RODRIGUES: TRAJETÓRIA DE UM HOMEM DE FÉ, ESPERANÇA E CORAGEM

Tristeza, muita tristeza e sentimento de perda sem tamanho neste domingo, 9: O Bahia em Pauta acaba de receber a notícia com a confirmação oficial da morte em Goiania (GO), do bispo emérito da diocese baiana de Juazeiro, Dom José Rodrigues, famoso mudialmente como “o Bispo dos Excluidos”, por sua atuação de líder católico e combatente de causas sociais, em defesa dos mais pobres, na região do Vale do São Francisco ao longo de décadas. Era membro honorário, e premiado, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI)

Dom Rodrigues, como era chamado por seus diocesanos e amigos, estava internado há dias, em estado grave, no Hospital Santa Mônica, em Goiânia (GO). Morreu depois de uma cirurgia para tratamento de uma hidrocefalia (acumulação de líquido na cavidade craniana) , quando seu estado de saúde se agravou e passou a respirar através de aparelhos, em coma induzido e se alimentando por sonda.

UM BISPO DE LUTA

Dom José nasceu no Estado do Rio de Janeiro, em 1926. Foi professor de português no Seminário de Aparecida (SP), e entre 1966 e 1968 fez o Curso de Especialização em Catequese e Pastoral em Bruxelas. Voltando ao Brasil, trabalhou nas Missões em São Paulo, Minas, Paraná e Amazonas.

Em 1970 foi eleito Superior Provincial dos Missionários Redentoristas de Goiás e Distrito Federal.

Em 1975 foi ordenado bispo e nomeado para a Diocese de Juazeiro.

Na ocasião, a construção da Hidroelétrica de Sobradinho tinha desalojado 72 mil pessoas. Dom José entrou logo na luta em defesa dessas pessoas. Foi a primeira das muitas lutas, pelos direitos dos pobres do sertão, na qual ele se envolveu, enfrentando inclusive a ferocidade da ditadura militar.

Sua capacidade de luta, seu sentimento de solidariedade com o povo excluído e sua intransigência na defesa dos direitos humanos fizeram que ele fosse freqüentemente acusado (pelos mais favorecidos, é claro,) de ter uma atuação mais política que religiosa.

Desde que chegou a Juazeiro promoveu nove Pastorais Sociais (da Terra, da Criança, da Juventude do Meio Popular, da Mulher Marginalizada, da Saúde, dos Pescadores, Carcerária); criou o Setor Diocesano da Comunicação Audiovisual, com uma Biblioteca com 45.000 volumes, equipamentos de produção de rádio e televisão, jornalismo impresso, uma locadora com 2.000 títulos de vídeos para escolas e professores além de três programas de rádio semanais. Foi o criador do projeto Cisternas Caseiras (para armazenar água de chuva), de tanto sucesso que o Ministério do Meio Ambiente pretende copiá-lo.

Dom José prestou depoimento em numerosas CPIs, como aquela – sobre a grilagem na Bahia em 1977; na Comissão da Bacia do São Francisco em 1978, quando falou nos problemas causados pela construção da Barragem de Sobradinho – e na do Terror em 1981, entre outras.

Dom José participou de numerosos debates sobre a seca e a fome no Nordeste.

Membro da Associação Bahiana de Imprensa, durante seis anos seguidos Dom José recebeu o Troféu Mandacaru de Ouro, criado por um grupo de jornalistas da Bahia para homenagear os destaques do ano em política, economia, arte, cultura e religião.

Em 1992 publicou-se sua biografia em alemão, já traduzida e publicada sob o título “O Bispo dos Excluídos: Dom José Rodrigues.”

Bahia em Pauta (como Juazeiro, a Bahia e o País) está de luto com a morte de Dom José Rodrigues. E o editor deste site blog que teve a honra de merecer a amizade e a confiança deste religioso notável e figura humana grandiosa sente o duro golpe da sua partida nesta triste quinta-feira, 6, aos 86 anos.

Dom Rodrigues partiu. Viva Dom José Rodrigues, o Bispo dos Excluidos! Para sempre na memória de sua gente e dos seguidores de seus exemplos de coragem, justiça, resistência e solidariedade.


(Postado por Vitor Hugo Soares, com informações do ex-radialista Douglas Dourado, do site da Diocese de Juazeiro e blogs nacionais)

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Comentários

maria do carmferreira de araujo filha on 9 setembro, 2012 at 19:51 #

Ao Saudoso e Eterno defensor dos menos favoreridos as nossas eternas saudades.A grande e Inesquecível D. José o nosso sentimento de gratidão por tudo que fez em defesa do povo casanovense, seu exemplo de vida ficará presente e servira de lição para todos os catolicos.palavra mais usada por ele em suas falas. Eu vim em defesa dos mais pobres. Os anjos te aguardam cantado e louvando. Hosana he…hosana ha…..eternas saudades


Olivia on 9 setembro, 2012 at 20:58 #

Duas porradas na alma neste domingo, partiram Dom José Rodrigues e Roberto Silva. Tá puxado.


Pe. Gilvan on 10 setembro, 2012 at 0:49 #

Nossa gratidão a Deus por nos ter dado D. José Rodrigues como Bispo, Pastor do Rebanho juazeirense por 28 pastoralmente férteis anos! Na comunhão dos santos, na qual manifestamos nossa crença, D. José, o Bispo dos Excluídos, ao lado de D. Thomaz, intercede a Deus por nós. Partiu para a Casa do Pai como sempre foi, discretamente. Que seu legado seja respeitado por nós que ainda peregrinamos neste mundo; que sua luta seja travada por nós, que continuamos a trabalhar nesta jubilar Diocese de Juazeiro. Saudades Eternas!


Ernane souza on 10 setembro, 2012 at 11:41 #

eu lamento muito a perda do bispo eu tive a oportunidade de está juntos por algumas vezes e conhecer seu trabalho em defeza dos mais pobre


Ernane souza on 10 setembro, 2012 at 12:29 #

Dom José Rodrigues ele além de ser um grande Lutador em defeza dos exluidos era solidarios com todas as causa sociais do povo brasileiro principalmente no sertão nordestino onde a vida do povo nas comunidades se tonavam mais dificil, ele emfrentou a ditadura militar e os conflitos de terra na época e não cedeu as perseguições politica na região que foram tantas, o povo Brasileiro perdeu o dos homems que mais fez Historia lutando para defender a vida , Um Homem de Deus que tem um bom lugar resevado na eternidade construido com coragem dedicação Fé e solidariedade , eu tive o privilegio de participar de muitas assenbélias juntos e Salvador para discultir a lutas pela terra e a politica no estado, para mi uma grande perda de homem serio e que numca teve mêdo de falar de publico de que lado ele sempre estava, um amigo das horas mais dificil…………………um religioso que conpriu o seu papel aqui neste mundo


Luiz Cláudio Guimarães on 10 setembro, 2012 at 12:40 #

Dom José Rodrigues, o pequeno grande Homem! Tive o privilégio de estar com ele dezenas de vezes. Conversamos sobre literatura e política. Esta ele dividia em (P)olítica e (p)olítica, a com “P” maiúsculo era a que prupunha, por ser legítima e desenvolvida segundo os preceitos da ética e da religião. Não dispensava um cigarrinho. E, nos eventos sociais de Juazeiro, circulava amoroso e jovial com o usual copo de cerveja. Ao ouvir de mim, uma alusão definidora da morte, segundo a qual ao fim de tudo “seremos recolhidos à enorme caixa do Nada”, Dom José me corrigiu prontamente: “…À imensa caixa do Tudo!” Que isso seja mesmo verdadeiro e que o Bispo dos Excluídos esteja agora diante da infinita face de Deus! (Lcguimaraens)


Záira Lisboa on 10 setembro, 2012 at 18:58 #

Tive a honra de tê-lo como amigo.
Que os anjos o conduzam ao paraíso!


Pe. Tito Regis on 10 setembro, 2012 at 20:11 #

Fui ovelha do seu rebanho e tive o privilégio de o conhecer, sei que se trata de um homem de Deus profundamente doado aos outros, admiro seu despojamento, coragem e total entrega a causa do reino. Rogo a Deus que lhe conceda a recompensa dos justos, pois no final do jubileu de ouro da Diocese de Juazeiro, foi recolhido para as alturas parte da nossa preciosidade. Obrigado Dom José por tudo que fizeste por meu povo.


Euvaldo Batista dos Santos on 21 Abril, 2013 at 22:52 #

Não o conheci pessoalmente, pois saí de Juazeiro em 1970, mas tive conhecimento de sua atuação como religioso, principalmente no que se refere à defesa dos excluídos (os mais pobres). Pela minha percepção, era um homem de muito preparo intelectual, religioso consciente, e além disso, um homem íntegro e de coragem. Não só Juazeiro, mas o Brasil como um todo, perde uma espécie humana em extinção, um homem de caráter. Como cristão, só me resta agradecer a Deus por ter agraciado Juazeiro com esse filho, que agora o recebe de volta.
Euvaldo Batista dos Santos
Economista em São Paulo
CORECON 21980


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